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Entre nós existe o «mito» de que as proteínas animais, e principalmente a carne, são o alimento ideal para os atletas e que só elas lhes podem dar a força necessária para vencer.

O peixe nem tanto, pois o povo costuma dizer: «Peixe não puxa carroça». Já vimos atletas de elevado nível mundial e os seus treinadores defenderem publicamente que o bife com batatas fritas e ovo a cavalo é que era bom, pois o atleta x obteve bons resultados com este tipo de alimentação.

Nós dizemos que não foi pelo facto de comer bife com bata-tas fritas e ovo a cavalo que o atleta x obteve bons resultados, mas por-que ele é tão bom que mesmo comendo bife com batatas fritas e ovo a cavalo antes da competição, continua a ser o melhor. Este tipo de refeição não é a ideal para a fase pré-competitiva, pois tanto o ovo como o bife são ricos em proteínas e gorduras saturadas.

As proteínas são.pouco importantes como nutrientes energéticos e os ácidos gordos que participam no metabolismo energético são na sua maioria insaturados.

Ora o bife é, essencialmente, rico em ácidos gordos saturados e em proteínas e, por isso, é um alimento pouco importante como fornecedor de energia para o atleta. Além disso, as reservas de ácidos gordos no tecido adiposo chegam e sobram para satisfazer as necessidades energéticas durante a actividade competitiva.

Nesta refeição faltam os glúcidos, que apenas existem nas batatas que, para agravar, são fritas Como sabemos, os glúcidos são os principais nutrientes energéticos e as suas reservas orgánicas são por vezes insuficientes durante a actividade física. Uma refeição como esta, rica em gorduras, é difícil de digerir, prolonga a digestão, correndo-se o risco de iniciar a competição em fase digestiva.

O «mito» existente entre nós de que o alimento proteico dá força e é o melhor para fortalecer o atleta para a competição, o operário para o trabalho e o soldado para o comba pode estar relacionado com a semelhança estrutural entre os músculos que executam o exercício físico e os músculos dos animais que ingerimos.

Pode existir, igualmente, uma relação entre o facto dos atletas serem geralmente oriundos de níveis sociais baixos e na sua infância olharem para a carne como o alimento bom e caro que só os ricos podiam comprar. Na idade adulta, as condições económicas melhoram e surge a compensação, pois o fruto proibido é sempre o mais apetecido.

Não nos esqueçamos que nem sempre os alimentos mais caros são os melhores. Os ricos comem por vezes pior que os mais desfavorecidos, pois ingerem muitas proteínas e gorduras em detrimento de alimentos ricos em glúcidos, vitaminas e sais minerais. Em conclusão, as proteínas são um alimento importante, mas não devemos exagerar o seu uso na dieta do atleta ou de qualquer outro indivíduo

 

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