Memória Motora.

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Já tinhamos abordado a questão da Memória Muscular. Hoje apresentamos o conceito de Memória Motora. A aprendizagem motora influi em mecanismos específicos relacionados com o seu armazenamento, a chamada memória associativa, que compreende a aquisição e desenvolvimento de habilidades motoras através da repetição de gestos proporcionando a mecanização do movimento. A sua organização deve-se, possivelmente, à plasticidade no núcleo cerebelar. Com a extinção da sua prática, ao readquiri-lo, o seu processo ocorre mais aceleradamente do que a aquisição original. Assim, a memória motora é importante, não somente para, posteriormente, executar a mesma atividade com maior facilidade, como também para a aprendizagem de novos gestos que possuem movimentos similares.

Memória Motora e Corrida

Desenvolver-se como corredor ultrapassa o universo da alimentação saudável e da boa preparação física. A história começa a ser escrita muito antes do desporto: as experiências motoras que o indivíduo tem durante a infância e a adolescência são determinantes para a qualidade das suas futuras passadas.

Do nascimento aos 6 anos de idade, a criança passa por um acelerado processo de desenvolvimento motor e, para que este seja efetivo, é fundamental que os pais deixem as crianças brincarem – em casa, em parques, em condomínios ou nas escolas. Na adolescência é quando as vivências motoras tidas na infância podem ser utilizadas para a prática desportiva de maneira formal. Nesse período, os jovens devem ter a oportunidade de praticar diferentes modalidades desportivas e, com o tempo de prática, eles escolherão os desportos com os quais possuem mais afinidade.

Os adultos são o fruto de tudo o que aconteceu durante a infância e a adolescência. Por isso, aqueles que tiveram vivências motoras adequadas serão mais coordenados e terão mais facilidade de realizar qualquer tipo de movimento.

A corrida é uma habilidade motora básica. Portanto, a corrida é aprendida e automatizada durante a infância. Quando uma habilidade motora está automatizada e quando o indivíduo passa a reproduzi-la da mesma forma por um certo tempo, cria-se aquilo que se chama de memória motora. A partir do momento em que a memória motora for estabelecida, mesmo que a habilidade tenha sido aprendida da maneira errada, ela sempre será executada da mesma forma.

E se o treinador quiser mudar a memória motora de um atleta?

Mesmo que o treino seja aplicado corretamente, o que se tem verificado na prática desportiva é que, se ocorrer alguma mudança, é muito lenta. Além disso, quando o atleta está em estado de fadiga ou quando está em situação de dificuldade, o atleta costuma utilizar o padrão motor com o qual tem mais segurança, isto é, aquele que está automatizado há mais tempo.

Assim relativamente ao desenvolvimento motor e memória motora, três inferências podem ser feitas:

1. Quanto melhor for a vivência motora de crianças e adolescentes, maiores as chances de se tornarem adultos coordenados;

2. É muito importante ensinar às crianças e aos adolescentes movimentos corretos;

3. Nos adultos, é preferível ter atenção à periodização/planificação do treino e ao estímulo correto das capacidades físicas do que se procurar corrigir os erros técnicos que possuam.

Fonte:

Ciências & Cognição 2006; Vol. 09.

Luiz Roberto Rigolin; Leonardo Perissé Rocha; Alfred Sholl-Franco

Adaptação: www.aminhacorrida.com