A musica é o desporto

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Ouvir música afeta o desempenho de atletas? Uma cena muito comum no mundo da corrida é ver seus praticantes usando fones de ouvido durante a atividade.

Tal prática, conforme já falamos aqui, tem suas vantagens e desvantagens. No caso específico de uma corrida, os aspectos positivos vão desde a redução de uma certa percepção de intensidade do exercício, passando pela força motivacional, melhoras de funções cerebrais como entusiasmo e felicidade, até o aumento da produção hormonal.

Por outro lado, ouvir música durante a corrida pode apresentar alguns aspectos negativos como se distanciar de eventuais problemas (respiração, impacto, um carro que se aproxima), afetar a concentração do atletas e inclusive tornar o corredor dependente da música.

Saindo um pouco do mundo da corrida e indo para o mundo dos desportos uma forma mais ampla, a questão permanece: a música pode melhorar o desempenho de um atleta? Diversos estudos já comprovam a influência da música na atividade física e o assunto conta com uma vasta bibliografia especializada.

Pode, por exemplo, atuar tanto como um estimulante ou como um sedativo. Pode também melhorar o humor, o controle muscular e ajudar o cérebro a construir uma importante memória muscular.

Quando o cérebro está ouvir música, ele se “ilumina”, ou seja, a música desperta suas atividades sinápticas. Funciona, portanto, como um estímulo ideal, uma vez que atinge partes do cérebro que não podem ser facilmente alcançadas.

A música ativa várias áreas cerebrais importantes ao mesmo tempo: o lobo parietal (que contém o córtex motor); o occiptal, ou lobo de processamento visual (o centro do cérebro para ritmo e coordenação); o lobo temporal (que regula o tom e a estrutura); e o lobo frontal e cerebelo (que regulam a emoção).

Tais áreas do nosso cérebro são críticas para o desempenho atlético. É justamente no lobo temporal, por exemplo, que o cortisol (um hormônio do stress ) é liberado. A música, neste caso, ajuda a regular o stress, reduzindo os níveis de cortisol.

Já o córtex motor, que fica localizado no lobo parietal, regula a função motora do nosso corpo, o que nos ajuda a determinar o quão bem coordenamos nossos membros. A música, de uma forma mais ampla, nos ajuda a controlar nossas emoções, regulando o humor e nos ajudando a “filtrar” as distrações.

A chave, neste caso, é usar a música para explorar a secreção de dopamina e opioides naturais do cérebro, dois elementos químicos naturais que ajudam a bloquear nossa percepção de fadiga e dor. Músicas que contém uma mensagem positiva podem enviar um recado igualmente positivo ao cérebo, atuando no humor e aumentando a confiança do atleta.

Outra fator interessante sobre ouvir música durante a prática esportiva, é que a sincronização do ritmo da música com a frequência cardíaca de um atleta pode ter resultados bastante poderosos, como melhora na resistência, velocidade e desempenho atlético.

Isso não significa, no entanto, apenas aumentar o ritmo porque existe um “teto”, ou seja, qualquer coisa acima de 140 batimentos por minuto não fará um atleta ir mais rápido (ou mais forte). Estima-se que o ponto ideal seja por volta dos 120 bpm, que é a frequência média durante uma corrida leve. Finalmente, a música ajuda os atletas com suas memórias musculares.

Ouvir músicas cujas letras imitam o movimento físico, como por exemplo a canção “Push it”, do Salt n ‘Pepper, são de grande valia para atletas de arremesso de peso (ou qualquer outro desporto  que exija que o atleta empurre algo fisicamente).

Quem acompanha o mundo dos desportos já sabe que a prática é bastante difundida: jogadores da Seleção Portuguesa, como Cristiano Ronaldo e Nani, atletas da NBA, como Kevin Durant e Lebron James, e nadadores como Michael Phelps não dispensam seus fones de ouvido nos momentos que antecedem a disputa.

Em certos Desportos, como o poker, é permitido que os atletas usem fones de ouvido durante a partida, o que muitos utilizam para auxiliar na concetração.

Liv Boeree e Igor Kurganov, grandes nomes da modalidade, não escondem sua forte relação com a música. O casal 20 do poker mundial aprecia remixes de música eletrônica e bandas de rock como Tool e Muse. Concluindo, podemos afirmar que a música funciona como uma droga (do bem): melhora o desempenho e é viciante.

O mais importante, entretanto, é que essa avaliação seja feita caso a caso. Pesar quais são os benefícios que a prática nos traz, comparar com os malefícios e buscar um equilíbrio que respeite os limites do nosso corpo. Com tudo isso em mente, basta caprichar na playlist e partir pro treino!