Actividade Física e Eletrólitos

Durante a realização de esforços físicos prolongados, os indivíduos apresentam geralmente uma perda hídrica, sendo os exercícios físicos aeróbicos os que induzem a um maior déficit. A desidratação deve acontecer devido à necessidade do organismo manter a temperatura corporal próxima dos valores de repouso, cerca de 37ºC. Em ambientes de altas temperaturas, o único mecanismo que faz com que o organismo perca calor é a evaporação da água na superfície da pele. Isso permite que a temperatura do corpo seja mantida, mas acaba por resultar em desidratação e perda de eletrólitos.
O objetivo primário da reposição líquida consiste em manter o volume plasmático para que a circulação e a transpiração possam prosseguir em níveis adequados. Existe uma grande discussão referente à necessidade de reposição de eletrólitos durante uma reidratação. Devido ao facto de estarem presentes em concentrações relativamente elevadas no suor, os iões sódio, potássio e cloreto fazem a maior contribuição para a condutividade elétrica dos fluidos corporais. Eles são responsáveis pela prevenção da movimentação excessiva de água para dentro e fora das nossas células, além de serem responsáveis por gerar e propagar os impulsos elétricos dos neurónios.

Um dia quente pode causar uma perda de eletrólitos considerável. Apesar disso, uma dieta normal contém muito sódio e cloreto, de modo que as perdas são rapidamente recuperadas. Neste meio tempo, os rins reduzem a sua excreção de iões na urina. Apesar da concentração de potássio ser mínima como elemento no suor, em realização de exercícios de longa duração, sua perda mínima e constante poderá acelerar a fadiga. As frutas e sumos de frutas são boas fontes naturais deste mineral.

A diminuição de água no organismo promove perda de peso e pode provocar diminuição da capacidade máxima de desempenho. A quantidade de líquidos a ser fornecida e o intervalo de tempo geram discussões entre pesquisadores. A maioria recomenda uma ingestão de 200 a 250ml, em intervalos de aproximadamente 15 minutos. Quantidades superiores podem produzir uma sensação péssima de plenitude gástrica durante o exercício.

Os seres humanos possuem uma sensação muito acentuada de quando é importante beber líquidos. A sede é um desejo fisiológico muito bem fundamentado por água e foi demonstrado por diversas vezes em estudos de laboratório que ela protege eficientemente a concentração dos fluidos. Portanto, o ideal é beber líquidos durante a prova conforme a sede, otimizando tanto o desempenho como a saúde. Não existe fórmula mágica ou cálculo ideal, mas existe individualidade biológica. Ignorar as necessidades do organismo e seguir um plano de treinos pode sobrecarregar o corpo com fluidos e diminuir a concentração de sódio plasmática, causando danos ao organismo.

Estudos comprovam que uma mistura apropriada de líquido com hidratos de carbono e um pouco de eletrólitos pode melhorar o desempenho dos atletas nas atividades. Os hidratos de carbono são incluídos para melhorar o sabor e a absorção. Investigadores são unânimes ao indicar que líquidos cedidos em baixas temperaturas possuem uma aceitabilidade maior por parte dos atletas e por isso as bebidas desportivas fazem tanto sucesso entre os corredores. Já os tabletes de sal são recomendados apenas em exercícios severos, como uma ultramaratona ou um Triathlon.

Portanto, fica claro que a hidratação e a reposição de eletrólitos são factores importantes na performance desportiva, mas devem ser feitas de acordo com as necessidades individuais. Um nutricionista poderá adequar a sua alimentação e hidratação para garantir a prática de atividade física com sucesso e saúde.

VANESSA ABREU