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Neste artigo, salienta-se a importância do excesso de peso no rendimento desportivo do atleta e a forma prática de medição da gordura corporal pela avaliação da espessura das pregas cutâneas. Assim, o excesso de gordura no organismo origina problemas, nomeadamente:

– Disfunção no sistema termo-regulador, ou seja, na eliminação do calor do organismo;

– Dificulta a eliminação do calor; dada a existência de uma camada de gordura sub-cutânea razoável; – Perturba a mobilização dos membros;

– Provoca um aumento das necessidades energéticas para percorrer cada quilómetro (este é o factor mais importante).

Quando se tentam muito prolongados, há um grande aumento da temperatura do organismo, que deverá ser eliminada, ou caso contrário provocará disfunções. A existência de uma camada de gordura sub-cutânea corresponde, em sentido figurado, a um indivíduo que tenha um sobretudo vestido, o que dificulta a eliminação do calor.

Os problemas acima indicados são válidos para todas as modalidades, quer para a corrida, marcha, esqui ou ciclismo. De qualquer forma, as modalidades sobre os quais tem um efeito mais negativo são a corrida e a marcha, porque, por exemplo, no ciclismo, este factor não é tão importante uma vez que o custo energético por quilómetro cresce sobretudo proporcionalmente à área de resistência provocada pela superfície do corpo O aumento de um quilo de peso num ciclista não é um factor muito negativo porque um quilo não aumenta substancialmente a superfície corporal e a resistência ao avanço do ciclista e assim, não aumenta muito o custo energético por quilómetro.

Isto também é aplicado ao esqui de fundo, onde ao contrário da marcha ou da corrida, o aspecto da superfície frontal do atleta ou a resistência não são muito penalizados com o aumento de peso na ordem de um quilo.

Na corrida, há uma proporcional idade directa entre o peso do atleta e o dispêndio energético por quilómetro. 

O dispêndio energético para uma corrida é na ordem de 0,9 kcal por kg de peso e por km. Cada kg de peso supérfluo, corresponde de uma forma directa e proporcional ao custo energético.

Estes dados foram já confirmados na prática, tendo sido feita a avaliação em atletas de diferentes níveis, onde se verificou a proporcionalidade directa entre o seu peso e o custo energético para percorrer um quilómetro. Se o aumento de peso ocorrer distribuído de uma forma homogé-nea em todo o corpo, provoca um aumento proporcional no que respeita ao consumo calórico. Se, no entanto, o peso aumentar de forma não homogénea, por exemplo nos pés, esse aumento já não será proporcional e será muito mais penalizado, na ordem de sete vezes maior o consumo energético; quatro vezes maior se for nas mãos e duas vezes maior se for na cabeça.

Estes dados permitem concluir que se um maratonista tiver um quilo de gordura supérflua no corpo, irá provocar uma prestação inferior na ordem de três minutos, e sabe-se o que significa numa prova como a maratona, melhorar a prestação pessoal em três minutos. Hoje em dia, considera-se extremamente importante fazer o seguimento do maratonista tanto do ponto de vista do treino como do controle da sua gordura Há métodos muito simples para fazer a avaliação da gordura corporal do atleta, que podem ser postos em prática no dia a dia. São métodos baseados na avaliação da espessura das pregas cutâneas. Estima-se que os maratonistas masculinos devem ter menos de 6% de gordura, enquanto as mulheres, menos de 11,5%. Poderá é claro, existir uma diminuição da gordura corporal, que terá de acontecer sem influenciar o rendimento do atleta. A grande quantidade de quilómetros percorridos por alguns maratonistas destina-se justamente a eliminar a quantidade de gordura no organismo. Um caso: o campeão olímpico e europeu da maratona, o italiano Gelindo Bordin, fazia por semana entre 300 a 340 quilómetros de treino.

Este atleta dizia que se diminuísse o número de quilómetros por treino, perdia a eficiência. Pensa-se que o atleta tinha tendência para acumular gordura e então, os vários quilómetros que fazia, mantinham-no magro. Acontece no entanto, que aumentando o número de quilómetros, aumentava a possibilidade de surgir uma lesão Assim, é importante que os maratonistas aprendam e saibam seguir normas dietéticas e não se entreguem só ao seu instinto de treino excessivo.

(*) Extracto de um antigo publicado Equipa Enervit em 1989