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O relógio tocou às cinco, saí da cama sem sobresalto. A Peugeot 9000 tinha dormido por debaixo da pala do Pavilhão de Portugal, e os sacos de plástico tinham dormido na sala, em casa.

Sem muito ruído, comi e saí para o Parque das Nações, a caminho do Challenge Lisboa 2019. Desde maio 2013 que esta prova me martelava o subconsciente. Foi a primeira prova de triatlo a que assisti, e a expectativa de nadar, pedalar e correr naquele sítio, nunca me abandonou. Este ano, em representação de Aminhacorrida.com, tive a possibilidade de alinhar na partida da prova longa.

Começou de uma forma calma, muito calma. Foi o meu terceiro triatlo longo de sempre (e o sexto no total) e estive sempre muito calmo. Já saber o que me esperava, sabendo que a água não teria corrente nem ondas e que a bicicleta era relativamente plana foram fatores que ajudaram a manter essa postura. Antes da prova, equipamento revisto, encontro com amigos e conhecidos e preparação para entrar para a água. 07h45 estava a nadar na doca dos Olivais. Correu sem precalços a natação, e fiz os 1.900m exatamente dentro do tempo esperado, aproveitando para nadar num sítio onde geralmente é proibido e ver o Oceanário de Lisboa de perto, num ângulo fora do comum.

Saído da água, a transição correu normal. Tirei o fato sem problemas (o amaciador de cabelo ajudou bastante, entendedores entenderão), vesti o equipamento de bicicleta e cinco minutos depois estava a caminho de Santa Iria da Azóia, pela IC2, a pedalar.

Fotografia de Rogério Machado
Fotografia de Rogério Machado

O percurso, da bicicleta, sim, maioritariamente plano mas, como esperado, frio e ventoso, muito ventoso. A cada volta o vento aumentava mais, e o frio mantinha-se. As secreções nasais iam-se acumulando e saindo das narinas, como podiam, acho que nunca funguei tanto em noventa quilómetros a andar de bicicleta.

Um pouco mais de três horas depois, terminei a bicicleta e, venha a corrida. O público perto da zona de chegada, era algum, e puxava por nós quando passávamos, e no meio do percurso o Pajó dos Santos fazia a festa, deitava os foguetes e apanhava as canas. Era bom na edição de 2020 colocarem junto dele umas colunas e um microfone, ajudaria a poupar-lhe a garganta. Os abastecimentos, na corrida, eram dois, bem apetrechados de água, fruta, isotónico, Red Bull e geles da Prozis, dos de limão, dos que eu gosto. Geri a corrida como pude, quatro idas quase ao pé do Trancão num piso longe de ser ideal mas, naquela zona é complicado correr num piso direito, só talvez encerrando a Av. D. João II ao trânsito se conseguisse resolver isso.

Na última volta, a minha claque apareceu para o apoio final, com balões com desenhos e tudo, passando a meta sete horas e oito segundos depois de ter arrancado, de mão dada com a minha pequena.

Fotografia de Daniel Oliveira

Medalha recebida, fotografias tiradas e a claque foi-se embora indo eu até à zona de recuperação, onde um catering delicadamente gourmet fazia as delícias dos atletas, pelo menos as minhas fez. Hamburgers no pão pequeninos, canoas de massa com cogumelos ou quinoa com frango, mini bolinhas de carne com maionese e mostarda à disposição, Coca-Cola (verdadeira) com gelo, cerveja, vinho, água e água de coco, tudo ótimo. Faltaram somente umas batatas fritas de pacote, fica a dica.

Recuperação alimentar feita, e toca a recolher a Peugeot e os sacos para pedalar até casa, pensando pelo caminho quão mais divertida poderia ser esta prova se a distância fosse o dobro da distância, fica a dica 😉