Gerês Extreme Marathon 2019 – por Ana Amaro

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Decorreu ontem, dia 1 de dezembro de 2019, a Maratona de estrada mais dura do mundo, a Gerês Extreme Marathon, organizada pela Carlos Sá Nature Events® com o apoio da Câmara Municipal de Terras de Bouro. 

Do evento constavam provas com distâncias aproximadas de 42 km, 32 km, 21 km e 14 km, não estando, no entanto, ainda homologadas pela Federação Portuguesa de Atletismo.

A equipa Aminhacorrida participou com dois atletas na distância de 42km que decidiram pela segunda vez participar nesta prova da qual têm excelentes recordações.

Chegámos à Vila do Gerês no sábado e fomos logo levantar os dorsais. Do kit fazia parte um par de meias e uma tshirt com uma frase bastante motivadora: “ Posso não vencer todos os dias, mas luto sempre” . Uma bela motivação para a dureza que nos esperava.

Entretanto fomos fazer o reconhecimento da primeira parte do percurso. O carro teve dificuldade em subir os primeiros sete quilómetros o que dá para ter uma noção da inclinação desta interminável subida.

Choveu durante toda a noite pelo que foi com algum espanto que verificámos que o dia nasceu com algum nevoeiro mas com o céu limpo!! Durante a prova fomos brindados com um sol maravilhoso.

 

Ao encaminharmo-nos para a partida fomos tomando contacto com toda a envolvência da prova, fomos encontrando caras conhecidas e começando a ficar contagiados com toda a alegria que pairava no ar.

Às 9 horas lá partimos, juntamente com os atletas dos 21 km mas passados uns metros deu-se logo a separação das duas distâncias. Relativamente à maratona, voltámos a passar no pórtico da partida onde fomos acarinhados por uma pequena multidão que nos gritava palavras de força!!! Foi arrepiante este momento…Ao fim de poucos metros já estávamos a trepar  a primeira parede rumo à conquista da Pedra Bela. Para completar esta subida fabulosa foram necessários cerca de 6 quilómetros. É engraçado ver os primeiros atletas que passavam por nós em sentido inverso, parecendo que  tinham perdido os travões, tal a velocidade que levavam. Chegados à Pedra Bela tivemos o primeiro abastecimento onde ganhámos energia para nos lançarmos à descida. E que bom que é deixar-nos ir pela estrada abaixo ao som da água a correr pelas cascatas. 

Algumas maratonas de montanha têm apenas desnível positivo, a Gerês Marathon tem além do desnível positivo, o desnível negativo que causa grande impacto tanto a nível muscular como articular, mas que permite aos atletas atingir velocidades absolutamente incríveis nas descidas.

Terminando a descida voltámos a subir e esta subida tornou-se menos penosa graças ao ambiente que nos rodeava, o som da água que corria no rio Gerês e pelas encostas abaixo dava-nos o impulso para continuarmos montanha acima!

Voltámos a descer até entrarmos na mágica Mata da Albergaria que nos envolveu com a sua beleza outonal e onde os cheiros e as cores faziam esquecer o esforço que despendemos para chegar até aqui.
Os quilómetros caíam no Gps e lá continuávamos nós a acelerar um pouco para aproveitar este troço do percurso menos montanhoso. Ao longo deste percurso fomos bebendo a água fresquinha que tínhamos à nossa disposição nas fontes naturais que por ali existem.

E os quilómetros foram passando até que dois senhores nos dizem que dali a uma hora estaríamos a comer a bela da sopa do Pote. Ganhámos algum ânimo para fazermos as restantes subidas mas sempre gerindo o esforço pois sabíamos bem que tínhamos de ter energia para fazer os últimos 7 quilómetros a descer para a meta.

A nossa mente ao perceber que a partir daquele momento seria  “só” descer até à meta ganha um novo animo. No entanto, todas as mazelas que estavam meio camufladas vieram à tona com o impacto da descida. Começaram as dores nos pés, nas virilhas, os músculos a estremecer… mas a vontade de cruzar aquela meta era mais forte e por isso foi com uma imensa alegria que acelerámos para a meta onde fomos recebidos num clima de grande alegria!

Depois de receber a tão desejada medalha fomos aquecer a alma e o corpo com uma deliciosa massa de atum e com a famosa sopa do Pote servida por duas simpáticas senhoras.

Esta prova é um enorme teste de resistência e de coordenação de energias. Os atletas têm de conseguir gerir a mente não permitindo que o cansaço se sobreponha à vontade de terminar. 

Aminhacorrida agradece à Carlos Sá Nature Events® pela parceria estabelecida e dá os parabéns por mais uma extraordinária prova num dos lugares mais bonitos do nosso país!