Atividade física e o desenvolvimento da criança

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Já é do senso comum que a atividade física é de extrema importância na vida de qualquer ser humano. E na criança? De que modo afeta o desenvolvimento da mesma e a partir de que idade podem as crianças iniciar a sua prática desportiva? Será a actividade física importante apenas no desenvolvimento físico? Que importância terá no desenvolvimento intelectual e na construção da personalidade até à idade adulta?

Também sabemos que com o desenvolvimento (se é que se pode chamar, desculpem) a nossa alimentação está cada vez mais degradada e repleta de gorduras e hidratos de carbono nada saudáveis e por estas e outras razões temos vindo a observar uma taxa de obesidade bastante elevada entre os mais jovens bem como de excesso de peso.

Metade das crianças com menos 5 anos tem excesso de peso diz-nos um estudo da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação e também é sabido que uma criança com excesso de peso irá ter uma grande probabilidade de ser um adulto obeso.

Posto esta triste mas dura realidade podemos mudá-la com a inserção ou adequação de atividade física no seio do desenvolvimento da criança e perceber de que modo esta afeta a mesma.
A atividade física regular afeta positivamente a criança desde que faça parte do dia-a-dia de maneira equilibrada, respeitando as suas habilidades motoras e a sua capacidade de aprendizagem.

A criança deve realizar uma atividade a seu gosto e esta nunca deve ser imposta por obrigação ou desejo dos pais verem os seus filhos tornarem-se atletas de elite. Quando a atividade física é tratada como brinquedo ou diversão, há mais chances de conquistar a criança.

Entre os 4 e os 6 anos a criança deve ter contacto com o desporto de forma que esta lhe dê prazer e sempre com brincadeira associada, como corrida, pedalar, ou atividades em grupo. Podemos incluir a natação (mais correto dizer adaptação ao meio aquático) como sendo das primeiras atividades que o bebé (sim bebé, pois pode a partir dos 6 meses começar esta atividade com a mãe) pode realizar logo a partir dos 6 meses de idade com acompanhamento materno (e autorizada pelo pediatra) e a partir dos 3 anos apenas com o professor.

Até aos 8 anos de idade a criança deve experimentar variadas atividades mas sem obrigação de aprender as suas técnicas específicas, após esta idade devemos dar liberdade à criança para se direcionar para uma modalidade a seu gosto e preferências e de acordo com as suas habilidades.

A partir dos 12 anos esta começa a interessar-se por desportos competitivos e esta é a melhor fase para que o pré-adolescente identifique a «sua modalidade». Os pais devem evitar sempre que a criança fique a maior parte do tempo a ver TV ao no computador.

Estudos da Academia de Pediatria mostram que 75 % das crianças obrigadas a praticar atividades que não gostam acabam por abandonar por volta dos 15 anos com grandes probabilidades de se tornarem sedentárias. Alguns pais que praticam determinada modalidade direcionam o filho para esse deporto , até por vezes de forma insconsciente, colocando espectativas e um peso enorme em cima da criança com consequencias negativas para o equilibrio emocional e físico. Pais desportistas devem usar a sua atividade para aumentar a convivencia e estimular a atividade física regular e elhorar a qualidade da vida familiar.

A pré adolescência é a melhor fase para introduzir musculação devido às hormonas que começam a entrar em ação, deixando o organismo mais recetivo ao uso da força física, mas não se assustem os pais pois não estamos a falar de halterofilismo, mas sim de exercícios com carga adequada e ao desenvolvimento da força e crescimento do adolescente podendo até para «corrigir» alguns problemas alusivos e normais ao crescimento. Como é obvio recomenda-se sempre a ajuda de um profissional.

As modalidades coletivas como basquetebol, voleibol, ou futebol proporcionam troca de experiencias e ajudam a criança a se relacionar melhor.

Os desportos individuais como ténis ou ginástica olimpica exigem bom auto-conhecimento, atençao individualizada e são bastante direcionados para o objetivo a alcançar. Ambos desenvolvem coordenação motora. Algumas modalidades tais como a ginástica ou qualquer modalidade em que a criança comece a competir exigem que a criança comece a treinar seriamente cedo por volta dos 5 ou 6 anos de idade e nestes casos os pais devem estar bem atentos pois nesta idade o desporto competitivo pode lesionar o aparelho locomotor prejudicando o seu desenvolvimento normal.

Benefícios

A atividade desportiva realizada de forma regular pelo menos 3 vezes por semana, durante uma hora produz gasto calórico, aumenta a capacidade aeróbica, desenvolve a massa muscular e estimula o sistema neuropsicomotor.
Aumentando o gasto calórico e as hormonas inerentes ao apetide esta é sem dúvida bastante benéfica num estilo de vida saudável e controlo e manutenção do peso da criança não falando de todos os benefícios psicológicos e de auto-estima inerentes.
Também os valores associados ao desporto como trabalho em grupo, espírito de sacrificio, conquista, respeito, trabalho/ treino são ensinados e maiores as possibilidades desta criança se tornar um adulto com bons valores.

Malefícios

Se praticada de forma excessiva esta também pode trazer consequências nefastas pois as duas primeiras décadas de vida são fundamentais para o crescimento e amadurecimento biológico, logo se houver excesso de treino sem períodos de descanso ou descanso insuficiente pode verificar-se diminuição ou até interrupção do crescimento, cansaço, desanimo, deficiencias de aprendizagem, sistema imunológico debilitado e corpo mais susceptível a lesões. Por isso os pais devem ficar atentos à modalidade praticada pelos seus filhos observando se o programa de atividades é adequado para a idade e condicionamento da criança.

Bibliografia
Fernandes, Flávia, Psicóloga clínica. www.maisequilibrio.terra.com.br
Raquel Madeira