Conselhos para iniciar a corrida entre os 35 e os 50 anos

1- Consultar o médico antes de se iniciar qualquer sistema de preparação física. De preferência, optar por clínico familiarizado com as questões da Medicina Desportiva. Não, não deverá ser apenas e só um simples exame de “auscultação e mais nada”, mas sim outro de natureza mais específica de maneira a que o interessado saiba exatamente em que ponto é que está mesmo a sua “máquina”.

O ideal seria mesmo ter a possibilidade de efetuar uma prova de esforço controlado em tapete rolante, situação que nem sempre é possível de efetuar nomeadamente quando o objetivo é, apenas e só, iniciar-se na prática da corrida.

2 – Iniciar a actividade de forma calma e progressiva, intercalando curtos períodos de corrida com outros de marcha. Em lugar de começar com complexos programas físicos com esquemas e gráficos talvez pouco compreensíveis para qualquer cidadão normal, será preferível escolher um esquema bem simples, fácil de executar e sobretudo que seja compreendido pelo candidado a atleta.

A alternância de curtos períodos de corrida lenta, fácil, com outros de camainhada é uma das formulas ideias de progressão. Por exemplo 300 metros, em terreno plano, a correr lentamente, seguindo-se 50 metros a caminhar normalmente e isto durante 20  ou 30 minutos … Atenção o tempo de caminho de apenas 50 metros não deve ser interpretado como de descanso mas sim como período inserido no próprio esquema de corrida. Por outro lado, a obrigatoriedade das pausas é para se manter, mesmo que se sinta vontade de não parar. Está provado cientificamente que um dos processos mais rápidos de iniciação à corrida passa exatamente pela constante alternância de fases de corrida com outras de caminhada.

3 – Reconhecer que os primeiros tempos, as primeiras sessões, vão ser muito exigentes, tanto no plano físico como psicológico. Imagine que o seu corpo, a sua “máquina” é um automóvel que esteve estacionado durante vários anos … Para começar a colocá-lo em bom funcionamento há que “dar tempo ao tempo” de maneira a permitir uma adaptação gradual às novas cargas de esforço. Esta mudança de atitude, em termos psico-fisiológicos acaba por ser muito exigente para qualquer pessoa, principalmente se já tem uma idade compreendida entre os 35 e os 50 anos e o seu passado, digamos, desportivo, não vou
nada relevante.

Preparar-se psicologicamente para uma mudança de comportamentos físicos é um dois pontos fundamentais para qualquer pessoa que quer mesmo seguir um plano de iniciação à corrida.

4 – Há que aprender a “escutar” o corpo. Saber parar quando se está cansado e recomeçar quando se recuperou e, aos poucos, ir ficando com a noção de como tudo funciona no nosso organismo. Podíamos apontar aqui que o ideal é correr 30 minutos x dias, às horas y, depois de comer um refeição z, mas … os Homens não são iguais, se calhar, bem vistas as coisas a refeição z é ideal para 30% dos indivíduos mas um “horror” para 15% de outros… Cada plano, cada esquema, deve ser adaptado, tanto quanto possível, às características individuais do praticante e daí esta expressão “saber escutar o seu corpo”. É isso mesmo avaliar dia a dia como é que está a ser feita a assimilação dos tempos de corrida  contínua, das pausas de tudo enfim …

5 – Evitar seguir os esquemas de preparação ou os ritmos de corredores mais experientes. Há que não esquecer que eles, para chegarem a tal nível, tiveram  meses, anos, de prática de Corrida. Um dos princípios muito utilizados por quem se inicia na corrida é juntar-se a um grupo que já praticam a corrida e “ir no andamento” deles. Calma, há que dar tempo ao tempo e-nas primeiras semanas todas as precauções são bem vindas. É muito bom seguir os conselhos de corredores com mais experiência, saber ouvir e … ir experimentando no seu próprio corpo, mas tudo de uma forma gradual e sempre sabendo que não há dois homens iguais.

6 – É necessário ser-se consistente e metódico, de maneira a construir-se, em cada sessão que passa, um pouco mais para o objectivo pretendido. É isso estipular objetivos! Por exemplo, dentro de 4 semanas quero estar a correr 30 minutos, lentamente, sem parar! Depois a “meta” poderá ser os 40 minutos ou ir do ponto A ou B calmamente, sem paragens durante 45 minutos … Ter objetivos, mesmo para os campeões faz com que a chama da motrivação esteja sempre bem viva e que o desportista adira às sessões de treino com entusiasmo. O deixar “andar”, o seguir sempre os mesmos trilhos acaba por saturar qualquer praticante. É evidente que estas metas devem ser realizáveis não Everestes difíceis de se subirem. Começo hoje a correr e dentro de quatro semanas vou à Maratona … isto não é uma objetivo é um suicídio e o mais grave é que pode colocar em perigo a saúde do praticante.

7 – Ter o cuidado de elaborar um simples . “Diário de Treino”, é essencial e ele servirá para que se possa avaliar os progressos ou os erros que vão sendo acumulados em cada sessão realizada. O ” Diário, é isso mesmo, qualquer caderno que sirva para se irem assinalando os treinos, mesmo que sejam curtos, de maneira a que ao fim de várias semanas de possam aquilatar os grandes ou pequenos progressos conseguidos. Infelizmente, ainda há muitos corredores, muitos dos quais com anos de prática, que nunca tiveram o seu Diário de treino, situação que é complexa nomeadamente quando se pretende estudar os processos de preparação que se seguiram nos últimos meses ou anos.

8 – Não esquecer a utilidade do princípio “Treino Duro/Treino Fácil”, isto é, a um esforço exigente deve seguir-se outro bem mais reduzido. Essa situação irá permttír melhor absorção fisiológica das cargas de treino que vão sendo progressivamente impostas .

Revista Spiriton