Ultra Trilhos da Rocha da Pena – Ultimate por Ana Amaro

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 A Serra do Caldeirão, no Algarve, recebeu aquele que é considerado o Trail mais quente do ano. É realizado numa das regiões mais a sul de Portugal, com um solo seco, vegetação rasteira, pedras soltas, muitos espinhos, poucas (ou nenhumas) sombras e subidas íngremes onde o segredo é nunca parar e descidas onde o segredo é nunca travar ( segundo palavras da organização)!

Os Ultra Trilhos da Rocha da Pena, decorreram este domingo, dia 12 de agosto em Salir, Loulé. Prova organizada pela ATR-Associação Algarve Trail Running com a colaboração da ACS -Associação Cultural de Salir e a Secção de Moto-turismo da ACS com o apoio da Junta de Freguesia de Salir, União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim e Câmara Municipal de Loulé.

Este evento oferecia aos atletas três percursos distintos: TCRP 16Km, TLRP 25Km e UTRP 50Km.

Quando decidi participar nesta prova ( 50 km), já tinha a noção que do calor não me iria safar, mas nunca pensei encontrar um terreno tão técnico e com tanta altimetria! Até ao dia 12 de agosto para mim, o Algarve era praia… Como me enganei… O que encontrei não foi nada do que imaginei! Fui, durante grande parte do percurso, a rezar para que aparecesse um terreno plano onde pudesse correr durante algum tempo seguido, mas não, foi um sobe e desce constante! Apenas no início e na parte final da prova deu para fazer uns quilómetros a correr! Para ajudar à festa, na parte final, entrámos no leito do ribeiro onde a água era uma miragem, e onde os imensos seixos nos queimavam os pés!!!

Os atletas depararam-se com uma prova muito dura onde, tal como a organização tinha avisado, só os mais bem preparados resistiriam e chegariam ao fim.

Foi uma prova feita em semi- autonomia entre os postos de abastecimentos que estavam nos locais indicados e onde os bravíssimos voluntários fizeram de tudo para minimizar as dificuldades dos atletas! Foram incansáveis, procurando refrescar-nos do imenso calor que se fazia sentir e dando-nos alento para continuarmos. Saía sempre dos abastecimentos fresquinha e cheia de energia para me fazer ao difícil e penoso caminho. Em cada abastecimento tivemos sempre à nossa disposição a bela e fresca melancia, melão, frutos secos, sal, tomate, bolos, muita água e isotónicos… tudo o que necessitávamos para continuar a longa jornada! No 5º abastecimento ainda tínhamos frango assado.

Antes de chegarmos a um dos troços mais difíceis da prova, tivemos o alerta de dois membros da organização para as dificuldades que iriamos ter de ultrapassar e caso necessitássemos de ajuda bastava um telefonema que iriam buscar-nos! Mas nós estávamos ali para acabar e lá fomos progredindo no terreno, tentando refrescar-nos como podíamos e descansando nas escassas sombras que apareciam.

Das imensas subidas que nos ofereceram tenho a destacar, a Subida da Morte, não pela sua dificuldade, mas pela simpática senhora que estava no topo da mesma a borrifar-nos com água e rouca de tanto gritar a incentivar os atletas, assim como a Subida dos 40, quando a vi, mesmo com aquele calor todo, até senti um frio na barriga e pensei: “ Vou voltar para trás!!!!” Com 40 km nas pernas e um sol abrasador ainda me obrigaram a fazer escalada!

Ao chegar à meta, tivemos uma excelente receção, seguido de um banho, uma belíssima feijoada e depois a piscina para relaxar!

É daquelas provas que sofremos tanto, que quando acabamos dizemos: “ nunca mais me apanham cá” mas como a memória dos atletas, parece que apaga as dificuldades passadas ao fim de algum tempo, provavelmente voltarei, nem que seja pela excelente organização e pelas pessoas!  Sem dúvida, uma prova feita por atletas para atletas!