Bolhas nos pés …

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“Quem nunca teve bolhas nunca praticou a corrida a sério”. Esta afirmação de Lasse Viren , quando no final da Maratona dos Jogos de Montreal, notou uma pequena bolha num dos dedos do pé esquerdo, contém algo de verdade. Porém, não nos podemos esquecer de que, principalmente os iniciados na corrida a pé, sofrem deste flagelo. 

Não queiramos, pois, deixar passar mais tempo sem apresentar alguns dados sobre o problema das bolhas. Aliás, o artigo do Dr. Turblin aparece escrito de forma a permitir a melhor compreensão e, sobretudo, é extraordinariamente prático.

Todos os atletas, qualquer que seja o seu nível; sabem o que é uma vulgar bolha e os fatores que concorrem para o seu aparecimento são vários. Igualmente, todos sabem que, mesmo pequena, uma bolha pode significar uma grande diminuição no andamento e, inclusivamente, uma série de problemas posteriores. O que são as bolhas? Elas representam uma certa forma de deslocamento da epiderme (conhecida vulgarmente por pele), com secreção  de serosidade (líquido), tendo como principal causa uma fricção de primeiro grau.

COMO AS TRATAR?

As bolhas podem ser mais ou menos dolorosas consoante o grau de fricção e o local onde se formaram. No entanto, o seu tratamento processa- se invariavelmente da seguinte forma:

Utiliza-se uma simples agulha desinfetada (à chama ou com um pouco de álcool) e fura-se a bolha, de preferência em diferentes locais para fazer desaparecer a serosidade (líquido). Seguidamente, «pinta-se» o local da bolha com bedatine, o qual, além de ser um bom cicatrizante, funciona também como desinfetante.

Note-se que se deve desinfetar cuidadosamente a bolhas pois, de uma maneira geral, é em locais propícios a infecções e tétano (recomendo a todos os corredores – e vivamente – a vacinação contra esta terrível doença). Um outro tipo de bolha mais complicado resulta do deslocamento da derme com derrame sanguíneo (a bolha apresenta uma cor azulada escura, parecendo quase sangue) e acontece normalmente na planta do pé. Nestes casos deve-se procurar evacuar o sangue com o mesmo processo da  agulha  explicado  anteriormente e fazer seguidamente uma série de banhos frios. Recomendo, nestes casos, não correr durante dois ou três dias.

COMO EVITAR AS BOLHAS?

1 – O simples facto de se correr regularmente contribui para um aumento de camada dos tecidos que funcionam como protetores da planta do pé. Certa vez, numa das minhas viagens, fiquei surpreendido ao ver um «sherpa» – transportador de cargas e caminhante das regiões norte da Índia e do Nepal- que seguia sem se importar com os pés descalços na neve e com uma temperatura bastante fria. 

Ao examinar os seus pés verifiquei que tinha uma espécie de calo de enorme espessura e explicou-me que nunca tinha tido bolhas ou qualquer outro problema com os seus pés. Portanto, se quer ser um corredor independentemente do nível que deseja atingir, deve procurar correr. Não se esqueça a grande máxima: «O hábito faz o monge»!

2 – Uns sapatos leves e num tamanho um pouco superior ao sapato normal evitam, muitas vezes, a formação de qualquer tipo de bolhas. É bom que os atletas não se esqueçam que os pés (aumentam» de volume depois de uma hora de corrida.

3 – Antes de” participar num treino longo ou numa prova superior a 5 Km, coloque fita adesiva nos dedos dos pés e nos locais mais sensíveis e sujeitos a fricção. Não é preciso proteger todo o pé, bastam pequenos pedaços e colados de uma forma fácil.

4 – Procure evitar correr com meias de nylon e escolha, de preferência, umas meias de algodão e com um certo pelo. Pessoalmente, as meias de lã, pois são excessivamente quentes. Atenção: escolha umas meias nem muito curtas nem muito grandes pois só poderão arranjar complicações. 

5 – Procure evitar os banhos quentes nos pés pois as temperaturas elevadas destroem mais facilmente a conhecida camada protetora da planta do pé, tornando-a mais macia e vulnerável. E recomendável, no entanto, a máxima higiene pois, como sabem, os pés são a verdadeira base do corredor.

6 – Em casos excepcionais talvez seja de aconselhar um certo tipo de pequena intervenção ortopédica para corrigir pequenas mal formações ósseas que originam locais propícios de fricção e, portanto, favoráveis ao aparecimento de bolhas.

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