Memória Muscular…

Aqueles que procuram obter uma boa forma física, através de uma vida saudável, com desporto e dieta equilibrada, é exigido muito esforço e disciplina. Muitos factores influenciam os resultados desse esforço, entre eles, a herança genética, a continuidade na prática desportiva, entre outros. Recentemente foi estudado um novo factor: a Memória Muscular. A Memória Muscular aplica-se aos indivíduos que num passado, recente ou não, se dedicaram à prática de exercício físico.

A memória muscular é uma característica presente nas células musculares: miócitos. Quando o indivíduo pratica uma actividade física, as células musculares tornam-se hipertrofiadas, ou seja, aumentam de tamanho. Os miócitos estimulam a produção de proteína e, por tal motivo, os tecidos musculares trabalhados tornam-se mais volumosos. Sempre que se interrompe esse trabalho físico, a actividade dos miócitos é reduzida. Reduz-se também, por consequência, a massa muscular do indivíduo.

Porém, a diminuição da massa muscular não significa que todo o trabalho realizado durante os períodos de esforço físico foi perdido. Os núcleos das fibras musculares encontram-se estagnados, porém não inactivos. Verifica-se então que os núcleos dos miócitos aguardam um retorno da rotina física. Quando isso acontece, já existe neles uma informação anterior devido à rotina física pré-existente. Assim, as células musculares encontram uma maior facilidade de retorno à actividade muscular intensa, pelo que os resultados são mais visíveis e também mais rápidos. A essa capacidade, dá-se o nome Memória Muscular.

Cientistas da Universidade de Oslo, na Noruega, descobriram que a quantidade de núcleos permanece praticamente inalterada após um longo período de desuso. A massa muscular é reduzida por alterações no volume do miócito, não por apoptose (morte celular). Afirmam ainda que os indivíduos praticantes de actividade física na juventude possuem maior memória muscular do que aqueles que iniciam uma prática desportiva apenas na fase adulta. Tal acontecimento deve-se ao facto de ser a juventude a fase de maior desenvolvimento muscular do indivíduo.

Obviamente não é aconselhável parar totalmente e de forma brusca a actividade física, pois essa atitude trará mais prejuízos do que benefícios, além de não ser recomendável retomá a actividade física rapidamente e sem orientação – é necessário uma readaptação neuromuscular (preparação da musculatura para o esforço físico), com um aumento da carga gradativo, para que não haja risco de lesão.

Fontes:Douglas Jivago%Luciano Buratto