Como apertar os sapados de corrida.

É ponto incontroverso que o pé a base de todo o corredor, pelo que não causa admiração que os especialistas estejam de acordo quanto ao facto de, no que se refere a equipamento desportivo, ser aconselhável ao atleta munir-se de bons modelos que possam satisfazer em absoluto as suas necessidades e, acima de tudo, contribuir para uma boa segurança Física quanto a possíveis lesões.

Hoje, vamo-nos deter um pouco na questão do correcto “atacar” dos sapatos. Ah! Parece-nos estar a ouvir uma exclamação quase que generalizada de que isso não constitui qualquer problema… No entanto, a realidade é bem diÍerente, sobretudo quando observamos calmamente um grupo de corredores antes da partida de uma prova. Bem… Há de tudo, desde os que mal apertam os sapatos, até outros que parecem dispostos a não deixar o pé respirar. Daí, o estarmos convencidos da conveniência de falarmos sobre esta questão tão fácil como é a do aperto dos sapatos de corrida.

Um dos descuidos mais vulgares é o da utilização de atacadores excessivamente compridos, de que resulta um conjunto de pequenos e grandes nós que só podem dificultar o corredor. Ora este problema é eliminado se o corredor, depois de ter metido os atacadores nos orifícios correspondentes dos sapatos e antes de lazer o laço habitual, não deixar mais do que 15 centímetros de atacador para esse fim.

Outro erro grave consiste em atar o sapato e depois, com o cordão que sobra, dar uma volta completa ao tornozelo, atando as pontas junto ao tendão-de-aquiles, bem ao estilo de certos iogadores de de rugby.

Para além da complicação que rodeia tal sistema, este pode conduzir a lesões graves na região indicada, principalmente
quando o atleta vai correr em terrenos acidentados. É também frequente observarem-se corredores iniciados que, após a execução do laço, resolvem enrolar o resto dos atacadores em torno do peito do pé, à semelhança de alguns futebolistas. Com o esforço e à medida que a temperatura local aumenta, provocando necessariamente uma dilatação, tudo se conjuga para que uma lesão possa surgir.

No que se refere ao entrançar dos atacadores, nota-se, igualmente, uma grande ignorância por parte da maioria dos atletas, alguns deles de categoria reconhecida. Com efeito, é normal lazer-se passar o atacador por todos os buracos e uma das pontas, que se limitou a ficar “lá em baixo”, na primeira fila de orifícios, sai directamente daí e vem entrar na última fila… Claro que o processo é bem simples mas, podem crer, também é o menos aconselhado para quem corre, já que, para além da desigualdade de pressão no peito do pé, se o nó final se solta, teremos o sapato pronto a descalçar-se com toda a facilidade… E quando isso acontece em plena corrida, a sensação nada tem de agradável.

O atleta deve “entrançar’ o cordão contorme a figura 1, pois o sistema é- muito mais confortável por existir uma pressão constante, mas ligeira’ em ioda a parte superior do pé Cremos que-o erro cometido pela maioria dos atletas quanto à colocação dos atacadores é devido’ em grande parte ao facto das boas marcas de sapatos quando estes são adquiridos, não terem já os atacadores nos devidos lugares.

Devemos notar que um aperto excessivo terminado com um forte nó, pode impedir a correcta mobilização do tarso e do metatarso do pé e’ consequentemente, provocar microruturas dos músculos subiacentes ou, então, lesões nos músculos
plantares. O sapato, uma vez atado, deve permitir a facil introdução do dedo indicador da mão e tal método constitui um controlo de resultados garantidos, não só quanto à medida do sapato como também, no que se refere à sua largura.  Não nos devemos esquecer que o pé, para que possa exercer um esforço intenso, deve encontraí-se num envólucro confortável. Mas, afinal, como atacar um par de sapatos para corrida?

Basicamente, poderemos dizer que existem duas formas principais de apertar correctamente sãs sapatos antes de uma prova.  O primeiro pode ser referenciado pelo sistema “Box” (Throat)’ enquanto o segundo é conhecido como ‘Blucher”
(consultar a Fig. 1)’ A diferença fundamental entre estes dois sistemas reside no facto de um corredor que tehna o pé “cheio” sentir um conforto maior  num modelo de sapatos atados pelo sistema “Blucher,enquanto outro’ possuidor de pé “magro>’ deverá Preferir o outro Processo. Claro que a tecnologia moderna tem feito evoluir bastante o desenho dos sapatos de corrida e a situação actual neste campo não pode ser comparada à que se vivia com os modelos de há dez anos atrás ou até mesmo,  há cinco escassos anos os fabricantes iá não vão muito nas chamadas modas e preferem consultar equipas de especialistas em matéria de preparação física e medicina desportiva antes de lançarem os seus novos modelos no mercado.

Assim, já é vulgar que os sapatos de corrida embora. Se mantenham fiéis ao sistema “U-Box”‘ apresentem uma série de furos para que o atleta possa utilizar qualquer das duas variantes conhecidas. Se é certo que um par de sapatos não é de duração eterna, sobretudo quando se corre quase que diariamente, também não podemos esquecer que alguns cuidados extra podem prolongar granizar  a sua duração e, principalmente’ evitar ao seu possuidor arreliadoras lesões nada agradáveis e que podem privá-lo, por algum tempo de lazer o seu exercício preferido: a Corrida!

Fonte: Revista Spiriton