A corrida e os pés…

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 Olhe para os seus pés, com muita atenção. Tire os sapatos e os meios e observe essas “coisas” nodosas e inestéticos situados no fim das pernas. Os pés são a estrutura ósseo mais complexo de todo o corpo, compreendendo vinte e seis ossos diferentes, inúmeras emulações, ligamentos, músculos, nervos e tecidos moles para suavizar o contacto com o solo (os almofadas do planto do pé). A abóbada plantar, uma maravilha de arquitetura funciona suporto o peso do corpo e permite o impulso e a absorção dos choques.

 E, apesar disto, poucas são as pessoas que pensam nos seus pés… Exceto quando estes lhe causam muito sofrimento. São, com efeito, muito frágeis e a mais pequena bolha pode entravar consideravelmente  a  utilização das pernas. Se um dia os seus pés lhe causam alguns aborrecimentos, imagine os atletas de alta competição, os praticantes da maratona, os profissionais, que, dia após dia, projetam os seus pés no solo. Estas extremidades, frequentemente negligenciadas, são uma das suas constantes preocupações.

Dores profundas dos pés

São dores provocadas por problemas dos ossos, de articulações, dos tendões situados no interior do pé. Não é visível qualquer lesão cutânea. Podem estar implicadas em diferentes partes do pé. Por exemplo, as dores de calcanhar são frequentes nos praticantes de marcha, nos corredores de fundo, mas podem ocorrer, ocasionalmente, em praticantes de diversos desportos, quando há uma recepção deficiente. A dor é violenta (sensação de um prego a penetrar no calcanhar) cada vez que se apoia o pé no chão. O tratamento, associado a medicamentos anti-inflamatórios (sob indicação médica), consiste em evitar o apoio do pé no solo. Se a dor persistir o médico poderá prescrever uma radiografia, procurando um pequeno espigão ósseo que por vezes se desenvolve sob o osso do calcanhar (calcâneo). Mas, muitas vezes trata-se de lesões que não são visíveis através da radiografia. Para prevenir use solas duras, moldando bem o calcanhar.

Dores no peito do pé

O peito do pé é a zona que serve para a propulsão e para a recepção em numerosas atividades desportivas (saltos, desportos de bola, etc.). Trata-se de uma dor que se difunde progressivamente na parte anterior do pé sem ter uma localização precisa; é provocada pelo sofrimento de pequenas articulações. Esta dor pode aparecer quando se muda de sapatos. Por exemplo, no treino regular com sapatilhas lisa sou sapatos de bicos. É preferível utilizar sempre o mesmo tipo de sapatos. As mudanças de super fiéis (de terra batida para solos duros no tenista, por exemplo) também podem estar na sua origem. O banho dos pés depois do esforço tomando sucessivamente um banho quente e depois frio pode acalmar estas dores que não são graves. As fraturas dos ossos metatársicos, também chamadas fraturas do cansaço, são muitas vezes favorecidas em pés cuja abóbada é demasiado pronunciada.

As tendinites: existem variadíssimos tendões nos pés que podem sofrer inflamações. Nomeadamente, o tendão de Aquiles e os tendões e tecidos fibrosos da planta do pé. Determinados desportos exigem muito dos pés. O exemplo é o futebol…

As afecções superficiais do pé

As bolhas situam-se frequentemente nos dedos dos pés ou no calcanhar. As da planta do pé são particularmente incomodativas e o seu tratamento deve ser muito cuidadoso pois podem complicar-se, transformando-se num hematoma subcutâneo ou infetar com facilidade. Nestes casos, não há outra coisa a fazer se não chamar um médico. O tratamento deve ser, por consequência, preventivo. As bolhas nos pés são consequência da repetida fricção dos sapatos e da pele. É necessário proteger as zonas ameaçadas com fita adesiva. Este adesivo deve ser aplicado diretamente sobre a pele, sem interpor gaze (evite os pensos já prontos). Os praticantes de maratona envolvem sempre em adesivo os dedos dos pés. Alguns untam as zonas ameaça das com vaselina. As calosidades surgem principalmente nos pontos de apoio do peito do pé e do calcanhar. Estas formações cutâneas tornam-se muito duras e podem magoar, penetrando na carne. Depois de as amolecer em água, é necessário raspá-las suavemente com pedra-pomes. É necessário, sobretudo, suprimir as suas causas: calçado mal adaptado, pés com uma curvatura demasiado pronunciada, exigindo palmilhas ortopédicas. Os hematomas sob as unhas dos dedos surgem no dedo grande do pé, após choques repetidos causados, geralmente, por sapatos demasiados pequenos. Surge uma dor sob a unha, que fica encurvada e de uma cor azulada.

Por isso, siga algumas destas indicações:

Aplique um pacho de álcool durante a noite.

É possível que a unha se descole posteriormente, mas não se deve arranca-la antes que ela caia pois a nova unha que a vai substituir-não estará ainda suficientemente resistente.

Se a dor for muito intensa, consulte um médico ou um podólogo que extrairá o hematoma. As unhas encravadas: a unha penetra na carne, o que pode ser muito doloroso

Para as evitar

Cortar as unhas dos pés a direito. Se as cortar com uma forma arredondada, formam-se pequenos espigões que podem penetrar na pele.

Se as unhas estão em mau estado, encurvadas ou espessas, a pressão exercida pelos sapatos favorece a penetração da unha; é necessário limá-las, o que permite repartir melhor. As pressões. Para isso, deverá recorrer a um podólogo. As micoses (também designadas por pé de atleta): geralmente um cogumelo parasita entra em contacto com os dedos dos pés e, mais precisamente, estende-se entre estes e a planta do pé. Provoca comichão e secura da pele que cai naquela zona. Mas, muito frequentemente, nesta pele doente, desenvolvem-se bactérias: a zona atingida torna-se dolorosa, ressuma e cheira mal. Estas micoses dos pés contraem-se facilmente em volta de uma piscina ou nos balneários; desenvolvem-se preferencialmente entre os dedos dos pés que estão mais juntos (o 4° e o 5°), ou na planta do pé, e tanto mais facilmente quanto o pé transpirar com o calor, num sapato excessivamente apertado. Curam-se facilmente aplicando primeiro uma solução desinfetante para eliminar as bactérias, e depois uma solução ou uma pomada antifúngica (especialmente dirigida contra os cogumelos), habitualmente à venda nas farmácias. Para evitar esta infeção ande descalço sempre que possa para secar os pés; em caso de necessidade use um pó de higiene especial e não calce meias molhadas que já tenham sido usadas.

Como evitar as lesões dos pés?

Conhecendo os perigos específicos do desporto que prática e aplicando uma boa técnica, conhecendo os seus Pés, a sua sensibilidade particular a bolha em tal zona, a sua sensibilidade a determinados tipos de solo. No caso de dores profundas, repetidas, é necessário ver se não estará em causa a forma da sua abóbada plantar. Observe a marca impressa pelo seu pé molhado numa superfície ladrilhada escura. Em caso de dúvida, consulte um podólogo que poderá receitar palmilhas ortopédicas ou simplesmente pequenos reforços de espuma ou de plásticos colocados no interior dos sapatos. Não esquecer que um problema nos pés se pode repercutir nos joelhos, nas ancas e na coluna ‘vertebral. Se os desportistas profissionais são especialmente atingidos pelos problemas nos pés, os desportistas amadores ou ocasionais também são atreitos a isso. A combinação do desporto e da atividade profissional pode dar origem a uma utilização excessiva dos pés. Assim, as pessoas cuja profissão impõe o estar de pé ou o andar durante todo o dia, arriscam-se a ter problemas. Por consequência, atenção também ao tipo de calçado que usa durante o dia.

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  • Evite calçar meias molhadas ou já utilizadas
  • Deixe de lado os sapatos usados
  • Previna-se contra as bolhas
  • Faça uma higiene meticulosa dos seus pés
  • Lave os pés com água quente e depois fria,o que estimula a circulação
  • Escolha bem os seus sapatos 

Os problemas dos sapatos

Os sapatos constituem o intermediário entre os pés e o solo e são necessários na maior parte dos desportos. O seu objetivo é, portanto, proteger e não lesionar. Não devemos aceitar os sapatos que magoam como uma fatalidade, o atual desenvolvimento do desporto provocou uma considerável melhoria da quantidade e da diversidade do calçado do desporto lançado no mercado. Para se ter uma ideia, o número sempre crescente de pessoas que praticam a corrida nos Estados Unidos – de 15 a 25 milhões desenvolveu uma indústria fantástica de calçado do desporto. Nos arredores dos parques, em Nova porque, encontram-se agora lojas ultra especializadas somente em calçado de corrida, onde os desportistas competentes aconselham as pessoas na compra dos sapatos, em função da forma dos pés, da qualidade do terreno, do seu nível desportivo e os seus problemas habituais. Mas atenção, o desporto deu origem a uma moda de vestuário (o sportwear) e, consequentemente, a uma moda do calçado desportivo (tipo basquetebol ou ténis). Mas alguns destes sapatos não correspondem absolutamente em nada, as exigências desportivas.

As meias: um par, mais ou não usar?

A meia ideal deve estar perfeitamente moldada ao pé. A meia é um intermediário evitando que a pele seja comprimida por zonas e para absorver a transpiração. Mas, geralmente, é insuficiente para evitar as fricções e as bolhas. O aperfeiçoamento atual do interior dos sapatos(muitas vezes de espuma) diminui a importância das meias; estas devem ser finas, de preferência de algodão. Evite as meias de lã. Mas não hesite em usar dois pares quando calçar sapatos novos. Atualmente, certos sapatos nomeadamente de corrida, são tão leves,tão macios e adaptam-se tão bem ao pé que muitas pessoas correm sem meias, o que é, no entanto, desaconselhável para qualquer outro desporto que não a corrida.

As doenças da pele

A pele é o invólucro externo do corpo e, por consequência, corre grande risco de contusões, feridas, queimaduras ou infecções. Toda ela é muito resistente. As suas células reproduzem-se constantemente,

com as células novas a tomarem o lugar das células envelhecidas. Este crescimento da pele é ainda mais rápido nos bordos de uma ferida. Em certas zonas do corpo é mais espessa(planta do pé, palma das mãos) para ser ainda mais sólida.

As bolhas

São causadas por uma acumulação do líquido num desdobramento da pele situado numa zona de fricção repetida. Os pés estão muito sujeitos às bolhas (sapatos mal adaptados) e as mãos também (vela, windsurf, etc.)

O tratamento ideal de uma bolha, para evitar qualquer risco de infecção, consiste em excisa-la, isto é, recortar toda a pele descolada, de forma circular, com uma tesoura esterilizada, e depois desinfetar toda a zona e protege-Ia com um penso durante alguns dias, os necessários para que a nova camada de pele setorne resistente. Isto deve ser feito tanto no caso de a bolha estar intacta, como no caso de ainda conter líquido, ou quando rebentou espontaneamente. Se o líquido que escorrer não for completamente límpido, mas antes ligeiramente turvo, ou até mesmo amarelo, é porque a bolha está em vias de infectar: a desinfecção deve ser particularmente cuidadosa e insistente. A zona em que a pele foi cortada é  frágil e dolorosa durante dois ou três dias, o que pode ser muito prejudicial, se, por exemplo, tivermos de voltar a calçar os sapatos no mesmo dia.

Quais os truques a utilizar?

– A bolha corta-se como indicámos atrás. É preciso “curti-Ia” com mercurocromo, que seca e endurece a frágil pele que foi posta a nu. O mercurocromo pode ser utilizado cinco ou seis vezes, de hora a hora, ou de duas em duas horas. Depois, no momento antes de começar a actividade desportiva, pode colocar-se um adesivo sobre a zona recortada, tendo cuidado para que este adira perfeitamente. Alguns dias depois a nova pele está sólida e pode retirar-se o adesivo facilmente. – Alguns “habitues” das bolhas não cortam a pele descolada. Contentam-se em furar a bolha com uma agulha esterilizada e desinfecção cuidadosa. Isto permite adiar o tratamento completo, com a pele descolada a proteger a pele frágil. Mas a pele solta é uma pele morta que, de qualquer forma será eliminada, e é preferível tira-la completamente.

Não se deve nunca conservar, nem mesmo temporariamente, a pele descolada se o líquido da bolha for turvo ou purulento, porque, lembramos, a bolha nesse caso está infectada. Só a ablação completa da zona descolada permite uma desinfecção correcta. Nunca se deve desprezar uma bolha: ao infectar, pode constituir um verdadeiro abcesso sob a pele. O perigo é maior nas bolhas da planta do pé, que muitas vezes dão origem a hematomas.

Aprenda a evitar as bolhas

Para isso é necessário

– Conhecer os seus pontos fracos e protegê-los por meio de um adesivo colado à pele: atenção, não use

. pensos que contêm uma camada de gaze, pois esta acentuaria as fricções e aumentaria os riscos!

– Possuir material o mais adaptado possível.

– Utiliza-lo correctamente.

• Texto R. Atletismo