Crónicas de uma esposa/assistente/enfermeira/massagista/motorista/mentora


Quando o Paulo começou com as corridas havia muita coisa que eu não percebia e questionava o porque de tais atitudes e reações!
Quem pensa que ir a uma corrida implica inscrever-se, calçar as sapatilhas e correr está muito enganado.

“No mundo das corridas” é tudo muito mais complexo. Depois de se comprar uma corrida e dependendo da distancia da mesma começa todo um processo físico e psicológico. Noites mal dormidas, cabeça a mil à hora. Os meus limites são muito curtos, o meu conforto vai até uma hora de corrida e isto nos dias bons em que estou inspirada, porque a partir daí… bem a partir daí começam as dores de joelhos, o cansaço, questiono-me um cem numero de vezes do porque de estar a correr, de ter voltado a calçar as sapatilhas…

Ainda sou uma novata nesta minha curta aventura mas acho que já senti uma boa parte dessa loucura, dessa adrenalina e desse nervoso miudinho que “assambarca” quem corre!

Quando o Paulo me inscreve numa prova fico sempre muito reticente. Como já disse várias vezes não gosto de correr, não sei correr e para mim será sempre um sofrimento correr. Então porque te inscreves? Ora essa é uma boa pergunta… Inscrevo-me por causa da medalha de finisher.

A medalha de Finisher é colocada ao pescoço quando cortas a linha da meta. Significa que terminei com sucesso, que ultrapassei todos os obstáculos da prova, que cheguei ao fim, que estou viva… cansada…mas muito feliz! Por vezes é apenas uma medalha de cortiça, outras um pedaço de madeira gravado… mas aquela medalha… aí aquela medalha… bem vou tentar explicar de outra maneira: para mim que já fui mãe é como ter uma filha, depois de ela nascer, de vermos aquele rosto lindo, todas as dores, contrações, espasmos, cansaço que sentimos reduzem-se a um sorriso e um amor imenso pela filha que temos nos braços. Ora aquela medalha de finisher para mim é isso mesmo… um sofrimento bom que no fim se transforma num rasgado sorriso e numa enorme vitória pessoal.

Mas calma, não são tudo rosas. Depois do entusiasmo inicial o corpo arrefece e as dores e o cansaço começam aos poucos a apoderar-se do meu corpo e volta a mesma conversa “pós-corrida” que muitos já tiveram, vezes e vezes sem conta: ahhh não quero mais… esta foi a última, chega! Desta vez é mesmo… não me inscrevo em mais nenhuma… Isto não é para mim… tanto sofrimento para quê? Deixa-te disto e dedica-te mas é à fotografia! Vocês sabem a que sensação me refiro… Mas esta conversa e este pensamento duram pouco, talvez umas horas, uma boa noite de sono… a seguir vês o trailler de uma prova fantastica e dás por ti de lagrima no olho e a desejares estares ali no próximo ano!

Possa… era isto que eu temia… acho que estou infectada com o virús da corrida! Eu sabia que não me devia ter mantido tão perto do Paulo… ele contagiou-me! Obrigada Miudo! Começo a gostar da tua doença…

Vou contar-vos um segredo, mas não digam nada ao Paulo: hoje ao final da tarde fui fazer uma corridinha rápida com a minha filha… e pela primeira vez gostei mesmo de correr. Cheguei a casa com a sensação de dever cumprido e soube tãoooo bemmm! Acho que estou doente!

 

Ana Ribeiro Alves

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