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Quando nascemos descobrimos o mundo com, o corpo através de sensações e há uma relação directa entre o meio ambiente e o próprio indivíduo. Mais tarde, o Homem intelectualiza-se e toma certas distâncias em relação ao seu próprio corpo e se tal intelectualização acaba por vir a proporcionar uma evolução mais significativa, a verdade é que não se pode dizer que haja qualquer separação entre as chamadas coisas do corpo e as do espírito.

A corrida e o treino físico em geral estimulam os músculos e estes, por sua vez, mediante a sua actuação, acabam por estimular o próprio cérebro. Sabe-se nos dias de hoje que um corpo super-activado fica mais presente numa perspectiva 14 cerebral, já que o movimento estimula uma zona precisa do cérebro, ou seja, exactamente a da sensibilidade. Cada gesto envia uma mensagem e esta excitação acaba por se transmitir, logo de seguida, a todo o cérebro.

Que não hajam dúvidas: a corrida provoca muitas vezes ao praticante modificações sob o ponto de vista mental e de personalidade, acabando muitas delas por acarretar outras modificações que permitem compreender melhor as complexas relações que se interligam nos sectores físicos e mentais. Na realidade, a maioria dos corredores afirma que registam melhorias físicas através da prática da corrida e também outras de carácter psíquico, tais como um estranho aumento da energia mental e da capacidade de concentração e reflexão .

Os benefícios de tudo isso não se revelam, em grande número de casos, logo após a realização da corrida, mas, sim, em certos momentos no decorrer do esforço ou algumas horas depois do mesmo ter sido efectuado. Vários são os psicólogos que verificaram poder ser a corrida uma espécie de remédio contra a ansiedade, principalmente nas sociedades em que uma boa parte dos indivíduos apresenta tendência para estados de natureza depressiva, funcionando esta modalidade desportiva como que uma espécie de psicoterapia particularmente eficaz. Qualquer corredor de fundo sabe que, nos momentos decisivos, a sua força mental, o seu querer, acaba por marcar a diferença no resultado final. Sim, não hajam dúvidas, a força da mente é tão importante como as “outras” … Até há alguns anos atrás, pensava-se que tal força não poderia ser “treinada” e, no entanto, a verdade é que se vão atingindo sempre novos níveis superiores de actuação.

É um pouco como a história da garrafa meia cheia: para uns ela está mesmo assim, enquanto outros acharão estar a garrafa meio vazia. Os primeiros ficarão englobados no grupo dos desportistas optimistas, ao passo que os segundos terão forçosamente comportamentos de natureza pessimista.

A CORRIDA COMO TERAPIA

O psiquiatra californiano Thaddeus Kostrabala foi um dos primeiros a exercer um tipo de psico-terapia, utilizando o “jogging” entre os seus pacientes. Para ele, a corrida torna-os mais dialogantes e acaba por apagar certas barreiras sociais que normalmente existem entre o terapeuta e o paciente que está sentado num sofá do seu consultório. No seu livro “The Joy of Running”, Kostrabala afirma estar convencido de que o “jogging” é um método de terapia de grande futuro, podendo operar verdadeiros milagres face aos habituais processos de actuação psiquiátrica, muito centrada na ingestão de pílulas e comprimidos. Para este psiquiatra, quando se inicia um treino de corrida verificam-se, regra geral, os seguintes dois contra sensos:

1. Nos primeiros’ 20 minutos de esforço, as pessoas sentem-se invariavelmente desconfortáveis e, por vezes, até deprimidas;

2. Por volta dos 40 a 60 minutos, se se encontram em boa Forma, assumem comportamentos eufóricos, de prazer interior, os quais podem surgir de um momento para o outro.

Num estudo levado a efeito por psicólogos na Universidade de Wisconsin (Estados Unidos) e que envolveu pacientes depressivos, a maioria deles, após 30 a 45 minutos de corrida lenta realizada três vezes por semana, apresentava maior facilidade de expressão verbal e de comunicabilidade para com o médico, verificando-se uma nítida redução da ansiedade, das insónias, da irritabilidade e da inquietude. Por exemplo, num outro trabalho realizado, desta vez, na Universidade da Califórnia, dividiram-se os pac ntes em dois grupos. Ao primeiro, ministrou-se uma dose de 400 miligramas de “Meprcbamate”, um tranquilizante muito conhecido, enquanto o segundo recebia comprimidos da mesma cor e formato, mas apenas com miolo de pão no seu interior.

Os indivíduos deste último grupo foram convidados a correr muito lentamente durante 30 minutos e os resultados mostraram que a sua tensão e irritabilidade diminuíram muito acentuadamente, em comparação com os seus colegas a quem tinham sido ministrados tranquilizantes. O psiquiatra Ronald Lawrence diz-nos: “A depressão ligeira é uma doença muito frequente nas sociedades modernas, mas pode ser tratada de maneira muito significativa através da realização de exercícios de Endurance praticados lentamente” É ainda esse especialista que afirma ter começado em “Malibu Beach” uma série de “terapias” de corrida e conversa com pacientes nevróticos, elevando-se o custo individual dessas sessões a 75 dólares por hora. Os resultados foram muito animadores, afirmando esse clínico que “o jogging é um meio rápido para se atingir o inconsciente …

O Ser Humano estava destinado a ser nómada e, no entanto, a sua evolução conduziu-o ao estado sedentário. A corrida de fundo pode levar-nos inconscientemente aos estados iniciais da nossa presença na terra e tenho até verificado que certos maratonistas têm um comportamento estranho entre os 22 e os 26 quilómetros, falando em voz alta ou recordando cenas de infância, enquanto manifestam estados de grande sensibilidade”. Por sua vez, o Dr. Brown, do “National Institute of Mental Health”, diz-nos: “Para os casos de depressão nervosa, a prescrição de exercícios de Endurance é muito melhor aceite do que o recurso a medicamentos tradicionais”. O “Jogging” pode ser, e tem sido, também utilizado como terapia no combate a um estilo de vida cada vez mais longe do que se registava há séculos atrás. Nos dias de hoje, com o trepidante estilo de vida que se leva, é fácil cair-se em tensão nervosa, representando cada hora um verdadeiro combate, o qual, ao fim de poucos meses, apresenta traços bem traumatizantes. Para sair dessa “caixa”, a solução terá de passar pelo exercício físico, ou melhor, por uma prática desportiva individual, diretamente relacionada com a condição física que se atravessa, constituindo a corrida um ótimo meio para se conseguir tal objectivo.

Poder-se-á pensar que outras formas de esforços de Endurance poderão constituir igualmente opções válidas, mas não podemos esquecer os trabalhos do Dr. William Stone, segundo os quais, num grupo que fazia corrida e marcha, os seus elementos apresentaram-se mais descontraídos e independentes após 14 semanas de preparação, comparativamente a um outro, ocupado em treinos de 40 km de ciclismo três vezes por semana, e que, no final, não apresentavam grandes alterações em termos de personalidade, com a particularidade de demonstrar igualmente nítida tendência para situações agressivas e tensas, muito contrária à que apresentavam os seus colegas corredores.

A CORRIDA COMO DROGA?

Para certos especialistas, a corrida prolongada atua como que uma espécie de droga, já que aumenta a produção de endorflnas, substância natural que toca de perto as áreas da sensibilidade e da dor. Na realidade, a produção de endorfinas aumenta de forma impressionante no sangue dos desportistas que se encontram em pleno esforço de longa duração, o que explicaria, pelo menos em parte, o motivo por que certos indivíduos dão a impressão de não se preocuparem com ferimentos que lhes possam surgir quando estão em pleno esforço físico, assim como uma certa euforia que apresentam a partir de determinados momentos de corrida. Na realidade, as endorfinas actuam como se fossem uma espécie de “narcótico” que o cérebro elabora sob diferentes formas. Assim, no decorrer do esforço, o teor das’ diversas endorfinas aumenta, estando provado que o seu excesso contribui para diminuir o apetite e para um certo desinteresse sobre outros aspectos do dia-a-dia. Por outro lado, e muito estranhamente, actua no indivíduo com tal profundidade que o leva a um sentimento de … imortalidade! Quanto melhor é a Forma, quanto mais longos são os treinos efectuados, mais o atleta fica com a ideia que nada lhe pode acontecer.

O que pensar desta especie de intoxicação? A prática do “jogging” conduz os interessados a um estilo de vida diferente do da maioria dos cidadãos comuns, mas há a considerar que os excessos de uma coisa boa pode vir a tornar-se numa outra muito má, devendo os adeptos da corrida ficar vigilantes quanto a possíveis excessos. Conhecemos actualmente certos corredores que apenas vivem para a sua própria actividade física. Para eles, nada mais tem interesse e a corrida tornou-se, em certa medida, uma formã ‘il.e compensação, ( compensação dos problemas ‘profissionais, da sua vida familiar, etc .. – Está cientificamente demonstrado que esta “euforia” do corredor se, manifesta em pleno esforço, quando a temperatura interna aumenta um grau centígrado, ou seja, após 20 minutos de corrida, variando a estimulação da secreção das endorfinas de indivíduo para indivíduo. Perante este quadro, isto é, utilizando-se uma coisa que se apresentava como boa, os praticantes acabam por se tornar agressivos, com necessidade de libertar energias e pressões acumuladas, tal como acontecia inicialmente com os chamados pacientes depressivos mencionados no início deste artigo. Felizmente que nem todos os corredores fazem parte dessas categorias, já que a maioria deles apresenta uma vida normal e com grandes reservas energéticas para as múltiplas componentes da vida moderna.

Num grupo de adeptos da modalidade é fácil ouvirem-se frases do género “corro porque gosto disto” ou “sinto-me bem depois de uma corrida” ou, ainda, “quando não corro, sinto uma grande falta” …Estes testemunhos revelam a presença daquilo a que os psiquiatras denominam de “adição”, por outras palavras, todo o indivíduo que segue um programa de corrida durante seis meses acaba por ficar dependente, em certa medida, das chamadas endorfinas. Para cada um existe uma dose certa, mas o problema é que tal dose só se liberta no organismo depois de 20 a 40 minutos de corrida lenta. No fim, é aquilo a que o Dr.Art Mollen chamou de “L.S.D.”, ou seja, “Long Slow Distance”

 Importa salientar que esta necessidade, só compreendida por quem se dedicou à corrida durante meses, acaba por se assemelhar a uma certa droga, qual intoxicação que faz aumentar os pelotões e que deixa espantados os cidadãos sedentários, os quais, na maioria das vezes, fazem a si próprios a seguinte interrogação:

A CORRIDA E A MUDANÇA DE PERSONALIDADE …

Os Drs. Ismail e Trachtman, da “Purdue University”, Estados Unidos, publicaram na revista “Psychology Today” o resultado de um trabalho que envolveu indivíduos antes e após quatro meses de treino de corrida. A base foi a tabela de “Cattell 16 Personality Factor” e as conclusões foram as seguintes:

Registe-se que no início do programa levado a efeito, os indivíduos não eram capazes de correr mais do que 500 Metros e que, após quatro’ meses, já faziam 5 km de corrida por dia.

“Mas que prazer se pode sentir quando se corre 20 quilómetros?” A resposta está muito bem escondida no cérebro do corredor de fundo! …

EM QUE PENSAM OS CORREDORES?

Vários são os trabalhos levados a efeito nesta área e um dos mais recentes, envolvendo peritos da Universidade de Bruxelas e 525 indivíduos, possibilitou o apuramento e distribuição das seguintes percentagens quanto aos pensamentos dos que correm:

– 71,1, no andamento da corrida;

– 59,5, nas belezas da paisagem;

– 32,6, no estilo que utilizam na corrida;

– 31,6, nas preocupações do dia-a-dia;

– 18,6, noutras coisas.

Estes resultados indicam que a grande maioria dos corredores vigia de forma muito particular o ritmo imposto na corrida, o que é um bom sintoma, já que, desta forma, ficam à “escuta” das sensações do seu corpo. A beleza da paisagem revela que pensam no que observam em plena corrida, o que acaba por obrigar o corredor a contemplar a Natureza de forma especial. Enfim, estes dados expressos pelos desportistas inquiridos revelam que em lugar de praticarem a sua modalidade preferida “adormecidos”, estão, muito pelo contrário, bem despertos e atentos ao que se passa no exterior e, sobretudo, no interior do seu organismo.

Como vão longe os tempos em que se dizia que os atletas, quando em plena corrida, não pensavam … Claro que para as boas sensações surgirem, quando se corre há que ter em atenção as particularidades em que isso acontece (No n°.l03 publicámos um interessante artigo intitulado “Como Explorar as Forças do Pensamento nos Esforços Prolongados”). De acordo com o Dr.William Glasser, os seis pontos fundamentais a considerar são os seguintes:

1. Correr sozinho.Para ficar em situação apta a pensamentos individuais, bom será que se esteja a correr sem a presença de companheiros. O corpo está liberto para nós e não para qualquer troca de impressões com os outros;

2. Simplicidade. Correr em locais fáceis, que nos levem do ponto A ao ponto B sem necessidade de estarmos com atenção ao tráfego ou preocupados em nos perdermos. Todos os aspectos da atenção devem estar virados para nós próprios;

3. Ir devagar. Correr a um ritmo de “steadystate”, ou seja, em perfeito equilíbrio de oxigénio, num ritmo que seja tão fácil como a própria fase de inspiração e expiração (regra geral, o pulso está entre 120 e 140 pulsações por minuto);

4. Não há mais ninguém. Estar atento ao corpo e não a quem corre ou anda junto de nós. A mente deve estar liberta de qualquer intuito competitivo, mesmo que este seja o de apenas passar quem está à nossa frente;

5. Tão há tempo. A corrida tanto pode demorar meia-hora como meio-dia. O indivíduo está em esforço até que isso continue a dar-lhe -prazer e não “preso” aos ponteiros dos minutos e das horas;

6. Mente liberta. Há que ir para o treino sem preocupações. Os problemas ficam no balneário e o importante é só o momento da corrida que se aproxima. –

I Perante as seis situações acima referenciadas, é fácil ao corredor experiente “voar para outro mundo”, principalmente quando está em boa condição fisica e corre há, pelo menos, 45 minutos. Nesse momento, e se houve o cuidado de se seguir os seis pontos indicados pelo Dr. Glasser, é fácil, e como por magia, Reabrirem-se pequenas janelas IT no cérebro do atleta. Subitamente, surgem pensamentos ou soluções que estavam bem lá no fundo e que se julgariam difíceis de poderem aparecer O mais curioso é que tudo isto acontece sem ser esperado.

Por exemplo, imaginemos que trabalhamos num grande armazém e temos de guardar umas caixas de mercadoria que chegaram. Nesse momento, idealizamos onde as colocar e, até que esse serviço seja executado, “damos ordem” ao nosso cérebro para não pensar mais no assunto. Os dias podem passar e, num belo treino, em vez da disposição das caixas idealizada na primeira vez, surge-nos uma outra muito mais fácil e vantajosa.

Que mecanismos terão actuado para que isto acontecesse? Enigmático, também é o facto de tal fluxo de soluções posteriores envolver tanto os indivíduos de grande nível intelectual como os de menor ínstrução. “As melhores ideias surgem quando estou a correr!” Esta afirmação é referenciada por vários especialistas e nas áreas profissionais mais diversas, o que não deixa de constituir um aspecto curioso. Até que ponto é que estas forças da mente podem levar-nos a descobrir os nossos limites físicos? O fisiologista Keith Henschen é de opinião que “as marcas são obtidas com 90% de esforço físico e 10% de actividade mental. Há muito caminho a percorrer na área das forças da mente e o problema é que ainda não se descobriu como actuar de uma forma sistemática”.

Os treinadores ou dos atletas, é fácil concluir que, muito mais do que 90% do seu tempo é dedicado a factores de ordem física, deixando de lado aspectos de natureza psicológica, tal como se essas áreas pouca influência tivessem no resultado final. Todavia, o que acontece é exactamente o contrário. O Ser Humano não é 50% físico e 50% mental e tudo está interligado.

O problema é que centenas de métodos de preparação só querem apostar naquilo a que se  chamar de físico. A propósito, será quê o”lenor-corredor já pensou em educar os seus pensamentos em plena corrida? As questões relacionadas com a relaxação e a concentração dos pensamentos positivos também dispõem do seu “treino” e a verdade é que a esmagadora maioria dos que correm nem perde um minuto com tal pormenor, quando os ganhos poderiam representar alguns deles a menos na competição

PORQUE CORREM AS PESSOAS?

O Prazer! Um tipo de prazer muito . estranho e pessoal! – responderá a maioria. Correr ao ritmo do coração que bate e soa como uma música, uma música vinda do corpo e que nos atravessa de alto a baixo, tal como se estivéssemos a ligar a Terra ao Céu … Poderíamos deixar aqui centenas de frases bonitas, expressas por corredores de todos os níveis. O filósofo Mihaly Czikszentmihalyi é de opinião que quando nos dedicamos à prática da corrida entramos numa sensação de imersão e, em tal estado, os corredores ficam completamente absorvidos por aquilo que estão fazendo nesse momento e as noções de tempo e de individualidade tomam um peso diferente, acabando por se diluírem naquele princípio de que “quando se trabalha para a Eternidade o tempo não conta”.

Nessas “alturas, o poder de concentração do praticante aumenta consideravelmente, não obstante encontrar-se em plena corrida, e vários são os atletas que comprovam possuir as melhores ideias exactamente quando se encontram a correr, ideias não só de âmbito familiar, como também de ordem profissional e outras.

Cada corredor traz consigo uma série de referências sociais, culturais, profissionais, afectivas, somáticas e psicológicas, as quais só ele conhece perfeitamente e é esse conjunto de referências que o leva a ter uma “maneira de pensar” diferente de todos os outros. Nos corredores, a introdução do vector “esforço prolongado” vai contribuir também para a abertura de mais uma pequena janela no interminável cérebro do Ser Humano. …

E NAS COMPETIÇÕES?

Quando estamos numa prova ou tencionamos entrar nela, tudo muda de figura e o chamado instinto de sobrevivência, de agressividade, assume papel preponderante  Bem vistas as coisas, quando se está em qualquer competição, existe um certo “cheiro de guerra”, mesmo no caso de sermos um modesto corredor de pelotão. Se repararmos bem, na fase de aquecimento e nos preparativos finais, todo e qualquer gesto tem um simbolismo de luta, nem que esta seja travada apenas contra nós próprios. Os organizadores da “Maratona de New York” criaram, desde 1983, uma equipa sob o nome de “Marathon Psyching Team”, composta por um grupo de 100 psiquiatras e psicólogos, e cuja finalidade é a de entrar em contacto com corredores que sofram de problemas psicológicos, tais como ansiedade, medo da dor, etc.

Para combater tais estados, esses especialistas elaboraram os seguintes 10 pontos, os quais devem ser seguidos pelos maratonistas com problemas de ordem psicológica:

1. Não se preocupe com os problemas. Regra geral, há quem se aflija com coisas que nunca aconteceram nem vão acontecer e, no entanto, já preocupam quem os idealiza;

2. Deixe os seus “medos” no balneário. Para quê “trazer à superfície” medos quando nada indica que eles vão surgir? É como tornar consciente uma coisa que está inconsciente;

3. Analise com todo o cuidado a corrida segundo os seus pensamentos. Antes do tiro de partida, “veja o filme” da prova, tal como pensa que ela vai decorrer e reserve um certo sentido de humor para os momentos críticos e de maior esforço;

4. Imagine o seu corpo como uma máquina . Feche os olhos e procure inspeccioná como se o fizesse a um motor na oficina. Mentalmente, veja como estão os dedos e os próprios pés, as pernas, etc.;

5. Preste atenção ao que vai vestir. Para uma competição, há que ir bonito e ter orgulho daquilo que se usa. Existem corredores que gostam de cores berrantes, mas também há aqueles que preferem as cores sóbrias, como o azul e o preto;

6. Imagine que, para si, chegou finalmente o dia de ?a grande corrida e do tal resultado que aguarda desde há muito. Não parta vencido e mesmo que o seu ritmo seja muito lento, pense que vai ser um dia muito especial e que a sua melhor marca na distância irá ficar muito atrás da que for registada quando atravessar a linha de meta;

7. Atribua grande importância à música. Nas horas que antecedem a competição, procure escutar calmamente a sua música preferida, pois está provado ser factor que favorece de forma muito particular a relaxação dos desportistas;

8. Faça exercícios de relaxação no aquecimento. Uma coisa é correr para aquecer e outra é saber descontrair-se calmamente com exercícios de flexibilidade e alongamento. Recorra a esses esquemas, o que fará aumentar a sua autoconfiança;

9. Procure manter sempre pensamentos positivos. Participar numa competição não constitui nenhuma desgraça. É, isso sim, um desafio pessoal, uma aventura, que poderá contar mais tarde. Deixe os pensamentos negativos bem longe de si.•

Pelo Dr. CLAUDE FISHER
Revista· MAIO· .JUNHO 2013