O problema das cãibras…

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Ao nível das corridas de meio fundo e fundo não é muito frequente o aparecimento de cãibras nos atletas quando em pleno esforço. As provas de velocidade pura e de saltos são aquelas em que é muito mais vulgar acontecer tal tipo de lesão muscular.

Muito compreensivelmente, quando o músculo é solicitado para um esforço de intensidade máxima e não se encontra preparado para o realizar, acontece aquilo que poderemos definir como um espasmo localizado que origina uma brusca contracção prolongada sem o tempo normal de descontracção, provocando uma imobilização no movimento efectuado.

Esta simples explicação traduz com certo rigor o que sucede geralmente com os especialistas de competições de velocidade e de saltos. Todavia, o fenómeno das cãibras apresenta uma gama bem variada de razões para o seu aparecimento quando envolve as corridas mais longas.

Como explicar que os maratonistas, geralmente rolando em andamentos lentos e económicos, possam sofrer de cãibras na segunda metade da prova? Como compreender o facto dos especialistas de corta-mato sofrerem deste tipo de lesão nos dias mais frios?

Seja como for, não restam dúvidas de que o problema está na ordem do dia. Para uns, a razão da cãibra é o trace poder de adaptação muscular ao esforço; para outros, há que ter em atenção o decréscimo dó teor do nível de sais minerais localizado no músculo abrangido; outros, ainda, levantam a questão de má circulação sanguínea ou na brusca quebra do potencial eléctrico do músculo; enfim, um amontoado de dúvidas, na certeza de que, uma vez em prova, o corredor tem
de solucionar, por si só, este tipo de lesão.

Desta forma, recorremos a um feIxe de opiniões de especialistas ligados à corrida, começando pelo Dr. Dave Costil, célebre fisiologista norte-americano e autor do livro “A Scientific Appoach to Distance Running” .

“No que respeita ao problema das cãibras musculares, julgo que a sua origem é devida a uma descarga impulsiva dos potenciais normalmente responsáveis pela contracção muscular controlada. Assim, um desequilíbrio local da concentração de sais minerais responsáveis pela condução nervosa pode ocasionar o aparecimento duma cãibra, que vai paralizar o esforço do corredor.

Teoricamente, isto acontece assim mas, no entanto, não sabemos muito bem como evitar tal situação.”  Por sua vez, J. Décombaz, biologista especializado em nutrição e investigação nesta área, apresenta-o problema de maneira um pouco diferente, talvez porque, para além de tudo o mais, também é corredor e conhece bem quanto dolorosa é esta lesão.

É bem possível que os comprimidos de sal, adicionados a um liquido e ingeridos durante uma corrida longa evitem as cãibras em certos corredores. Mas, em minha opinião, isto verifica-se por razões individuais.

Talvez porque os atletas são obrigados, desta forma, a beberem mais líquidos do que habitualmente? Talvez por serem sensíveis a uma espécie de auto-sugestão?

O dificil será .darmos aqui uma receita que sirva para todos e julgo que é vantajoso ao atleta colocar todas as possibilidades do seu lado, ingerindo uma quantidade suficiente de frutos e legumes na sua ração diária alimentar e, nas provas, beber uma razoável quantidade de liquido. Como nutricionista, estou convencido de que o estômago  desempenha um papel importante no mecanismo da corrida e segundo estudos que tive a oportunidade de realizar ficou demonstrado que um atleta que sofra de úlcera de estômago está mais sujeito a cãibras musculares.

De acordo com alguns trabalhos publicados na “Revue Suisse de Médecine du Sport”, e da eutorie do Dr. H. Moesch, há que fazer uma certa diferenciação entre as cãibras musculares em esforço e as contracções que aparecem no final de uma corrida violenta. Este último tipo é muito conhecido dos corredores quando fazem um esforço prolongado e durante 24 a 48 horas sentem os músculos duros e sem flexibilidade.

Há alguns anos pensava-se que este estado era devido à acumulação de ácido láctico produzido durante a competição; hoje, aponta-se para um conjunto de microtraumatismos do tecido muscular em consequência de uma série de impactos” ou de uma sobrecarga. Impactos repetitivos de uma corrida a descer, corrida em estrada para os que não estão habituados a um tipo de passada razante, oescontrekie  e económica, exercício pouco frequente, mobilizando zonas musculares pouco treinadas, mudanças bruscas da maneira de correr, etc. Esta sobrecarga está sempre relacionada com a actividade anterior a que os músculos foram submetidos: haverá contracções quando, no domingo, se obriga o organismo a um esforço máximo enquanto nas semanas anteriores pouco treino lhe foi exigido; da mesma forma, se ficarmos três dias na cama, sentiremos os músculos pesados se, logo a seguir, andarmos todo o dia a passear!”

Noel Tamini, suíça, e corredor habituado, durante ‘muitos anos, a esforços diversificados, apresenta alguns exemplos que nos fazem reflectir e verificamos, uma vez mais, que os corredores são seres individuais, tornando-se difícil estabelecer uma regra
geral útil em todos os casos. Atletas haverá que ao longo da sua carreira nunca sofreram de cãibras enquanto outros, mesmo em simples treinos, são vítimas desta circunstância. Vejamos a opinião deste especialista suíço:

“As cãibras podem ter várias origens, surgindo mesmo durante o sono (má circulação sanguínea?) em ligação com o frio ambiente (reacções térrnices dos músculos das coxas, originando uma contracção muscular?), mas, sobretudo, no final das provas (um caso típíco: o último quilómetro da prova de montanha Sierre Zina/, depois de percorridos 31 km, ou quando os
músculos se encontram endurecidos pelas passadas no asfalto). Julgo que para nós, corredores, o que importa é analisar esta última situação e a minha experiência pessoal mostra que a absorção de comprimidos com diversos sais minerais pode exercer Lima verdadeira acção preventiva na maioria dos corredores sujeitos a cãibras provocadas pela fadiga.

O Dr. Norbert Sander é de opinião que o médium exerce uma acção determinante no conjunto dos sais minerais. Da mesma forma, a revista alemã “Leistungssport” publicou um artigo da autoria do professor Jokl, director do Laboratório de Fisiologia da Universidade de Lexington, em que se afirmava que as diferentes experiências levadas a efeito permitirem concluir que uma dose quotidiana de um grama de fosfato de sodium favorecia o aumento das faculdades de Endurance num desportista convenientemente treinado. Nos mesmos estudos concluia-se, igualmente, que nos atletas sujeitos a contracções e dores musculares, a absorção desta dose reduzia a fase de. recuperação.

 

Fonte;https://www.facebook.com/revista.spiridon/