DESCANSO PASSIVO E ACTIVO


São muitos os atletas que, chegando o verão, deixam de participar em provas regressando apenas a partir de Setembro, não deixando no entanto de treinar mais suavemente, fazendo o chamado descanso activo. Outros param completamente no seu mês de férias. Claro que há aqueles que nunca deixam de participar em provas até porque as há cada vez em maior número nos meses de Julho e Agosto.

E como recuperar de uma prova?

Descansando totalmente ou treinando e de que forma?

Mas afinal, o que é o descanso activo e qual a sua finalidade?

Tentando responder a estas pequenas questões escolhemos as opiniões de quatro treinadores brasileiros, mais ligados ao treino dos corredores de pelotão, num trabalho efectuado também pelo site www..copacabanarunners.net.

DESCANSO PASSIVO E ACTIVO Pelo Prof. Carlos Ventura

O descanso passivo ocorre quando o treino é totalmente interrompido, o descanso activo acontece quando num intervalo, o atleta não pára totalmente e mantém uma actividade, por exemplo, um trote lento ou uma caminhada

Existem dois tipos de intervalos ou descansos utilizados no treino, são chamados de passivos e activos. O descanso passivo ocorre quando o treino é totalmente interrompido, o descanso activo acontece quando, num intervalo, o atleta não pára totalmente e mantém uma actividade como por exemplo um trote lento ou uma caminhada.

Este intervalo de recuperação activa pode ser feito com pausas programadas.

Exemplo: 200 metros de corrida com uma pausa de 200 metros trotando. Esta pausa também pode ser com tempo determinado. Exemplo: 200 metros de corrida por um minuto de pausa activa. Este tipo de treino deve ser verificado através dos batimentos cardíacos do atleta, possibilitando assim uma segurança maior no desempenho.

O descanso activo pode ser dado quando o técnico conhece o desempenho dos seus atletas através de testes feitos antecípadamente. Como base para este tipo de trabalho, podemos usar o treino de Fartlek e após um período, em que os atletas fizeram percursos longos com ritmos preestabelecidos preferencialmente em pista.

Este treino evita a acumulação excessiva de ácido láctico nos músculos e a recuperação é mais rápida. a verdade, a base da pirâmide fica restrita a corridas longas e estabelecimento de ritmos para então iniciarmos treinos com pausas activas.

OUTROS TIPOS DE TREINO Por Nilson Monteiro

O descanso activo é muito bom para a cabeça do atleta, é uma forma de lazer, além de mantê-lo em movimento para quando voltar ao trabalho, o regresso não seja doloroso

É o treino leve, sem compromis30, como eu diria, um passeio no parque. Quando o atleta termina a temporada, ele não descansa totalmente parado. Ele faz outra actividade física como a bicicleta, natação, corridas de pequenas distâncias e em ritmo lento, etc.

O descanso activo, além de regenerar a musculatura, não deixa que o atleta pare totalmente, re-sintetizado o ácido láctico acumulado em meses de treino duro. O descanso activo é muito bom para a cabeça do atleta, é uma fonna de lazer além de mantê-lo em movimento para quando voltar ao trabalho, o regresso não seja doloroso, pois se o atleta parar totalmente, ou seja, passar o tempo de descanso totalmente sedentário, o regresso pode ser mais difícil. Vejam bem, todas as pessoas que ficam um tempo sem treinar, por motivo de doença, lesão, ete., quando voltam aos treinos é um sufoco dos diabos, além da preguiça, dói tudo. Por isso, o descanso activo é importante.

Já o corredor que se exercita só para manter a qualidade de vida, o descanso dáse durante a fase de treino, pois ele não corre diariamente e se o faz, não é de forma intensa.

RECUPERAÇÃO  TOTAL DO ORGANISMO Pelo Prol. Luís Tavares

Nesse periodo (férias), sou a favor das duas coisas (activo ou passivo), pois é um momento de descanso e recuperação total do organismo,a nova temporada que se inicia

Descanso activo é quando o atleta realiza uma pausa nos treinos de forma dinâmica, que podem ser durante os treinos como trabalhos intervalados ou no período de férias no início de um ciclo de periodização.
Durante os treinos, principalmente nos trabalhos intervalados, os intervalos após uma série forte, devemos recuperar o organismo com descanso recuperativo que podem ser classificados em activos (trotes) ou passivos (parado).

A finalidade do descanso activo, faz com que o atleta se mantenha em actividade durante o trabalho intervalado, sem baixar muito a frequência cardíaca e manter a musculatura aquecida e apta aos novos estímulos, evitando cãibras ou lesões mais sérias, as férias (transição) após uma periodização ou ciclo de treino, devemos dar férias ao corpo que podem variar de 15 dias a um mês, e essas férias podem ser descanso total (parado sem realizar nenhuma actividade física), ou activa com pequenos trotes sem compromisso ou praticar outro tipo de desporto que não seja a corrida como andar de bicicleta, nadar, patinar, etc.

Nesse período (transição), sou a favor das duas coisas (activo ou passivo), pois é um momento de descanso e recuperação total do organismo, a nova temporada que se inicia.

DESCANSO ACTIVO …DEPOIS DE PROVAS Por Onécimo Meio

No dia seguinte a uma prova e talvez o outro também, devemos fazer o descanso activo. Uma corrida abaixo do primeiro limiar aeróbio algo em torno de frequência cardíaca 120 a 140 batimentos por minuto

Descanso activo é uma corrida que não atinge o limiar aeróbio, ou seja, não causa modificações ou adaptações no organismo sob o ponto de vista de melhora de condicionamento. Mas de vital importância para os atletas de nível intermediário em diante. Pois o seu objectivo é aperfeiçoar e tentar acelerar o processo de recuperação.
Da seguinte forma, quando executamos treinos fortes como interyalados, de ritmo ou a própria competição em si. Ao requerermos uma alta capacidade dos nossos corpos, durante esse processo produzimos piruvato para utilização nas fibras rápidas, mas quando produzimos além do necessário. o excedente é transformado em lactato.
Esse lactato produzido causa, entre outras coisas, dor, acidez e causa uma limitação durante a contracção muscular. Se conseguirmos terminar a prova, então conseguimos administrar de maneira correcta, talvez não de maneira ideal. Então, completamos a competição e lá ficou uma certa quantidade de lactato e fibras musculares danificadas.

Também o nosso stock de glicogénio fica praticamente vazio. No dia seguinte e talvez o outro também, devemos fazer o descanso activo. Uma corrida abaixo do primeiro limiar aeróbio, algo em torno de frequência cardíaca 120 a 140 batimentos por minuto conforme a idade e o nível de condição. Essa corrida vai fazer com que a circulação aumente suavemente e mantenha níveis baixos, permitindo a utilização quase completa de gordura como combustível permitindo a reposição do glicogénio, pode levar até 96 horas para atingir os 100%.

O aumento da circulação permite a regeneração das fibras danificadas. E principalmente a retirada dos resíduos de lactato da corrida que ainda permaneceram no sangue. Utilizando como combustível pelo fígado e coração. Muito importante saber a intensidade e quantidade certa do descanso activo a ser feita, e deve fazer parte do volume de treino de todo o corredor. Pergunte ao seu treinador a sua intensidade correcta de descanso activo. Talvez alguns precisem de descanso total em vez de activo, dependendo da intensidade e nível de treino em que foi feita a competição.