A ajuda da corrida no combate à osteoporose

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A reforma do ginásio de musculação da empresa em que Toyoko Higa trabalhava há cinco anos, foi o início para melhor, na saúde da agora aposentada, de 56 anos. Por meio da corrida, ela conseguiu livrar-se das dores, dos incómodos da osteoporose e ainda evitou problemas como as diabetes. Sem querer ficar parado durante as obras no local, o grupo que ocupava o ginásio resolveu fazer as actividades ao ar livre. Mas durante o Inverno, praticar só ginástica localizada não era suficiente para manter o corpo aquecido.

O instrutor sugeriu uma caminhada que logo evoluiu para o trote. “Eu ia bem devagar, depois comecei a aumentar a quantidade de vezes por semana”, lembra. Daí à participação em competições foi mais um passo e actualmente, Toyoko treina quatro ou cinco vezes por semana.

Sem saber,Toyoko estava estimulando uma espécie de antídoto para a osteoporose, doença que aumenta a fragilidade nos ossose a susceptibilidade a fracturas. Bastante comum entre as mulheres na menopausa, a osteoporose atinge menos quem se exercita mais. Eas actividades de impacto, especialmente a corrida, são as maiores aliadas porque fortalecem os ossos. “Quem pratica a corrida de uma maneira disciplinada e regular tem massa óssea mais alta, o que é um factor de protecção maior contra a osteoporose”, afirma a reumatologista Fernanda Lima.

Ela explica como é o processo: «A célula existente no tecido ósseo funciona como um sensor mecânico que ao sofrer um impacto, manda um comando para produzir osso. Num exemplo contrário facilmente visualizado, está o indivíduo que sofreu uma fractura e precisou de usar gesso por algum tempo. Quando ele é retirado, a massaóssea é menor porque a produção diminuiu. Não houve estímulo”

Correr para não perder massa óssea

É possível aumentar a massa óssea com a corrida mas o principal benefício é evitar a perda que ocorre naturalmente com o sedentarismo. Assim, quando mais cedo se começar a praticar a actividade física melhor, pois é na adolescência que se dá a formação da massa óssea «Nós renovamos a massa óssea todo o ano mas não totalmente; 80% é adquirida até os 18 anos de idade. Então, se você tem uma avó com osteoporose, vá treinar», recomenda a reumatologista. Com isso, pelo menos garante-se a manutenção do “banco ósseo”, que poderá perder 5 a 10% do total em cada ano, depois da menopausa. Manter a massa óssea garante ganho de equilíbrio e agilidade. Quem tem osteoporose pode sofrer fracturas em qualquer queda, mesmo as aparentemente leves. Com a actividade física regular, as mulheres diminuem o risco de quedas, ao mesmo tempo que aumentam a capacidade de permanecerem activas. Na corrida, a exposição ao sol é um complemento importante pois ajuda a activar a vitamina D que fica na pele. Com a ingestão dos derivados do leite, o pacote contra a osteoporose está completo.

A indicação do desporto não é, contudo, indiscriminada. «A corrida é muito positiva na prevenção», alerta Fernanda Lima. Quando a mulher já sofre de osteoporose, o impacto pode predispor uma fractura. «Se não houver nenhuma contra indicação, como alterações da articulação que exigem actividades sem impacto, primeiro é preciso fazer um trabalho de musculação para fortalecimento, depois começar a caminhar para então trotar com cuidado», avisa a especialista. Foi o caminho percorrido por Toyoko, que acredita ter encontrado na corrida um remédio para o problema. «A progressão da melhoria foi impressionante. Os meus exames estão óptimos», comemora.

Mas a médica não acredita que a corrida dispense o tratamento da osteoporose. «Dificilmente se vai melhorar sem medicação. Pode no máximo, atenuar e manter-se nos mesmos patamares. Só acredito numa melhoria se a pessoatinha um casode osteopenia ou predisposição, que é um quadro mais leve», avalia. Com participações em provas desde 10 km até maratonas, passando pela São Silvestre, Toyoko diz-se renovada. «Quando comecei, queria melhorar a minha saúde no geral. Toda a minha família tinha tido problemas de diabetes e eu não tenho nada. Tinha sim, muitas dores, mas agora só tenho as musculares, causadas pelo esforço e essas,são bem recompensadas».

(artigo publicado na revista Contra Relógio de Março 2005)