Corredores Veteranos

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A idade é menos bondosa para alguns do que para outros. Entre corredores, o declínio na performance aflige alguns logo após os trinta anos, enquanto outros mantêm os seus melhores resultados por muito mais tempo.

Porém, o «tempo» eventualmente alcança todos. Numa análise em 1993 das melhores performances de corredores americanos de longa distância, Dr. Michael Joyner descobriu que dos 35 até os 55 anos, o tempo da corrida aumenta em torno de 6% por década para homens e 9% por década para mulheres. A diferença entre sexos está provavelmente relacionada com factores culturais, incluindo o menor número de corredoras competitivas depois dos 40 anos de idade, e as restritas oportunidades de exercício para as mulheres americanas antes da emenda educacional de 1972.

Dr. Joyner descobriu que os tempos nas corridas aumentam mais rapidamente depois dos 55 anos de idade. Não se sabe o quanto este facto é devido à fisiologia e o quanto é relacionado com factores culturais. Poucos corredores veteranos treinam de forma contínua desde a juventude, ou fazem treinos na mesma intensidade e duração que atletas de elite mais jovens. Além disso, corredores veteranos tiveram mais tempo para acumular efeitos de lesões. Portanto, uma parte da queda de performance entre corredores veteranos é provavelmente devido à menor quantidade de “talentos” treinando a sério. À medida que mais corredores continuem a treinar e competir depois dos 60 e 70 anos de idade, as performances nessas faixas etárias deve melhorar de forma correspondente, revelando os efeitos da fisiologia.

Factores fisiológicos

Os três factores fisiológicos que melhor predizem a performance na corrida de longa distância são VO2 máximo, economia de corrida e limiar de lactato. Entre sedentários, o VO2 máximo diminui em torno de 10% por década. As razões possíveis para esse declínio incluem queda na frequência cardíaca máxima, menos sangue bombeado a cada contracção, massa muscular reduzida e menor habilidade dos músculos para utilizarem o oxigénio. Porém, cada um desses factores pode estar mais relacionado com a inactividade do que com a programação genética.

Estudos com corredores têm encontrado quedas bem menores no VO2 máximo com a idade. O Dr. M.L. Pollock descobriu que atletas de pista veteranos que mantêm a intensidade dos treinos não tiveram queda significativa no VO2 máximo durante um período de 10 anos. Antes dos Jogos Olímpicos de 1968,  Jack Daniels, Ph.D., e colegas testaram 26 dos melhores corredores de fundo nos Estados Unidos. Esses corredores retornaram ao laboratório 25 anos depois para um acompanhamento a fim de verificar como a sua fisiologia mudou. O VO2 máximo absoluto declinou em 14% nos atletas que ainda corriam, comparado com 24% de queda nos que pararam de treinar. Quando analisado o peso corporal, a diferença entre os que se mantiveram em forma e os que pararam foi ainda maior. Esses resultados sugerem que grande parte do declínio no VO2 máximo, tipicamente observado com a idade, está relacionado com a inactividade.

De forma surpreendente, a frequência cardíaca máxima nos estudados declinou apenas 2 batimentos por minuto durante esses 25 anos. Esses resultados vão contra as fórmulas geralmente usadas para estimar a frequência cardíaca máxima baseando-se na idade, e sugerem que o declínio com o tempo pode estar relacionado com o estilo de vida.

Corredores veteranos podem, de facto, ter algumas vantagens sobre os mais jovens devido ao maior histórico de treino. De acordo com Don Morgan, Ph.D., que conduziu um grande número de estudos sobre a economia de corrida, o factor mais importante para melhorar a economia deve ser o número de anos de corrida, em vez dos treinos específicos. Outra vantagem é que, quanto mais anos de treinos de resistência, mais o limiar de lactato tende a aproximar-se do VO2 máximo porque as adaptações nos músculos trabalhados, como mais capilares e mitocôndrias, continua a acontecer por muitos anos.

Estilo de vida e o tecido cicatrizado

À medida que os corredores se aproximam dos 40 anos, factores como o cônjuge, crianças, dívidas e carreira profissional tendem a invadir o estilo de vida de atleta. Os treinos tendem a não estar no topo das prioridades. Assim, uma parte da perda de velocidade observada com a idade pode ser devida à inabilidade de focar as energias no treino e competição.

Além disso, embora a mente possa ainda querer, e o coração e os pulmões sejam capazes, depois de anos de abuso, os músculos e tendões podem não aguentar a ruptura e cicatrização do treino de alto nível. A longo prazo, o tecido cicatrizado já deu o máximo para muitos corredores. Nos anos 80, o neozelandês John Campbell correu uma série de corridas fenomenais entre os 38 e 42 anos de idade, incluindo uma maratona em 2:11:04 aos 41 anos. Uma análise mais cuidadosa da carreira de John como corredor revela um facto interessante sobre a sua performance. Depois de um começo promissor como jovem corredor, John ficou em torno de 13 anos afastado antes de retornar aos 36 anos de idade. Desta forma, aos 40 anos as pernas de John tinham o efeito cumulativo de ruptura e cicatrização do tecido de uma pessoa muito mais jovem.

Se você correrá mais lentamente na idade de 70 anos do que na de 30? Sem dúvida. Porém o tempo e taxa na qual você perderá velocidade não está totalmente baseada na genética. Não sabemos qual a taxa do declínio na performance da corrida que é devida às alterações fisiológicas e qual é devida às mudanças de prioridades, pequeno número de atletas veteranos e efeito cumulativo de lesões. Porém, é evidente de que a função fisiológica associada ao envelhecimento pode ser reduzida substancialmente através do treino.

Fonte:

Tradução copyright © 2004 por Helio Augusto Ferreira Fontes
Texto copyright © 2004 por Pete Pfitzinger
(http://www.copacabanarunners.net/corredores-veteranos.html)

Adaptação:

www.aminhacorrida.com