Corrida e a Sexualidade

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O tema é aliciante mas raramente aparece nos jornais ou revistas especializadas. Corrida e a Sexualidade…Vive-se um ambiente de tabus, praticamente em situação idêntica em todos os países, tanto os de grandes como os de pequenas tradições desportivas. É certo que a conversação dos atletas nos  balneários gira, por vezes, em torno do sexo, muito no sentido do “faz mal .. faz bem”, mas fica-se por aí, frequentemente em função da visão de moral idade patenteada pelos interlocutores.

As dúvidas subsistem e todo o conjunto desses mesmos tabus surge qual barreira intransponível. No caso dos jornalistas, a abordagem de um trabalho escrito com tal título vai cair na falta gritante de referências precisas, o que canaliza o profissional para a obrigação de escrever, muitas vezes, em função das suas ideias nesta área e numa visão talvez “perdida” do chamado comportamento sexual normal.

BOM PARA O… AMOR!

Será que a prática regular repercussões na vida amorosa?  Esta é uma das dúvidas que corredores, fazendo com que se da corrida tem dos atletas? Esta é uma das dúvidas que assola muitos utilizem vias de abstinência ou …supercompensação nos dias que antecedem as competições. Aliás, o treinador que aconselha o atleta a ter relações amorosas na noite anterior à prova, o que faz com que os mais interessados na obtenção de marcas entrem em abstinência sexual nos três ou quatro dias que antecedem as suas competições!!!

Mas também  situações inversas, isto é, processos de quase “supercompensação”, um pouco parecidos com as regras das dietas pré-competitivas. O parceiro(a) vai procurar ter numerosas relações sexuais três dias antes da prova para, depois, “não pensar mais no assunto .” Tal comportamento causa-nos arrepio e admiração e lembra-nos até que ponto é que um atleta pode considerar importante uma competição.

Mas será que a corrida, em termos gerais ajuda a vida sexual? Sob o ponto de vista essencialmente fisiológico , indicar três boas razões:

1 -A prática da corrida provoca uma dilatação os vasos sanguíneos e todo o desportista está habituado a trabalhar num ritmo cardíaco intenso, exactamente para assegurar essa hipervascularização máxima. Ora, parece que essa “qualidade” cardiovascular, transposta para o plano amoroso, provocaria no homem uma irrigação favorável a uma melhor relação sexual;

2 – Correr, ocasiona um aquecimento corporal, não apenas durante mas também depois do esforço. Sabendo-se que o calor é um estimulante do amor, poder-se-á igualmente admitir que os organismos habituados a processos fisiológicos de aquecimento desportivo “entrarão melhor em acção” noutras situações similares;

3 – A corrida diminui os efeitos do stress , fenómeno este que é desfavorável a todo o tipo de concentração mais ou menos prolongada. Mas, atenção, isso aplica-se para três a quatro treinos semanais, pois todo o excesso irá “cansar” o organismo. Segundo artigo da revista “Vogue Sport” e onde se demonstra que os atletas que têm por hábito manter mais relações sexuais serão do tipo dos corredores de 800/1500 metros. O seu segredo: um treino regular, que procura aliar uma certa harmonia à Velocidade/Resistência/Endurance!

Em todo o caso, sem dúvida que, numa união de dois seres, a primeira carga vai ,para o timbre dito psicológico e é sabido que medir rigorosamente este parâmetro não é fácil … Por exemplo, o beijo, um simples beijo de paixão, pouco “desgaste” pode provocar nos seus intervenientes. ‘Todavia, a carga emocional envolvente pode ter repercussões durante vários dias, se não anos! Partindo do princípio que o acto sexual é uma simples performance física, não poderão restar dúvidas de que um homem, ou mulher, que esteja preparado e habituado a um esforço físico regular reage melhor a qualquer “trabalho” de igual natureza.

Uma sondagem do “New York Times”, efectuada junto de 1.095 participantes na maratona daquela cidade,  forneceu os seguintes resultados: 47% dos maratonistas eram de opinião que a corrida melhorou a sua vida sexual, 35% garantiram absolutamente o contrário, enquanto 18% dos inquiridos se recusaram a falar do assunto. Outra sondagem feita pela revista “Running Times” mostrou que 2/3 dos adeptos do Jogging estavam convencidos de que tal prática desportiva tinha um efeito positivo nas suas relações sexuais, 1/4 reconhecia que esse efeito seria mínimo ou quase nulo, surgindo 7% dos entrevistados com a afirmação de que as consequências eram bem negativas!

O Drº Sydney Alexandre afirmou que um estudo junto das esposas de alguns atletas,o treino intensivo reduzia o apetite sexual dos seus parceiros, os quais, logo que treinavam menos quilómetros, demonstravam maior desejo de uma intensa noite de amor. Aliás, outro fenómeno talvez intimamente relacionado com estes dados prende-se com a onda cada vez mais significativa de divórcios e separações nos casais em que um dos elementos é corredor e o outro não pratica qualquer desporto .

As razões podem varias, mas uma delas prendesse com a alteração que um entusiasta da corrida tem fazer no seu dia a dia, face, ao prazer sempre crescente que encontrão percorrer longos e variados quilómetros.

Esta análise encontra eco, igualmente, no testemunho de esposas que são peremptórias em afirmações do seguinte género: “Há alguns meses que as nossas relações andavam frias. O meu marido embrenhava-se nos treinos e quando chegava a casa era para descansar, ver as suas revistas e marcar no seu diário de treino a quilometragem acumulada. Enfim”tudo ia cada vez pior entre nós, mas, quando ele se lesionou, há umas quatro semanas, tudo se alterou e o bom ambiente voltou ao nosso lar.

Agora, quase chego a desejar que a lesão que ele tem no joelho nunca mais apresente melhoras para que, assim, o meu marido possa dedicar mais atenção ao lar e à vida conjugal”.

Este género de opiniões são um facto real e uma queixa de muitas companheiras dos atletas, independentemente de serem ou não de categoria internacional. Outra esposa de um corredor de pelotão  “Será que os maridos corredores nunca se preocupam com as companheiras que, domingo após Domingos, os esperam na linha da meta? engraçado ir às provas de vez em quando; porém, centrar todos os dias da semana na presença nesta ou naquela competição, é exagero e até tira sentido à vida. Numa tentativa de aproximação conjugal, resolvi iniciar-me na corrida, mas foi bem pior pois o meu marido-treinador estava sempre a aconselhar-me .. Depois, os conselhos passaram a reprime, tais como “não comas isto” “vai cedo para a cama”, “podias ter corrido um pouco melhor”, etc ..

Como se verifica, nem tudo são rosas quando, num casal, um dos seus membros é atleta, mas também  será bom que este nosso artigo ,sirva de luz vermelha a alguns parceiros mais egoístas, levando-os a procurar um melhor sentido na prática desportiva, que deve ser sempre entendida como uma tentativa de equilíbrio na qualidade de vida de cada um, em vez de factor de desunião entre as pessoas.

Mas passemos a outro aspecto interessante relacionado com as dúvidas que, muitas vezes, assaltam os espectadores (e não só … ) quanto ao sexo do desportista. Todos estão de acordo em que uma maratonista, mesmo que seja atraente como mulher, possui um tipo físico onde forçosamente deverão predominar músculos longilíneos, para além das “formas” dos seios e ancas terem de ser reduzidas. O treino regular a que se submete durante anos irá condicioná-la a isso, pelo que não se espera ver alinhar partida de uma prova de fundo qualquer atleta de tipo Marilyn Monroe ou Brigitte Bardot …

Da mesma forma que não é plausível o aparecimento de uma lançadora magra, tal não obriga, porém, a que, muitas vezes, ao observarmos certas atletas femininas, não tenhamos de considerar a hipótese de estarmos perante geno tipos de traços masculinos. Não será verdade que muitos dos recordes obtidos por atletas do sexo feminino correspondem a desportistas que justificam perfeitamente as dúvidas a que nos referimos?

A determinação do sexo dos participantes é norma obrigatória nas principais competições internacionais e é vulgar que as novas atletas entradas para o circuito da Alta Competição tenham de se submeter ao teste respectivo . Tal situação, hoje simples rotina, começou a surgir nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, e tinha por objectivo tentar criar uma unificação precisa face aos modernos conhecimentos clínicos.

A determinação do sexo consiste na procura da cromatina sexual (Corpúsculo de Barr) e, ao mesmo tempo, num teste fluorescento.para detectar a presença de um cromossoma Y. No caso dos dois anteriores testes não serem concludentes procede-se a um Na prática, todos estes exames são extremamente simples para a atleta e consistem apenas na recolha de um simples cabelo ou na extracção de um pouco de saliva. No  primeiro caso, examinam-se as células em divisão da raís do cabelo, enquanto que no segundo está em causa a avaliação das células da saliva. Os exames citológicos são rápidos e seguros. Assim, é fácil sabermos se as atletas que participam nas grandes competições são mesmo mulheres, isto é, se possuem características cromossónicas femininas. Todavia, nada transparecerá quanto a possíveis comportamentos homossexuais .

A MELHOR MEDALHA

E certo que face a carga socio-económica que o sexo feminino representa, não deixa de ser natural que a esmagadora maioria das senhoras atribua elevada importância ao aspecto físico, em deprimento de possíveis boas marcas a obter em competições desportivas. No fim, é um pouco na perspectiva de “a melhor medalha a conquistar é um bom companheiro ·para a vida!”. Assim, não admira que muitas corredoras possuam uma melhor noção da relatividade que a prática desportiva deve merecer, facto nem sempre do agrado dos atletas masculinos. Estes, uma vez interessados numa modalidade desportiva, aceitam a respectiva participação como se tratasse de uma luta, como se fosse necessário, bem no estilo bem conhecido de machão, provarem alguma coisa cada vez que terminam uma prova. Sim, em termos gerais, os homens são mais do género “vejam do que eu sou capaz!’ , enquanto que as mulheres, por sua vez, serão mais susceptíveis do “eu também posso fazer”.

Em todo o caso, a experiência mostra que a presença do companheiro(a) corridas traz “qualquer coisa” ao equilíbrio desportivo dos intervenientes e, consequentemente e obtenção de melhores resultados.

E certo que nesta aproximação, desejável na altura das competições, resvalamos para a velha questão de saber se, afinal de contas, é ou não aconselhável a prática de relações sexuais na noite anterior a uma prova em que se vai participar. Estamos em crer que o possível défice energético que ísso ocasiona irá compensar largamente a frustração de uma “proíbição”, muitas vezes sem a mínima razão de ser . Enfim, ao oncluirmos, importa desejar que cada corredor fique com perfeita noção de que, até na área sexual, o equilíbrio deve ser norma a ter sempre bem presente, única forma, aliás, de se destruírem muitos dos tabus ainda existentes.

Texto de:Jane Wilson, de nacionalidade americana, é uma jornalista cujos trabalhos têm surgido nas principais publicações da especialidade.