Dieta macrobiótica e o atleta

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    Cada vez mais surgem novas alternativas alimentares e novos conceitos e por vezes desconhecemos as bases destes conceitos alimentares e de certo modo, ficamos sempre desconfiados quando nos cruzamos com alguém com uma alimentação mais restrita, e quando desportista ainda mais apreensivo se fica pois pensa-se logo que poderá haver carências alimentares.

    Mas será mesmo assim? Afinal o que é a macrobiótica?

    A palavra macrobiótica tem origem no grego (macro= grande e bio=vida) e significa grande vida ou a arte de grande vida com saúde e alegria.

     

    A base desta arte culinária é o conhecimento da bipolaridade de todas as manifestações da vida. Há 5000 anos, os chineses deram às forças bipolares da vida o nome «yin» e «yang», que podem ser classificadas como a mão direita e a mão esquerda da criação. Embora sejam dirigidos um ao outro, atuam em conjunto e trabalham na mesma obra. Se o yin ficar mais fraco o yang torna-se mais forte e vice-versa.

    O yin significa o passivo, o leve, o feminino, o dissolvente, a dilatação, a força centrífuga, o inverso, o frio etc. pelo contrário o yang significa o ativo, o pesado, o masculino, o princípio ordenador, a contração a força centrípeta, o verão, o calor etc.

    A alimentação macrobiótica defende um equilíbrio entre estes dois conceitos, ou seja se ingerirmos um alimento mais yin deveremos compensar a dieta com outro alimento mais yang. Os alimentos ideais para a macrobiótica são os que se aproximam de uma relação sódio/ potássio semelhante ao nosso organismo, isto é, 1 parte de sódio para 5 partes de potássio.

    Nos cereais os fatores yin e yang estão bem equilibrados, por isso o cereal deve ser o núcleo central da alimentação macrobiótica, além dos cereais os macrobióticos usam os legumes, as leguminosas e as frutas para completarem as suas necessidades alimentares. Nestes alimentos há um ideal dos fatores yin e yang e relação sódio/ potássio.

     

    Embora a macrobiótica tradicional não permita o uso de produtos animais, hoje em dia muitos macrobióticos usam pequenas quantidades de alimentos ricos em proteínas animais com o intuito de suplementar as proteínas vegetais.

    A alimentação macrobiótica deverá ser composta diariamente pelos seguintes alimentos:

    • 50% de cereais integrais em grão e com preferência para o arroz
    • 30% de vegetais de folha e raízes
    • 10% de leguminosas (grão, feijão, lentilhas etc) com algas
    • 10% de produtos animais (de preferência peixe) e de fruta

    Toda a gordura deve ser vegetal. A provisão mais segura em vitaminas e minerais será atendida pelo sal das cozinhas bem como por legumes, pequena quantidade de fruta e amêndoas, nozes, cajus, pinhões, corintos e sultanas. As frutas deverão ser de preferência castanhas, peros e maças no inverno; e melancia, melão, uvas, peras, e pêssegos no verão. E ainda damascos, cerejas, amoras, morangos na meia estação. Privilegiam preferencialmente as frutas da época. Evitam bananas, laranja, ananás, abacate e figos.

     

     

     

    Evitam ingerir líquidos durante a refeição e dão preferência à água dos alimentos e a chás digestivos após as refeições.

    Os macrobióticos defendem que as refeições devem ser realizadas num ambiente calmo, cómodo, onde o individuo possa tomar verdadeira consciência da importância da alimentação para a preservação da sua integridade física e psíquica.

    A mastigação é um ponto muito importante onde deve ser feita calmamente e só após 50 mastigações é que se deve engolir para uma boa digestão dos alimentos.

    Agora pensamos nós…50 mastigações?!!! O mais comum é nós mastigarmos tão rápido que quase nem saboreamos o alimento…verdade? E depois ficamos cheios, maldispostos e fartos…acho que muitos de nós nos revemos nesta situação, não??

    Os macrobióticos não usam na sua dieta os seguintes alimentos: açúcar de mesa, café, chá não natural, leite, bananas, tomates, algumas frutas, margarina, vinagre, chocolate, cacau, farinhas refinadas, fermentos artificiais, sopas instantâneas, produtos de charcutaria, mostarda, «ketchup» e todos os produtos não naturais. Defendem ainda que na produção dos alimentos estes devem ser o mais natural e frescos possíveis, evitando assim pesticidas, fertilizantes, hormonas etc.

    O que achamos nós, com um conceito alimentar diferente desta dieta? E desportistas? Devemos adotá-la?

    Pessoalmente tenho uma opinião muito particular, mas primeiro vou dar a opinião do autor que diz que este tipo de alimentação baseado em teorias filosóficas orientais são de difícil compreensão para nós ocidentais habituados a estudar o corpo do ponto de vista científico, e não compreende a sua aversão a alguns alimentos como tomate, batata ou laranja com benefícios comprovados para a saúde e com um excelente aporte de nutrientes. Ou como a restrição completa de produtos animais, como ovo ou carne. No entanto, expeto estas alimentos o autor concorda que este estilo de alimentação diminuiria a quantidade de maleitas no organismo devido à atual dieta cheia de produtos refinados e carregada de sal e produtos transformados e que a adoção desta dieta faria as pessoas mais felizes e saudáveis.

    Eu particularmente enquanto atleta e com uma alimentação semelhante à macrobiótica mas não tão rígida, (evito produtos transformados, não como carne, não bebo leite, não como fritos etc) sem dúvida que acho que ela nos traz benefícios, em termos de bem-estar físico e sem dúvida que é muito mais saudável e nutritiva. Mas acho que não devemos adotar uma dieta só porque «está na moda» ou por outro motivo que não seja o bem-estar físico de cada um e a identificação com o conceito, não devemos ser extremistas e por em causa o nosso bem-estar.

    O facto de não comer estes alimentos prendem-se sobretudo com o meu bem-estar e não propriamente com o conceito alimentar, mas uma coisa é certa se me sinto bem é porque há credibilidade neste conceito.

    Como tal acho importante o ambiente calmo e tranquilo, durante a refeição a mastigação ser pausada, os alimentos serem bem selecionados, o aporte forte de nutrientes por parte dos vegetais e cereais, evitar as gorduras transformadas e fazer uma alimentação mais natural possível, mas se adorar comer bananas ou laranja e estes alimentos não lhe fizerem mal acho que os deve comer, pois são benéficos para o organismo e como disse anteriormente não devemos ser extremistas, agora se não se identificar com eles e quiser ser macrobiótico «à séria» força;=) Experimente e sinta a diferença dentro de si…

    E posso ter esta dieta enquanto atleta?

    Sem dúvida que sim, desde que faça uma alimentação o mais variada possível para ir buscar uma boa quantidade de nutrientes, será com certeza mais feliz e saudável. Experimente comer com muita calma e num ambiente bem tranquilo e sinta a diferença.

    Boa alimentação e muitos bons resultados nas corridas…

    Fica a sugestão para quem quiser estar mais informado:

    http://www.e-macrobiotica.com/

    Raquel Madeira
    Autor: Luís Horta- Nutição no Desporto