Bolhas nos pés

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Pé de corredor sofre com o atrito causado pela fricção da meia e da sapatilha. O melhor remédio para evitar as bolhas é a prevenção. Por várias vezes tive o problema das bolhas. Muitas vezes por um par de meias mal escolhido, um par de ténis não adequado para aquele tipo de prova ou treino.

É um mal que acontece a vários atletas, uns mais amadores que outros. Por vezes reparei, após prova, o atleta descansado com um olhar “outra vez”, com uma ou mais bolhas no pé. O atrito e a duração do exercício é, na maioria das vezes, a causa das bolhas nos pés do atleta. Também, não é para menos. Afinal, a cada quilómetro corrido os pés batem no chão quase mil vezes. A cada passada, eles absorvem um impacto de quatro até seis vezes maior que o peso corporal. O pé desliza, rolam para frente e desolam do chão, num movimento que se repete por uma, duas ou três horas seguidas.

As bolhas são o acumular de fluídos entre as camadas interiores e exteriores da pele, que aparecem em função de um processo inflamatório. E essas inflamações ocorrem por agentes físicos, como as queimaduras e o calor, agentes químicos, que são as substâncias cáusticas e após traumas mecânicos, como no caso da corrida.

“Geralmente, as bolhas que aparecem por agentes mecânicos – como a corrida – têm um conteúdo claro, chamado exsudato. É o líquido transparente que fica por debaixo da pele”.

Corredor que não deixa o pé bem limpo também corre o risco de sofrer com bolhas causadas pelos agentes infecciosos, como os fungos que formam micoses em locais húmidos, entre os dedos dos pés especialmente.

Já os diabéticos e com problemas de circulação devem prestar ainda mais atenção às formações de bolhas, explica o médico. Isso porque essas pessoas têm tendência à má circulação nas extremidades do corpo, como os pés. “Ali o sangue tem dificuldade de circular e, quando uma bolha ou qualquer outra ferida aparece, a cicatrização é mais difícil”, diz Tovo (atleta brasileiro).

Existem muitas artimanhas para o atleta que são eficientes para evitar o aparecimento das bolhas. Os dermatologistas seleccionaram as que realmente funcionam.

Ténis. Antes de um treino (longo) ou competição importante os ténis devem ser amaciados em pequenos treinos, passeios e até dentro de casa. O pé deve ter tempo para se familiarizar com a palmilha, as costuras e os novos atritos que poderão surgir. Além disso, o tamanho do calçado deverá ser um número a um número e meio maior que o normal (cerca de 1,5 cm), para evitar que o pé fique apertado e o atrito seja maior.

Como escolher os ténis certos:
Tente não comprar os ténis no fim do dia, quando os pés estão mais inchados, devido ao aumento do fluxo de sangue e distensão dos ligamentos.

• Experimente-os calçar em pé, porque nessa posição o pé fica mais volumoso.

• Os ténis não devem apertar em nenhum lugar. Um pequeno desconforto na loja será pior depois de algumas passadas.

• Quem transpira excessivamente deve escolher um calçado com mais ventilação, como os que têm tecidos com furinhos.

As dicas são de Cibele Réssio, ortopedista com especialização em pés e tornozelos pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Meias.
Elas devem proporcionar a transpiração dos pés e ter o mínimo de costuras possível. Existem meias específicas para evitar bolhas, com reforços nas regiões mais delicadas. Não faça como eu, gosto correr sem meias, e uns pés cheios de mazelas. Experimente usufruir desse conforto que protege os pés.

Vaselina.
Pode ser usada antes da meia para impermeabilizar os pés e protege do atrito. O ideal é usar vaselina sólida, em vez da líquida, que tem mais fixação. O cuidado deve ser na quantidade aplicada, para que o pé não fique deslizando no calçado.

Podólogo. Quem tem a pele do pé sensível e fina deve evitar a manicure antes das provas ou treinos longos. Ou, pelo menos, evitar lixar a sola dos pés ou passar produtos que afinam a pele. Isso deixará a região mais resistente ao aparecimento do machucado.

Unhas. Deverão ser cortadas rente à pele do dedo, mas não muito curtas para não encravar. Unhas quadradas encravam menos que as redondas, por isso, se você não souber como cortar a unha do pé procure uma pedicure.

Produtos específicos. Existem protectores especiais para os dedos, feitos de silicone e espuma, à venda em lojas de podologia.

Quem costuma viajar para o exterior pode comprar produtos para “colar” as bolhas, chamados de second skin (segunda pele). O efeito é o endurecimento da pele parecido com o de colas de colagem rápida.