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O trabalho da flexibilidade é, sem dúvida, um dos mais negligenciados pelos corredores. Mesmo tendo conhecimento da sua importância, um atleta que dedica diariamente uma a duas horas para o seu treino de corrida, dificilmente «consegue» cinco minutos adicionais para tentar melhorar a sua flexibilidade.

Talvez as velhas recordações de «exercícios bem violentos» esteja na base de tal atitude ou mesmo, ainda, um certo medo de se fazer mal …
Numa tentativa de tornarmos esta questão acessível a todos, vou focar os pontos que julgamos fundamentais para a compreensão do que se relaciona com tal problema que, pode crer, constituirá uma das partes importantes do seu treino habitual.

1. Os Benefícios- Ao dedicarmos uma parte da nossa sessão de treino à flexibilidade, estamos a contribuir para a diminuição do risco de lesões, para um menor cansaço muscular e, igualmente, para a melhoria de performance. Quando, por vezes, ao iniciarmos uma descida acentuada, temos de reduzir o andamento devido ao endurecimento que sentimos nos músculos, não nos apercebemos da razão desta «fatalidade» e bastaria dedicarmos alguns minutos do nosso treino a um trabalho que visasse o alongamento muscular para termos o problema bem facilitado. Com efeito, a rigidez ao nível dos grupos musculares responsáveis pela mobilidade do trem superior e do trem inferior limita a capacidade motora do homem, tornando os músculos ainda muito mais rígidos quando o cansaço se estabelece.

2. Os perigos – Por vezes, após uma sessão de flexibilidade, sentimos os músculos doridos e constatamos, até, que ·se contraiu uma pequena lesão. Tal ocorrência é o maior perigo deste trabalho e constitui o resultado do desconhecimento que possuímos sobre o nosso corpo. Existe uma ideia generalizada, aliás incorrecta, de que devemos «puxar» os músculos ao máximo e com bastante força, o que origina movimentos rápidos e extremamente violentos. Eles serão a causa do corpo dorido e do aparecimento das arreliadoras lesões.

 

 

 

 3. Algumas noções – O movimento humano resulta do diálogo contracção/descontracção. Quando se contrai um músculo, duas acção podem. suceder: encurtamento ou alongamento do mesmo! E é da sintonia destas acções que podemos iniciar a nossa corrida. protecção que irá estimular uma contracção, tanto maior quanto o for o do estiramento verificado. Por outro lado, os tendões possuem receptores que, ao produzir-se um encurtamento do músculo, accionam um mecanismo defensivo contrário de forma a evitar um encurtamento excessivo, de que poderiam resultar lesões graves nos tendões. Destas noções muito elementares poderemos extrair os seguintes factos:

a) Tanto um alongamento como um encurtamento muscular excessivos fazem desencadear mecanismos de protecção traduzidos por acções contrárias às que se pretende fazer;

b) Quanto mais brusco e violento for o movimento, mas rápida e forte será a acção contrária. Todos nós já nos apercebemos dos diferentes graus de tensão que se produzem nos nossos músculos no decurso de uma passada e estes, igualmente, «têm» noção do mesmo facto.

Daí, concluir-se que devemos fazer exercícios com naturalidade a fim de se evitarem tensões excessivas que prejudiquem o nosso trabalho.

4. Formas de Trabalho – Existem várias técnicas para se trabalhar a flexibilidade, desde as mais remotas, em que os movimentos se assemelham a uma brilhante bobina trabalhando repetidamente e causando magnífica impressão a quem passa, até ao trabalho de contracção estática. Pessoalmente, somos de opinião que o trabalho realizado sob esta última perspectiva é o mais indicado para os corredores. A posição de alongamento muscular é assumida lentamente, o que permíte uma pequena tensão no músculo, propícia a um maior alongamento, já que os mecanismos de inibição do movimento não são accionados. Deste modo, os movimentos devem ser realizados suave e gradualmente, mantendo-se a posição de exercício durante 30 a 60 segundos, sob a maior descontracção possível.

 

PLANEAMENTO DE UM PROGRAMA DE FLEXIBILIDADE

Ao iniciarmos um programa destes devemos ter em atenção os seguintes pontos:

a) Os resultados só podem ser esperados após semanas ou meses, pelo que se aconselha a sua inclusão no seu treino diário;

b) Os exercícios devem ser realizados depois de um aquecimento (5 minutos de corrida lenta, por exemplo), a fim de posstbllltar um melhor alongamento e evitar riscos de lesões;

c) Se possível, faça os exercícios no início e no final do treino. Se isso não for viável, procure fazê-los no início, já que a activação muscular que  proporcionam manter-se-à nas três horas seguintes;

d) Escolha os exercícios cuidadosamente, começando pelos mais fáceis até atingir gradualmente os mais complicados;

e) Alterne os grupos musculares que estão a ser trabalhados;

f) Assuma lentamente a posição de exercício e tente mantêm-la durante o tal período de 30 a 60 segundos. O músculo dever ser solicitado até atingir o alongamento máximo e não se esqueça de que em nenhum momento o exercício deve causar desconforto ou dor. Para terminar, acrescentaremos que os exercícios seleccionados para si são apenas alguns dos que poderão ser usados pelos corredores. Poderá utilizá-los ou escolher outros e só é necessário ter presente a importância que este aspecto pode desempenhar no planeamento global da sua actividade preferida.

Lurdes Machado