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A diabetes é uma doença séria e traiçoeira que pode levar a graves complicações, se não • for diagnosticado precoce e adequadamente tratado. Os sintomas surgem gradualmente. Boca seca, sede em excesso, vontade de urinar frequentemente, fadiga, perda de peso e visão turva. Com o tempo, ele mina as forças do organismo e compromete a qualidade de vida. São dois tipos de diabetes e ambos afetam os olhos, rins, nervos e grandes vasos sanguíneos, podendo resultar em perda de visão, amputações, insuficiência renal e enfarte de miocárdio.

Estas complicações podem ser prevenidas através de diagnóstico precoce e tratamento apropriado. Hoje são 200 milhões de pacientes. A estimativa é que nos próximos 25 anos, o número de diabéticos no mundo possa dobrar, chegando a 400 milhões. A diabetes é caracterizado pela incapacidade do organismo em aproveitar a glicose (açúcar) proveniente dos alimentos e o já existente no próprio corpo. Isto acontece devido a uma alteração do metabolismo, determinada por falta ou dificuldade na produção de insulina, que é uma substância (hormona) produzida no pâncreas e cuja função principal é controlar a quantidade de glicose na circulação.

Com isso, as células do organismo deixam de receber a glicose necessária, que acaba a ficar em alta concentração na circulação; a qlicose pode ser tóxica se atingir taxas elevadas no sangue.

Dois tipos de diabetes: 1 e 2

A diabetes tipo 1 ocorre geralmente em crianças e adultos abaixo dos 30 anos, também chamado de diabetes juvenil por se manifestar com maior frequência nos jovens, e resulta da ausência de produção de insulina pelo pâncreas.

Sem o homónimo, a glicose não entra nas células e fica acumulada no sangue. Começam a aparecer os sintomas, como urinar com frequência para eliminar o açúcar em excesso no sangue. Consequentemente, a pessoa desidrata rapidamente e sente muita sede; também aumenta o apetite e o indivíduo passa a comer mais. Com a taxa de glicose aumentada e um estreitamento dos vasos, dificultando a irrigação sanguínea, chegam as consequências: olhos – aumenta a possibilidade de cegueira se não forem tratados. Rins – o paciente começa a perder a capacidade de eliminar as toxinas do organismo e o órgão pode ir à falência. Pernas – com a circulação comprometida, isto pode levar à formação de coágulo, ficando inchadas e doloridas. Pés – o fluxo sanguíneo é dificultado, diminui a sensibilidade, o diabético sente com frequência dormência nos pés; com tempo, a pele fica frágil, podendo surgir feridas; em casos graves é necessária a amputação.

No caso da (diabetes) tipo 2, no início o pâncreas produz insulina em quantidades normais, se houver predisposição genética à doença (história familiar de diabetes), factores como obesidade, sedentarismo, idade acima dos 45 anos ou actividades físicas reduzidas, aumento no consumo de calorias, especialmente gordura, farão com que a célula desenvolva resistência à insulina. As taxas de glicose aumentam e o pâncreas passa a produzir cada vez mais insulina; com o passar do tempo esgota a capacidade de funcionar. Os riscos e as complicações são os mesmos do tipo I, porém se o entupimento dos vasos sanguíneos ocorrer no cérebro, a pessoa pode sofrer um derrame cerebral e se for no coração, um enfarte.

Cuidados para começar uma actividade física A diabetes deve estar estável, parâmetro obtido pela história clínica e dosagem de glicemia. No caso de glicemia abaixo de 60 mg/dL ou acima de 200 mg/dL, as pessoas não devem exercitar-se até retorno aos valores considerados aceitáveis. A actividade física é um factor importante do tratamento, contribuindo para melhorar a qualidade de vida do portador de diabetes. Os benefícios a médio e longo prazo da prática regular da actividade física ocorrem através das seguintes alterações: melhoria do perfil das gorduras, contribuição para a normalização da pressão arterial e tendência ao desenvolvimento de circulação colateral (novos vasos sanguíneos).

Além disso, o exercício propicia melhores padrões comportamentais, como o cuidado com a alimentação e o auto controle por parte do diabético, o que consequentemente contribui para melhorar a sua qualidade de vida. A actividade física deve ser prescrita de maneira individual para aperfeiçoar os benefícios e principalmente, para evitar riscos. O tipo, frequência, intensidade e duração do exercício recomendado dependerão da idade, do grau de treino prévio, do controle metabólico e da presença de complicações específicas da doença. Por isso, antes de iniciar a prática sistemática da actividade física, o portador de diabetes deve submeter-se a um exame clínico geral (teste ergométrico). A actividade indicada (corrida, caminhada, musculação) deve ser praticada sempre que possível em 40 minutos no mínimo.

Participação em actividades competitivos Atletas portadores de diabetes têm competido com sucesso em eventos nacionais e internacionais. No início, parecia impossível a um diabético levar uma vida normal, praticando desporto competitivo mas com alguns cuidados adicionais. Isso é possível sem problemas: ter uma dieta mais adequada ao treino do que propriamente ao diabetes; monitorar a glicemia durante todo o dia; quem faz o uso da insulina deve saber ajustar as doses, para que sejam adequadas a toda a carga de treinos. O atleta coloca muitas vezes o seu corpo além do limite, só que para ter um bom controlo da diabetes, é preciso ser disciplinado, determinado e contar com profissionais competentes no acompanhamento dos treinos e provas

(*) Artigo publicado na revista “Contra Relógio”