- Publicidade -

Uma cena muito comum no mundo da corrida é ver seus praticantes usando fones de ouvido durante a atividade. Tal prática, conforme já falamos aqui, tem suas vantagens e desvantagens. No caso específico de uma corrida, os aspectos positivos vão desde a redução de uma certa percepção de intensidade do exercício, passando pela força motivacional, melhoras de funções cerebrais como entusiasmo e felicidade, até o aumento da produção hormonal. 

Por outro lado, ouvir música durante a corrida pode apresentar alguns aspectos negativos como se distanciar de eventuais problemas (respiração, impacto, um carro que se aproxima), afetar a concentração do atletas e inclusive tornar o corredor dependente da música.

Saindo um pouco do mundo da corrida e indo para o mundo dos esportes de uma forma mais ampla, a questão permanece: a música pode melhorar o desempenho de um atleta? Diversos estudos já comprovam a influência da música na atividade física e o assunto conta com uma vasta bibliografia especializada. Ela pode, por exemplo, atuar tanto como um estimulante ou como um sedativo. Pode também melhorar o humor, o controle muscular e ajudar o cérebro a construir uma importante memória muscular.

Photo by Jeff Drongowski (Author), CC Public Domain

Quando o cérebro está ouvindo música, ele se “ilumina”, ou seja, a música desperta suas atividades sinápticas. Funciona, portanto, como um estímulo ideal, uma vez que atinge partes do cérebro que não podem ser facilmente alcançadas. A música ativa várias áreas cerebrais importantes ao mesmo tempo: o lobo parietal (que contém o córtex motor); o occiptal, ou lobo de processamento visual (o centro do cérebro para ritmo e coordenação); o lobo temporal (que regula o tom e a estrutura); e o lobo frontal e cerebelo (que regulam a emoção).

Tais áreas do nosso cérebro são críticas para o desempenho atlético. É justamente no lobo temporal, por exemplo, que o cortisol (um hormônio do estresse) é liberado. A música, neste caso, ajuda a regular o estresse, reduzindo os níveis de cortisol. Já o córtex motor, que fica localizado no lobo parietal, regula a função motora do nosso corpo, o que nos ajuda a determinar o quão bem coordenamos nossos membros.

A música, de uma forma mais ampla, nos ajuda a controlar nossas emoções, regulando o humor e nos ajudando a “filtrar” as distrações. A chave, neste caso, é usar a música para explorar a secreção de dopamina e opioides naturais do cérebro, dois elementos químicos naturais que ajudam a bloquear nossa percepção de fadiga e dor. Músicas que contém uma mensagem positiva podem enviar um recado igualmente positivo ao cérebo, atuando no humor e aumentando a confiança do atleta.

Photo by Unknown (Author), CC Public Domain

Outra fator interessante sobre ouvir música durante a prática esportiva, é que a sincronização do ritmo da música com a frequência cardíaca de um atleta pode ter resultados bastante poderosos, como melhora na resistência, velocidade e desempenho atlético. Isso não significa, no entanto, apenas aumentar o ritmo porque existe um “teto”, ou seja, qualquer coisa acima de 140 batimentos por minuto não fará um atleta ir mais rápido (ou mais forte). Estima-se que o ponto ideal seja por volta dos 120 bpm, que é a frequência média durante uma corrida leve.

Finalmente, a música ajuda os atletas com suas memórias musculares. Ouvir músicas cujas letras imitam o movimento físico, como por exemplo a canção “Push it”, do Salt n ‘Pepper, são de grande valia para atletas de arremesso de peso (ou qualquer outro esporte que exija que o atleta empurre algo fisicamente).

Quem acompanha o mundo dos esportes já sabe que a prática é bastante difundida: jogadores da Seleção Brasileira, como Neymar e Gabriel Jesus, atletas da NBA, como Kevin Durant e Lebron James, e nadadores como Michael Phelps não dispensam seus fones de ouvido nos momentos que antecedem a disputa.

 Photo by Christopher Johnson (Author), CC Public Domain

Em certos esportes, como o poker, é permitido que os atletas usem fones de ouvido durante a partida, o que muitos utilizam para auxiliar na concetração. Liv Boeree e Igor Kurganov, grandes nomes da modalidade, não escondem sua forte relação com a música. O casal 20 do poker mundial aprecia remixes de música eletrônica e bandas de rock como Tool e Muse.

Concluindo, podemos afirmar que a música funciona como uma droga (do bem): melhora o desempenho e é viciante. O mais importante, entretanto, é que essa avaliação seja feita caso a caso. Pesar quais são os benefícios que a prática nos traz, comparar com os malefícios e buscar um equilíbrio que respeite os limites do nosso corpo. Com tudo isso em mente, basta caprichar na playlist e partir pro treino!