I Trail de Almeirim / Por Ipa

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Mais um fim-de-semana, mais uma viagem, mais uma aventura, mais um convívio … mais um Trail. Não escrevo “mais um” num sentido vulgar/comum. Cada prova de trail, cada trilho, cada localização deste Portugal tem a sua beleza e a sua identidade. Neste I Trail de Almeirim, organizado pela A20KM de Almeirim, poderíamos dizer que a sua identidade foi a sopa da pedra. Mas não! Foi muito mais do que isso.

Uma prova composta por três distâncias (30k, 17k e 4k) e uma caminhada (8k), cujo percurso mais parecia um carrocel, com muitas subidas e descidas curtas e algumas bem inclinadas. Foi um percurso muito simpático por trilhos e alguns estradões que passavam por zonas de eucaliptais, sobreiros, pinheiros, pisos de terra e de areia. O percurso estava muito bem marcado (mas claro que há sempre quem vá mais distraído e siga o atleta da frente, que também vai distraído e no final, são dois, três ou quatro perdidos – faz parte), com bastantes fitas penduradas, ou mesmo a marcar na horizontal o caminho, tabuletas a indicar a distância percorrida, placas com mensagens motivadoras (e mentirosas lol) e muitos voluntários da Organização ao longo do percurso.

Não conheço um estudo científico que demonstre que os participantes das provas de trail sejam “mais vaidosos” do que os das provas de estrada mas sabe muito bem encontrar um elemento simpático da Organização a gritar umas palavras de incentivo e depois o “click” para eternizar aquele momento, para mais tarde recordar. A verdade é que eu tenho sempre um sorriso e uns “bons dias” como moeda de troca para essas pessoas que ficam horas a fio, quer esteja frio quer esteja calor, no mesmo local até ao último atleta passar e, é com ansiedade, que espero a publicação das fotos nos dias seguintes. Uma palavra de agradecimento para toda a equipa de impressa empenhada na cobertura fotográfica e filmagens.

O ponto da segurança em prova foi muito bem assegurado pela A20KM ao colocar ambulâncias em pontos de abastecimento, pessoal a assegurar uma passagem segura nas estradas de circulação automóvel e muito pessoal espalhado ao longo do percurso para assegurar que tudo corria bem.

Os abastecimentos? Uiiii … logo no primeiro, aos 3km, fez-me pensar: porque não fui à caminhada? Todos os abastecimentos tinham líquidos (água, isotónico e coca-cola) e sólidos (fruta, barras energéticas, amendoins, batatas fritas, etc) numa variedade incrível. Segui a dica de um amigo e, pela primeira vez, provei o tomate coberto com sal grosso – não é assim tão mau, a repetir!

É importante realçar os serviços prestados pela Offcrono, com a utilização de chips, para registo dos pontos de controlo, tempos e o talão final entregue aos participantes com essas indicações.

Depois de uns banhos quentes, nuns balneários com espaço e bastantes chuveiros, o maravilhoso almoço. Que repasto. Sopa da Pedra (extremamente bem guarnecida), bifana, docinho, sumos/água/vinho e batatas fritas à descrição.

Porque nem tudo é perfeito, o momento da entrega de prémios passou despercebido para a maioria dos participantes e até dos próprios medalhados. Os primeiros terminaram pelas 12h e a entrega de prémios estava marcada para as 15h. A ideia era boa: dar tempo para os banhos e almoço, no entanto, o almoço era a pagantes, ou seja, a maioria das pessoas já tinha abalado, ou estava nos banhos ou estava a almoçar. Foi uma entrega de prémios com pouco barulho, poucas palmas. No pódio geral masculino, em primeiro, Ricardo Moreira (UDR Zona Alta), seguido de João Ginja (Rail Runners) e, em terceiro, Nélio Almeida (ACS Mamede). No geral feminino, com representação forte da equipa Aminhacorrida.com/ Skechers, em primeiro Marisa Vieira (Sunset Runners), seguida de Carmén Henriques (Aminhacorrida.com/Skechers) e, em terceiro, Inês Marques (Aminhacorrida.com/Skechers).

Já lá vai o tempo em que os prémios eram as típicas taças e medalhas. É curioso ver a criatividade nos prémios finisher e o dos primeiros classificados. No lugar das taças entregaram uns pratinhos em madeira com a identificação da prova e classificação e, como prémio finisher, uma mini colher de pau (com pronúncio aos 14k quando o Senhor Monge erguia uma colher de pau gigante para “receber calorosamente” os atletas) bastante original e engraçado a encerrar uma prova que classifico como muito boa.

A taxa de inscrição no I Trail de Almeirim não era das mais baratas (e, aliás, esse ponto foi tema de conversa em vários treinos anteriores), no entanto, quem participou na prova percebeu que houve investimento da A20km na organização e preparação da prova. Não faltou nada: desde todo o pessoal empenhado, à segurança, aos abastecimentos, às massagens no final, à marcação e abertura de trilhos ao controlo de tempos e classificações. Estão todos de parabéns.

Um bem-haja e até para o ano!