Beterraba

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    “A nutrição desportiva tem aguardado ansiosamente pela “nova creatina”, um suplemento que captura a atenção e recursos de cientistas, atletas e o mundo médico. Tratando-se da “creatina”, rapidamente haveria uma vasta literatura no sentido de mostrar a evidência clara dos benefícios para exercitar a capacidade e o desempenho desportivo. A força deste apoio seria sustentada não só pela quantidade de publicações, mas também pela qualidade dos pesquisadores; das técnicas experimentais e na mecânica de inquéritos envolvidos. Finalmente, a aplicação do produto abrangeria interesses populares (por exemplo, o desempenho desportivo), as questões de saúde da Comunidade (tais como, o subaproveitamento das funções fisiológicas ou envelhecimento) e nos próprios usos terapêuticos.

    Admitindo ter sido apanhada de surpresa com os primeiros estudos de suplementação de sumo de beterraba que apareceram na literatura revisada (1, 4) e ciclo de notícias. Na verdade, se já não tivesse conhecimento da respeitável reputação de Andy Jones, da Universidade de Exeter, talvez não prestasse muita atenção à questão. No entanto, com o desenvolvimento do assunto, rapidamente surgiram alguns elementos intrigantes. Em primeiro lugar, temos a perceção que as atenções sobre o sumo de beterraba ocorreram um pouco por acaso, resultante de uma busca por uma fonte de alimento natural de suplementação de nitrato para substituir os “sais de nitrato” que não são permitidos para tal uso em muitos países.

    Embora outros laboratórios utilizem o xarope de beterraba ou de espinafre como fontes alternativas de nitrato, em estudos posteriores a aplicação prática deste trabalho exigiu um produto que fosse comum e disponível e com um teor de nitrato conhecido e confiável. Aqui, a indústria alimentar respondeu com uma produção comercial e de um “Marketing”, ou seja, uma comercialização, do composto de alto-nitrato concentrado através do sumo de beterraba (3). Um tanto ironicamente e em contraste com a variedade de sumos de fruta/vegetais que chegam ao mercado, os produtos de sumo de beterraba com maiores concentrações de nitrato, são deliberadamente produzidos a partir de métodos de cultivo não-orgânicos para permitir o uso de fertilizantes que contribuem para a concentração final de nitratos.

    Um segundo elemento interessante envolveu o desafio de encontrar um componente que evitasse o efeito incomum e altamente distinguível da beterraba (o sumo de beterraba tem um paladar próprio e é a causa da urina cor de rosa!). Este problema foi resolvido pela colaboração entre o grupo de Jones e um fabricante de sumo para produzir uma forma de nitrato empobrecido no concentrado de sumo de beterraba, indistinguível no seu produto final. Depois houve o enredo intrigante na qual a boca tem bactérias que desempenham um papel essencial na eficácia do uso de sumo de beterraba, convertendo o salivar nitrato em nitrito; o desinfetante bucal antibacteriano e gomas elásticas deveriam ser evitados em associação com os protocolos de suplementação que se estavam a efetuar. Finalmente, o conceito de uma melhoria no desgaste de energia (gasto de oxigênio) durante o esforço que parecia irreal, representando um “Santo Graal” para os atletas, bem como, importantes utilizações terapêuticas.

    No entanto, a ciência subjacente à história do sumo de beterraba será o meio concludente da sua eficácia. As variadas funções de óxido nítrico (NO) na saúde e na função fisiológica são bem conhecidas, com a produção destas moléculas de sinalização, sendo em grande parte atribuída à oxidação do aminoácido L-arginina.

    Contudo, a consciência de uma via alternativa de produção NO, envolvendo a redução de nitrito criou um interesse renovado, especialmente porque parece dar enfase à suplementação dietética de nitrato e a sua importância nos tecidos ou cenários ácidos ou hipóxicos.

    Os primeiros estudos de suplementação de sumo de beterraba do laboratório do Professor Jones estabelecidos em protocolos na forma pontual (uma dose única antes do exercício) ou crônica (ingestão diária), foram associadas reduções na pressão arterial e no gasto de oxigênio no esforço submáximo (1,4). Os mecanismos propostos para tais resultados incluem efeitos hemodinâmicos, bem como, os efeitos diretos sobre a mitocondrial ou eficiência contrátil do músculo.

    Estes estudos sugerem que a suplementação de sumo de beterraba pode fornecer benefícios substanciais para a saúde e função diária da população com condicionantes ao exercício físico derivado à doença cardiovascular e pulmonar, ou simplesmente, pelo envelhecimento.

    Em nutrição desportiva, a possibilidade de um melhor desempenho através de uma estratégia de suplementação simples e saudável também é impressionante. Isso explica o número de estudos que se têm analisado na suplementação de sumo de beterraba medindo a capacidade de esforço ou desempenho em adultos saudáveis (3). Em geral, os resultados confirmam um moderado benefício em protocolos envolvendo tempo de exaustão e um pequeno, mas potencialmente significativo, realce de outros protocolos específicos de desporto (3). Esses benefícios afiguram-se mais aparentes em praticantes recreativos, ao invés de atletas altamente treinados e de elite (3).

    Muitas questões ainda necessitam ser respondidas para que sejam dadas orientações definitivas para o uso de sumo de beterraba por atletas. A mais recente investigação do Professor Jones do grupo (5)porém, ajuda a solucionar uma questão óbvia: qual a dose ideal de concentrado de sumo de beterraba em um protocolo de suplementação pontual.

    Aqui, eles encontraram uma resposta que depende da dose de sumo de beterraba em plasma de nitrito e a melhoria da capacidade de esforço/exercício (tempo até à quebra na intensidade forte – ciclismo) com um limite evidente a uma ingestão de 8 mmol de nitrato, o equivalente a duas garrafas de 70 ml de sumo concentrado.

    Não houve um limite visível onde se verificasse a redução na gestão de esforço/exercício (gasto de oxigénio – ciclismo intensidade moderada) associado às doses de nitrato que foram estudadas. O aumento da dose de sumo de beterraba, não só aumentou os valores médios de resposta ao exercício, como reduziu o número entre o grupo, daqueles que não responderam.

    A mecânica de “responsividade” ainda permanece indefinida, talvez, porque o estudo não conseguiu encontrar evidências das características sugeridas ou relatadas nos estudos anteriores, tal como a relação entre a variação nas concentrações de nitrito de plasma na base do pré-esforço e a validação do teste de esforço/exercício.

    Considera-se necessário aprofundar o estudo sistemático desta questão, envolvendo grandes amostras de sujeitos com diferentes tipos de treino e modalidade desportiva, diferentes doses de sumo de nitrato / beterraba, e efetuar manipulação no tempo de ingestão de sumo que permita ​​individualmente, perceber os picos variáveis nas concentrações de nitratos alcançados no início do exercício.

    Poucos laboratórios são suscetíveis de ter a capacidade de monitorar com exatidão e com o mesmo grupo a cinética de oxigênio durante o esforço/exercício, mas outros pesquisadores podem adicionar a aplicação prática desse conhecimento, por protocolos de teste ergométrico que simulam os variados desportos existentes.

    Sobre se o sumo de beterraba irá rivalizar com o estudo e comercialização de suplementos de creatina, ainda é uma história ainda em desenvolvimento. Entretanto, muitas mães e nutricionistas estão simplesmente gratos, que o Professor Jones tenha realizado uma tarefa até hoje muito difícil aos seus encargos: conseguir que atualmente os rapazes aumentem a ingestão de vegetais na sua alimentação!”

    Tradução do artigo (VERA AUGUSTO)

     Louise M. Burke

    Australian Institute of Sport, Belconnen, Australian Capital Territory, Australia

    (http://sshs.exeter.ac.uk/research/beetroot/ ) – vídeo Dr. Andrew Jones, sobre os benefícios da beterraba.

    fonte: http://jap.physiology.org/content/115/3/311