A base do corpo

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No yoga moderno e na prática de exercício físico actuais, a palavra ‘core’ é usada incessantemente. Mas o que é que essa palavrinha quer realmente dizer? Mais: o que é que os nossos alunos ou atletas compreendem quando ouvem essa palavra? Todos os professores de yoga e todos os treinadores querem que os praticantes aprendam a usar os seus corpos de forma eficaz e hábil.

Por outro lado, a palavra ‘core’ evoca uma mistura de sentimentos para a maioria das pessoas.  Nos últimos anos, dei-me conta que muitas pessoas pensam que o seu core é um falhanço em alguma maneira: ou é muito fraco ou muito forte. E isso implica uma forte carga emocional associada ao tal do ‘core’. Uma vez que o ‘core’ está tão fortemente associado à auto-imagem que cada um e cada uma têm de si, torna-se ainda mais importante compreender como funciona. Tenho a pequena esperança de que ao começarmos a compreender a complexidade do core, possamos apreciar tudo o que ele faz por nós em vez de simplesmente nos focarmos nas suas hipotéticas falhas.

Este será um de dois artigos. Por agora, vamos focar as componentes primárias do core e no artigo seguinte publicaremos uma sequência de posturas de yoga para fortalecimento do core.

Existem 4 componentes no core, o qual é uma combinação dos seguintes grupos musculares:

  1. Músculos do assoalho pélvico: são a base do core. Alinham a base da pélvis e suportam os órgãos abdominais. Quando activamos estes músculos no yoga, subimos ligeiramente o nosso centro e alongamos a coluna.
  2. Os músculos abdominais: são a parede que embrulha o core. Contém os órgãos abdominais, suportam a coluna e dão mobilidade ao torso. No yoga, os abdominais apoiam a lombar e dão integridade ao movimento entre a coluna, a pélvis e as costelas.
  3. Os ilipsoas: na figura abaixo vêem-se os ilíopsoas. São o core do core. Na prática de yoga, os iliopsoas trabalham com os flexores da anca e suportam as posturas de pé, incrementam as flexões à frente e suportam os abdominais em posturas como o navasana ou os equilíbrios de braços (ver fotografias).
    (Navasana- postura do barco)

    (Bakasana – postura do corvo)
  4. O diafragma: está localizado no topo do core e é o músculo dominante na respiração. E a respiração é o core quer da prática de yoga quer da corrida. Nesta imagem, percebe-se muito bem a relação entre os abdominais, o assoalho pélvico e os ilíopsoas. Na secção transversal dos abdominais (que consiste no transveros, nos oblíquos, nos abdominais rectos e no quadrado lombar), pode ver-se como este grupo muscular circunda o abdómen. Podemos, pois, ver os compornentes primários do core.
Esta segunda imagem mostra uma visão de cima do core, onde se destaca a sua natureza circunferencial.

A imagem abaixo é a minha ilustração favorita do diafragma e dos iliopsoas. Nesta perspectiva, pode ver-se que o diafragma é como um telhado coberto no topo do core, enquanto os iliopsoas formam o centro muscular do core.

Por fim, faça uma respiração longa e profunda e lembre-se que o core não é apenas um punhado de músculos. Para além do papel que desempenham no yoga, os músculos do core oferecem uma casa dinâmica, respirada e viva aos órgãos digestivos e reprodutores. Numa cultura obcecada pelo six-pack, as inseguranças sobre o core acabam por ser normais. Mas se nos alhearmos dessa imposição estética, podemos apreciar a incrível complexidade dessa zona do nosso corpo, como ela é literalmente o apoio da nossa vida. E podemos ser gratos pela máquina que habitamos.

Boas corridas, boas práticas!

Filipa M. Ribeiro

Socióloga, jornalista e professora de yoga em Yoga Shala Matosinhos.

Contacto: yogashalamatosinhos@gmail.com.

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