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Num artigo anterior já lhe tínhamos deixado algumas dicas e conselhos sobre os comportamentos a ter em conta para correr uma maratona. E se grande parte das recomendações estavam relacionadas com hábitos vinculados com a rotina de treino, o sono e a alimentação, também mencionámos um aspeto psicológico de extrema importância, que é determinante para a performance de qualquer desportista e que será o tema central deste artigo: a concentração do atleta, antes, durante e depois de uma prova importante.

Em primeiro lugar, centremo-nos no significado da palavra “concentração”. De acordo com o dicionário da língua portuguesa, trata-se da “capacidade de dirigir a atenção e o pensamento para uma ideia, assunto ou tarefa em particular”. E isto tanto pode ser uma maratona, como uma simples atividade do dia a dia, como lavar a loiça, pôr a mesa ou ler um livro. 

E há diferentes tipos de concentração? De acordo com alguns autores especializados em Psicologia do Desporto, esta capacidade de atenção pode ser dividida em duas categorias, tendo em conta a direção (interna ou externa) dos pensamentos do atleta. “A focalização da atenção externa é direta a um objeto, como a bola, enquanto que a interna é direcionada para emoções. Desta forma, a concentração depende das distrações internas e externas do atleta. As internas incluem eventos passados, eventos futuros, fadiga e análise do mecanismo do corpo. As distrações externas, incluem fatores visuais” (Weinberg & Gould, 1999).

Mas, como se pode trabalhar a capacidade de concentração no dia a dia? Será necessário contar com a ajuda de um profissional, seja um psicólogo ou treinador, ou é possível melhorar a concentração em casa, com simples tarefas rotineiras? Que tipo de atividades, vinculadas ou não com a prática do desporto podem ajudar a melhorar esta habilidade? Neste artigo damos-lhe alguns exemplos: 

 

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Ler um livro ou ver um filme

A leitura é uma atividade muito recomendável, porque implica a concentração numa única tarefa ao longo de vários minutos, ou mesmo horas, e pela sua capacidade de abstrair o leitor da realidade e dos problemas do dia a dia. Enquanto se lê um livro (e isto dependerá da qualidade do livro e do tema – não é o mesmo ler um romance ou um livro técnico), não se pensa em mais nada. Entra-se na história e os sentidos estão centrados numa única ação.


Se não está habituado a ler obras complexas e durante muito tempo, pode ir trabalhando esta capacidade ao longo do tempo. Comece por ler livros curtos e simples, e já verá que em pouco tempo acabará por ler obras muito mais extensas e de maior dificuldade. E, claro, se quiser trabalhar ainda mais a concentração, leia livros em diferentes línguas. Desta forma, para além de estar atento à narração e à história, também terá que fazer um importante esforço para traduzir o texto e irá trabalhando o cérebro e a sua capacidade de memória e aprendizagem.


E o mesmo se aplica a um bom filme. Além de ser uma boa forma de relaxar e evitar a dispersão de pensamentos, também o obriga a centrar o corpo e a mente numa única tarefa ao longo de uma hora e meia, aproximadamente. E, claro, se puder ver o filme em idioma original, com ou sem legendas, tanto melhor.

Jogos mentais e de estratégia 

Durante os seus momentos de lazer aproveite para realizar exercícios mentais complexos e dedique-se a alguns jogos de estratégia. São uma forma lúdica de aprender e permitem-lhe trabalhar aspetos mentais como a capacidade de raciocínio e, uma vez mais, de concentração. O sudoku ou o xadrez são bons exemplos. E o póquer é outro dos jogos mentais que é praticado na atualidade por muitos desportistas, devido ao cálculo matemático que exige e à grande capacidade de concentração e de memória que implica, às vezes durante horas seguidas, para acompanhar atentamente as jogadas dos oponentes e prever os seguintes movimentos. É por isso uma atividade recomendável para atletas, em qualquer variante.

Aprender a meditar 

Já o dizíamos antes. Para poder concentrar-se deve focar a sua mente numa única tarefa. E a melhor forma de o fazer (e talvez uma das mais difíceis) é aprender a meditar. Não precisa de o fazer durante muito tempo. Dez minutos por dia já podem ser suficientes. Sente-se num lugar confortável e tranquilo, e dirija toda a atenção e os sentidos simplesmente a esse momento. Para começar, poderá estar com os olhos abertos e focar a atenção num objeto, como uma vela ou uma imagem fixa. E com o tempo, poderá ir dirigindo a visão ao seu interior, e usar técnicas de respiração e contagem para isolar-se do mundo exterior. Os benefícios são evidentes e não tardam muito em fazer-se notar.

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Caminhadas, ioga e escalada

Se prefere um tipo de meditação mais ativa, faça-o em movimento, seja durante uma caminhada na natureza, numa aula de ioga ou enquanto pratica escalada. Neste último caso, como numa maratona, provavelmente vai sentir dores musculares e o corpo vai pedir-lhe para parar em vários momentos. Mas o truque está em tentar controlar esses pensamentos (sejam de ordem física ou mental) e centrar-se simplesmente no momento, nas sensações do corpo e na tarefa que está a executar. E não olhe para cima, não se preocupe com o que falta para chegar. Pense simplesmente no próximo movimento. E já verá que o caminho se fará menos doloroso.