MARATONA … Que origens históricas?

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A Maratona pela sua magia e passado. aparece no contexto das competições de Atletismo como a prova mais prestigiada do Calendário. As suas origens mitos e verdades fazem com que os participantes nesta longa corrida se interroguem sobre o seu passado histórico e daí encetarmos em breves linhas uma amostragem que certamente interessará aos corredores de Maratona e não só.

Tem esta prova um historial de quase 25 séculos, desde o ano 490 a.C. quando Darío de Perma havia conquistado Erethria aos Atenienses. A Cidade rendeu-se depois de um cerco prolongado a Hippias. tirano de Atenas que atraiçoou o seu povo passando-se para o lado do invasor. Os Persas desembarcaram num ponto perto de Atenas e os Gregos. assustados ante a iminente ameaça de destruição pela força poderosa, contactaram o seu campeão olímpico Philippides e mandaram-no ir a Esparta requerer ajuda.

O soldado correu sem descanso durante dois dias e duas noites. cruzando rios e montanhas, entregou a mensagem e Esparta prometeu a sua ajuda ao povo irmão em perigo. Quando Philippides voltou os Persas haviam desembarcado na planície de Maratona e estava-se travando uma batalha.
Um pequeno exército Ateniense de apenas 9000 homens opunha-se ao invasor com 50000 Persas.

Philippides empunhava a sua espada e o escudo lutando. O génio de Miliciades (a estratégia deste general impôs-se) e a batalha que ainda hoje em dia se considera como exemplo de táctica clássica. derrotaram os Persas e salvaram Atenas.

Reunidos em conselho, os vitoriosos generais Gregos pensaram em comunicar a notícia aos seus compatriotas que refugiados em Aerópago esperavam só desgraças. Philippides,  já esgotado pela sua viagem de ida e volta a Esparta e também pelo combate foi designado para levar a grande notícia.

E outra vez como seu escudo, o soldado pôs-se a correr os últimos 42 km que separam Maratona de Atenas,  mais precisamente 42.195 metros.

Diz a lenda que ao chegar à capital só teve forças para exclamar: «Alegrai-vos Atenien’ses! Grécia venceu». caindo morto de seguida.

Mais tarde, o Barão Pierre de Coubertin teve de vencer muitos obstáculos para convencer as nações e organizar as Olimpíadas Modernas. Dizia-se que serviriam para fomentar a desunião em vez da unidade.

O seu principal colaborador o francês Michel Bréal, teve a ideia. no Congresso de 1894, de instaurar uma corrida como recordação daquele gesto lendário do soldado Philippides, com um percurso de 26 milhas e 385 jardas. ou seja, 42,195 km, precisamente o espaço percorrido pelo soldado, unindo-se assim a história moderna dos Jogos e a idade antiga; além disso, seria símbolo de luta do próprio Coubertin que queria reunir aqueles altos ideais de valor, tal como em tempos a Grécia também desejara ardentemente a unidade.

A ideia foi aceite com júbilo e em 10 de Abril de 1896 correu-se a primeira Maratona moderna no mesmo percurso que a antiga. Um pastor de rebanhos, Spiridon Louís. incentivado pelos seus amigos, começou a correr longos percursos preparando-se para a «MARATONA». Chegou o grande dia. Foi dada a partida junto
ao túmulo levantado em Maratona. recordando os 192 Atenienses mortos pelos Persas.

No Estádio Penatenaico esperavam 60.000 pessoas entre os quais os Reis da Grécia da Sérvia, o Grande Duque Miguel. a Arquiduquesa Teresa, etc.
Toda a Grécia reuniu-se em Atenas à chamada dos Jogos Modernos, como milénios antes o faziam nos Jogos Antigos.

E o júbilo foi grande quando se viu entrar o primeiro atleta na pista: Spiridon Louís – que havia estado toda a noite anterior em oração venceu com o tempo de duas horas. cinquenta e oito minutos e cinquenta segundos, Abraçado pelos Reis.

Spiridon recebeu muitas prendas; as mulheres  estimuladas, davam as suas jóias. O povo Grego aclamou-o como um herói. Charles Maurras. inimigo declarado dos Jogos, voltou-se para o Barão de Coubertin. debaixo da emoção daquele momento e disse-lhe: «Vejo que o seu internacionalismo no desporto não mata o espírito nacional. mas reforça-o».

Pelo Prof. João Marreiros