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Há anos, quando o grande corredor que foi David Bedford, hoje um dos homens fortes da organização técnica da Maratona de Londres, estabeleceu um novo recorde do mundo dos 10.000 metros, com a extraordinária marca de 27.30,80 (13 de Julho de 1973) escutou inúmeros aplausos para o feito, mas o atleta, com a euforia do seu resultado, não escondeu aos amigos mais chegados que, uma hora antes daquela competição, tinha mantido relações sexuais com uma bem conhecida atleta francesa especialista de 400 metros.

Inglês, divertido, ou melhor, bastante extrovertido, David sempre pautou a sua vida desportiva por dar mostras de grande liberdade em termos dos chamados comportamentos “rígidos” que talvez devam nortear a vida de um desportista de elite.

Ao divulgar e comprovar que, na noite anterior a qualquer competição, quer fosse importante ou não, fazia questão de frequentar, durante uma ou duas horas, um “Pub” e beber meio litro de boa cerveja fresca … “para descontrair – dizia ele – e mostrar que para além da corrida que adoro, há outras coisas boas” – acrescentava com um sorriso. Ao não esconder que quando estava constipado ou padecia de pequenas doenças, ou algo semelhante, o melhor remédio que conhecia não estava na ingestão de comprimidos, mas apenas o de ir correr 13 km, tomar um banho de e imersão bem quente e ir logo a seguir para a cama  com uma bela chávena de chá forte …

Ele comportava-se como alguém superior, em termos físicos, como, por exemplo, competir no seu máximo ao sábado de manhã e, logo ao fim da tarde do mesmo dia, efetuar um treino longo, quer chovesse ou fizesse calor tórrido …

Enfím, Bedford, foi o que foi, mas essa coisa de fazer sexo uma hora antes do Recorde do Mundo foi gabarolice que não “colou” muito bem nos meios jornalísticos. Não, não era possível. ..

Sexo antes de um Recorde do Mundo? As dúvidas ficaram e meses mais tarde, um jornalista francês, digamos muito corajoso, convenhamos, perguntou diretamente à atleta francesa em questão, numa conferência de imprensa, perante uma sala cheia de colegas: – Confirma que quando Bêdford bateu o recente Recorde do Mundo dos 10.000 metros, tinha estado consigo horas antes em situações íntimas? Fez-se um mágico silêncio na sala …

A atleta hesitou um pouco, talvez admirada com a questão, depois retorquiu em tom de “politicamente correto”: Não confirmo nem desminto!

DESPORTISTAS MAIS ACTIVOS SOB O PONTO DE VISTA SEXUAL?

Se compararmos grupos de cidadãos sedentários, ou com pouca atividade física regular, com outros de tipo desportivo que, ao longo de meses, mantêm esforços físicos frequentes, centrados numa componente de atividade física de características aeróbias, conclui-se que estes últimos apresentam níveis de apetite sexual muito acima da média quando comparados com os indivíduos sedentários. São vários os trabalhos de origem científica levados a efeito na última década que comprovam esta realidade, situação diretamente relacionada com o facto do Ser Humano necessitar de mobilização, e uma vida moderna sedentária, com largos períodos de repouso e quase permanentemente em posição de sentado, acabam por comprometer, em certa medida, o normal desempenho sexual.

A velha frase “os desportistas são melhores amantes”, tão divulgada nas décadas de setenta e oitenta, quando a prática do jogging e das provas de corrida longa viraram moda tinha pleno cabimento. Mais atividade, mais energia, melhor desempenho sexual! Na vida prática, como em pleno laboratório, os dados recolhidos comprovavam isso mesmo, tanto em relação a homens como a mulheres.

Melhor sistema sanguíneo representa aumento de vitalidade dos órgãos reprodutores, situação beneficiada ‘ainda pelos traços positivos de natureza psicológica, associados ao bom nível de “auto-estima” frequentemente revelado de forma categórica por quem pratica desporto.

Note-se que estes os científicos tiveram por base praticantes; de atividades desportivas com objetiv.os de manutenção física e até outros com ideias de ligeira competição, mas sempre partindo do princípio de que o tipo de vida praticado implicava comportamento “normal”, com alimentação equilibrada e sem a ingestão de qualquer tipo de produtos estimulantes extras.

 

MAIS ESTÍMULOS … TALVEZ MENOS APETITE!

Pois é, se tivermos em atenção grupos de desportistas que ingiram produtos estimulantes de natureza analógica ou esteróides, os resultados demonstram que não obstante os seus índices físicos, específicos em termos da prática desportiva que fazem, serem particularmente elevados, em termos de puro rendimento, a verdade é que, em média, o seu desempenho sexual é muito baixo. Por outras palavras, e utilizando uma linguagem direta:

Grandes físicos … Pouca virilidade nas camas … A partir do momento em que compromete o normal desempenho orgânico, o Ser Humano reage, “sacrificando” áreas vitais inerentes à sua própria vida. Nesse grupo vamos encontrar os atletas que centram os seus desportos favoritos em áreas específicas, como a musculação, o culturismo, as. provas de velocidade

… Não obstante as suas “plásticas” físicas exteriores demonstrarem que, se está perante indivíduos harmoniosamente musculosos e perfeitos, a verdade é que, em termos de vitalidade sexual, o seu desempenho médio é muito mais fraco se fizermos, por exemplo, a comparação com indivíduos sedentários, como o vulgar cidadão comum. Não é por acaso que isto acontece.

Quando o rendimento muscular é “puxado” ao seu

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máximo, é absolutamente lógico que a reação orgânica passe por concentrar todas as suas reservas nessas áreas e não noutras … O alerta para os leitores que recorrem a suplementos vitamínicos “milagrosos” aqui fica.

Primeiro, há que saber precisamente o que contém cada um deles, e depois há que solicitar a opinião de um nutricionista para sabermos que terreno vamos pisar e se essa coisa de “ganhar mais músculos em poucos meses” não vai estar a pôr em causa algumas premissas fundamentais da nossa vida sexual. – Desconfie dos homens musculosos, pois, na cama, não valem nada! Esta frase, que circula, há anos nos círculos femininos através da Internet, pode conter muito de verdade e terá tido por base as experiências com homens que, para adquirirem físicos de inveja, sobretudo nos meses de praia, acabaram por tomar produtos estimulantes, associados a componentes com traços anabolizantes e outros de duvidosa procedência. Porém, nós, corredores, somos diferentes! Magros, sem grandes músculos, pois estes de nada nos servem para podermos conseguir correr durante mais tempo, estamos longe dessas áreas. Será assim? Será mesmo verdade que “Os Corredores São Melhores Amantes?”

CORREDORES SERÃO MESMO OS MELHORES AMANTES?

Um estudo levado a efeito na Califórnia pelo Prof. Alex Horowicz, sob controlo do Departamento de Medicina da Universidade de Los Condores, começou a pôr em causa os níveis de libido de certos grupos de corredores … “Não há qualquer dúvida que, depois de um esforço prolongado de corrida contínua, nenhum homem está na posse da sua capacidade máxima sexual.

O cansaço muscular e as perdas de sais minerais e de líquidos, acabam por comprometer qualquer normal desempenho. Os níveis de testosterona baixam e é necessário algum tempo para regressarem a graus, digamos, de normalidade.” Eis como o Prof. Horowicz apresenta a questão. “

No trabalho científico que realizámos, comprovou-se que os corredores que utilizam uma prática regular frequente, tendo por base quilometragens semanais médias, apresentam níveis de testosterona muito acima do normal. Contudo, se o volume de quilómetros aumentar, então todo o bom rendimento do libido, digamos do chamada apetite sexual, é posto em causa. Quanto mais aumenta a quilometragem efetuada, menor vai ser a produção de testosterona! ” Mediante a leitura do quadro em anexo, podemos ficar com noção muito aproximada quanto à problemática dos quilómetros percorridos e o desempenho da circulação sanguínea de testosterona.

Os números aqui apresentados podem deixar os nossos leitores um pouco alarmados, já que o estudo do Prof. Horowicz aponta para excelentes níveis de testosterona e do número de relações sexuais semanais, quando o volume de quilómetros percorridos por semana é de apenas 24 … O que, convenhamos, deixa muito a desejar para a maioria dos que gostam de correr … Importa esclarecer que a componente da coluna do quadro com o nome “Relações Sexuais” teve por base trabalhos do Dr. Schwarz, que estabeleceu uma escala para o número de relações sexuais em cada período de 7 dias.

Assim, o grau 5 é elevado, 4 médio mais, 3 …:-2- médio, 2 médio menos, 1 fraco, O muito fraco.

Evidentemente que estes dados tiveram em atenção inquéritos individuais numa base de 2.000 entrevistas e absorvendo indivíduos de nacionalidade americana e com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos. Digamos, portanto, que se está perante um grupo de homens activos e em idade óptima de procriação. Mas voltemos ao estudo do Prof. Horowicz.

Os dados obtidos passam por ter, de certa maneira, uma componente de natureza quase diríamos “mecânica”; Grau de testosterona … Número de relações sexuais … Quilómetros percorridos… Sim, caros leitores, são números, mas todos nós sabemos que há muita maneira de fazer quilómetros (lentos, rápidos, em piso duro, em piso de areia, com muito prazer sob belos cenários, sem qualquer prazer num ambiente poluído, com pouco ou muito cansaço …), como também há muitos aspetos associados às relações sexuais íntimas que podem implicar maior ou menor empenho, consoante toda uma multitude de variáveis bem conhecidas por nós. Portanto, recorde-se, números não são comportamentos e há que ter algum cuidado nas leituras diretas do quadro.

Depois, há outro aspeto difícil de contabilizar em qualquer quadro. Referirmonos ao chamado “grau de satisfação”. Aqui, os corredores que mencionam claramente ter tido maior grau de satisfação sexual são aqueles que, curiosamente, têm um volume médio de quilómetros semanais da ordem dos 48 km, não obstante as recolhas de testosterona apresentarem níveis da ordem dos 43, ou seja, quase metade dos que correm 24 km por semana.

o EFEITO DO CONDOR

Como justificar a diminuição de testosterona face ao número de quilómetros percorridos? Aqui, a teoria do Prof. Horowicz aborda algo inédito. Segundo ele, tal redução poderá estar relacionada com o modelo de calções que normalmente os corredores utilizam nos seus treinos. Se for de tipo largo, com cuecas largas, acontece que os testículos apresentam tendência para muito maior oscilação e, consequentemente, para excesso de movimento vibratório, o que vai condicionar muito a produção de testosterona …

Essa interferência é bem menor se os calções forem mais justos e com cll.ecas de aderência perfeita, ou melhor ainda, se ‘o corredor usar calções justos, tipo “Lycra”, Resumindo, poderemos dizer que o importante é “tê-los” bem presos … Porém, há ainda outro detalhe, e relacionado com aquilo que, nos meios científicos, ficou conhecido como o “Efeito do Condor”. Se o corredor utilizar preferencialmente superfícies duras nas suas sessões de preparação, como seja o asfalto ou os empedrados, então é qu~e certo que o enorme grau de impactos do pé ,no solo vai ocasionar a formação de microscópios resíduos de \ coágulos sanguíneos no aparelho urinário, Os quais acabam por interferir na produção normal de testosterona e comprometer, de certa maneira, o chamado apetite sexual.

Aliás, nos meios técnicos da especialidade, sabe-se que certos corredores de fundo, quer sejam de nível da elite ou de simples corredor de pelotão, é relativamente “normal” surgirem pequenas emissões de sangue através da urina após intensos esforços de corrida contínua, realizados em pisos de asfalto, questão que, muitas vezes, coloca os atletas em estado de alarme face ao sucedido, mas, cujas causas.-em lugar de associadas a problemas das vias urinárias, são devidas unicamente a situações da frequência e à força dos impactos e não a qualquer outra causa mais grave. As ondas de choque e o seu contributo para uma ação micro-coagulante do sangue, também foram comprovadas pelos estudos do especialista espanhol Dr. Manuel Gravilanes, o qual revelou quatro causas de mixoedema (insuficiência tiróide) após ter avaliado grupos de maratonistas no final dos esforços das suas provas longas. Na realidade, Gravilanes aponta para a redução substancial da maioria das funções endócrinas nos praticantes de corrida longa, nomeadamente na chamada deterioração das funções relacionadas com a área sexual.

ATLETAS VETERANOS COM MAIS TESTOSTERONA!

Até agora, abordámos a problemática relacionada com corredores dãs categorias seniores, ou seja, apresentámos dados estatísticos relativamente a indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 40 anos. No entanto, umas perguntas surgem com naturalidade: passar-se-á o mesmo com os atletas veteranos? Por outro lado, será que se verifica efetivamente uma redução do “apetite sexual” sempre llUe se aumenta o número de quilómetros semanais? Se, à partida, em termos teóricos, os indivíduos sedentários apresentam um “apetite sexual” mais fraco comparativamente àqueles que praticam, com regularidade, atividades físicas, como será essa situação a partir da idade de 40 anos? A equipa californiana do departamento médico da Universidade de Los Condores abordou esta questão em torno de indivíduos

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corredores de fundo e com idades entre os 50 e os 60 anos, e as conclusões foram surpreendentes, pois ficou comprovado que existe, efetivamente, uma produção de maior percentagem de testosterona nos indivíduos que praticam Atletismo há mais de 10 anos, e de tal forma isto é significativo que chega a atingir o triplo da vitalidade sexual! O quadro em anexo mostra-nos alguns aspetos bastante interessantes: . Para já, verifica-se que o aumento de quilometragem para os 48 km semanais conduz à produção não só de maiores índices de testosterona como à frequência média de relações sexuais, as quais passaram para 3,2 (tabela de Dr. Schwarz), o que, comparativamente ao quadro relativo aos desportistas seniores, é superior. Enfim, estamos a falar de situações gerais médias, mas nós, corredores, que quase diariamente “lidamos” com o nosso corpo e auscultamos as nossas sensações, sabemos que, mais do que tudo, cada caso é um caso e que cada situação deve ser analisada sempre em termos individuais.

Como curiosidade, os dados laboratoriais de natureza científica da universidade californiana aqui ficam, na certeza de que é bom estarmos alertados para esta problemática, pois uma equilibrada vida sexual faz parte integrante da estabilidade emocional de todos nós. Para já, um conselho de amigo. Se tem em vista uma semana amorosa muito especial, reduza .os quilómetros e, já agora, por precaução, utilize cuecas e calções justos, para que os testículos não estejam a balançar loucamente …

SERÁ QUE O VOLUME DE QUILÓMETROS QUE PERCO~ VAI DETERMINAR O SEXO DOS’ SEUS FILHOS?

Ora aqui está uma questão ~muito interessante e… intrigante. Até que Aponto o facto de um indivíduo de sexo masculino andar a correr centenas, milhares de quilómetros ao longo de determinado período da sua vida pode vir a ser decisivo quanto ao sexo dos seus futuros filhos? Não será isto pura fantasia? Não representará isto uma brincadeira com coisas sérias? À primeir.a vista, é isso que se pode pensar desta ideia “ridícula”, diríamos, até, cómica … No entanto, foi exatamente uma hipótese desse género que foi publicada, pela primeira vez, em 1990 pelo “Journal of Theoretical Biology”. Sim, um jornal científico de grande prestígio internacional deu cobertura a tal hipótese … Portanto, caros corredores, não estamos a entrar em mundo de pura fantasia, mas, sim, num outro que levou vários cientistas a tirarem centenas de horas a outros estudos para se dedicarem a equacionar uma possibilidade que, para muito boa gente, não terá qualquer hipótese de credibilidade. Ou terá? ..

A CULPA É DA TESTOSTERONA

Os dados estatísticos mundiais apontam para valores da ordem dos 51% relativamente aos nascimentos de indivíduos do sexo masculino. Por outras palavras, há maior percentagem de cromossomas “Y” (aqueles com características masculinas) a fertilizarem os óvulos femininos, não esquecendo que a probabilidade de nascerem rapazes é muito variável nos difer~ntes grupos de indivíduos e de raças. Alguns dados curiosos revelam que os artistas apresentam tendência para maior percentagem de bebés masculinos, situação idêntica à dos indivíduos de raça negra, cujas tendências mostram igualmente menos filhos do sexo feminino …

O estudo destas análises estatísticas depara-se com um elemento comum: os Androgenes… Androgenes? Sim, essas hormonas masculinas “recheadas” de testosterona! Numa fase inicial da abordagem deste estudo, tomou-se como- ponto de partida indivíduos de sexo masculino e cor branca que desenvolveram cancro da próstata, concIuindose que” os seus filhos eram rapazes em número superior a 4%, comparativamente aos filhos de cidadãos do mesmo grupo, mas não afetados por essa doença. Ora sabe-se que quem padece de cancro da próstata apresenta uma produção maior de testosterona.

Logo, o mesmo será dizer que, mais testosterona, maior será a possibilidade dos filhos nascerem com o sexo masculino. Porém, uma pergunta surge naturalmente: e os corredores? Pois é verdade, quem corre muitos quilómetros acaba por produzir menos testosterona e, consequentemente, estaremos perante pessoas que apresentam fortes possibilidades de virem a gerar raparigas! Como mais um termo de comparação, os cientistas apuraram que os homens com características para infertilidade devido à fraquíssima produção de testosterona, apenas conseguiam com que 31 % dos seus filhos fossem do sexo masculino. Os restantes 69% eram do sexo feminino.

Claro que há uma gama imensa de fatores que condicionam o controlo da, natalidade, mas não deixa de ser curioso que estejam a ser feitos estudos científicos nesta área. 

Fonte: SPIRIDON

Por Fred Diamauri