Idade impõe restrições

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Todos aqueles que foram pioneiros na prática da corrida em Portugal e que ainda se encontram em actividade estarão agora na casa dos sessenta anos e já conheceram ou estarão a conhecer uma faceta diferente na sua já longa experiência de praticantes: o consultório médico. Efectivamente, quem chega a estas idades e persiste em querer continuar a treinar como um jovem, transgredindo a velha receita de três, ou mesmo quatro vezes por semana, incorre no risco de desrespeitar os limites do corpo, originando lesões que podem comprometer a sua própria qualidade de vida.

Um estudo efectuado em nove países pela Mark Sharp & Dohme, laboratório americano de farmácia, demonstra que a maioria (52 por cento) das pessoas que sofrem de lesões motivadas pela prática da corrida têm mais de 50 anos. Os problemas mais comuns são tendinites, rotura de ligamentos, bursites e dores na coluna. Nestas idades não é por se intensificar o exercício que se obtêm melhores resultados.

A prática desportiva nesta fase da vida tem de ser encarada como uma actividade de lazer e terá de ser balizada por regras muito rígidas sob pena da sua prática acarretar resultados contraproducentes. Aos 60 ou 70 anos, por mais que se deseje, não se pode ter a mesma “performance” de um jovem de 20. E necessário ter sempre presente que a partir dos 30 anos o corpo, tanto dos homens como das mulheres, passa a produzir menos testosterona, o que diminui a resistência às lesões. Aos 45 anos, a massa muscular diminui um por cento em cada ano, reduzindo a força física e a resistência, ao mesmo tempo que os tecidos musculares começam a perder elasticidade.

Em paralelo acontece uma redução gradual da massa óssea, o que faz aumentar o risco de fracturas. Só para ter uma ideia, aos 60 anos, a massa muscular torna-se 25 por cento menor do que era aos 30. Por isso os abusos nessas idades costumam ser mais perigosos. Aos 40 anos já se demora o dobro do tempo a recuperar de uma lesão, relativamente a um jovem na casa dos 20 anos. Por tudo isto torna-se necessário ter a consciência dessas limitações e aceitar a ideia de que o corpo também envelhece e a juventude não é eterna. Sendo assim, à medida que a idade for avançando torna-se imprescindível fazer uma redução tanto na quantidade como na intensidade do exercício a praticar e, embora se goste muito de correr, é aconselhável alternar a corrida com outros tipos de práticas desportivas.

Uma boa recomendação é intercalar a corrida contínua com o ciclismo, a natação ou mesmo a musculação. Deste modo mantém-se a actividade física mas solicitam-se outros grupos musculares e outras sensações, evitando as sobrecargas de esforço, responsáveis pela maioria das lesões nestas idades.