Perder peso localmente … um sonho?

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A prática da Corrida e de qualquer outro tipo de esforço prolongado, em geral, faz aumentar a utilização dos ácidos gordos e estes desempenham uma certa acção no que se refere à redução de volume do tecido adiposo, o qual, como se sabe, tende a acumular-se facilmente, sobretudo à volta do abdómen masculino e das coxas femininas, dando, em qualquer dos casos, silhuetas pouco estéticas segundo os actuais parâmetros.

Note-se que o exercício pode contribuir para reduzir o volume do tecido adiposo e normalizar o peso e a silhueta, embora não seja segredo que é necessário muito exercício para se perder, efectivamente, um pouco de gordura.
Por exemplo, correr uma maratona, com os seus longos 42.195 metros, farnos-á perder cerca de 100 a 200 gramas de gordura e, portanto, longe das promessas prognosticadas por aqueles métodos que dizem ser fácil perder vários quilos em poucas semanas …

EMAGRECER, COM PACIÊNCIA …

O sonho de muito boa gente é o de emagrecer de forma localizada, isto é, “perder” gordura em determinado local do corpo. Há quem prometa tal tipo de emagrecimento através do recurso a pomadas, massagens, exercícios específicos, etc., mas a realidade diz-nos que não é possível emagrecer por “regiões” corporais, ou seja, “tratar” de uma sem que outras sejam atingidas, a não ser mediante ablação cirúrgica do tecido adiposo subcutâneo. Tal operação é reservada apenas para casos muito graves de excesso de peso.

Para que o exercício faça emagrecer localmente, seria necessário que os músculos utilizassem de preferência e como carburante; os ácidos gordos provenientes do tecido adiposo vizinho, para além de ser vital, por exemplo, que os músculos das coxas queimassem preferencialmente os ácidos gordos situados no tecido adiposo acumulado sob a pele das mesmas e que os abdominais utilizassem, sobretudo, os ácidos gordos provenientes do tecido adiposo acumulado sob a pele do ventre ou no abdómen.

Ora isto não é possível, pois não existem trocas directas entre o tecido adiposo e os músculos vizinhos. Na realidade, não há vasos sanguíneos que vão directamente aos tecidos adiposos acumulados sob a pele das coxas e até aos músculos das mesmas, nem o tecido adiposo acumulado sob a pele do ventre ou do abdómen vai até aos músculos abdominais. Quando os ácidos gordos são libertados pelo tecido acumulado sob a pele das coxas, são diversificados no sangue e nas veias, que os levam directamente ao coração, sendo misturados com os ácidos gordos provenientes de outras regiões do corpo. Logo, quando se perde na Zona A, também se perde na zona B!

Se nos detivermos sobre o trabalho de um músculo, chegaremos à conclusão que ele não faz emagrecer a região vizinha, mas, sim, todo o conjunto de tal tecido. No entanto, há que notar que certa partes do tecido adiposo apresentam ‘tendência para emagrecer mais rapidamente do que outras, como é o caso particular dos que se situam ao longo dos orgãos abdominais e toráxicos. Pelo contrário, a gordura acumulada sob a pele, que, regra geral, tem uma acção importante no isolamento térmico, apresenta uma tendência para emagrecer mais rapidamente … o que é sempre mau para a silhueta!

RAZÕES PSICOLÓGICAS

Hoje em dia, vários especialistas apontam certos excessos de peso directamente relacionados com questões de foro psicológico. Procure descobrir se é esse o seu caso, pois, normalmente, as depressões conduzem a que “percamos” mais tempo com o comer. Por outro lado, situações de depressão provocam, ainda c muitas vezes, a necessidade de nos mantermos com pouca actividade fisica, o que conduz inevitavelmente ao aumento das reservas, sobretudo do tecido adiposo.

A par deste panorama, existe outro ponto-chave para aqueles que pretendem perder peso. Referimo-nos à tentação de alinhar nas chamadas dietas milagrosas, do tipo “poucas calorias ingeridas num só copo” e sob o rótulo de refeição. Tais dietas não fornecem os mesmos nutrientes típicos de uma alimentação normal e, regra geral, implicam a redução de fluidos e não da gordura, o que, bem vistas as coisas, leva a uma reposição do líquido perdido quase no mesmo espaço de tempo que levou a desaparecer.
Alguns técnicos afirmam que mil calorias é a quantidade mínima que pode ser consumida sem que haja prejuízo para a saúdee menos do que essa porção representa um estilo de alimentação parca dos necessários nutrientes. Note-se que existem dietas drásticas, a propor 600 calorias em cada período de 24 horas, situação que, em vez de causar grandes perdas de gordura, provoca uma reacção orgânica típica da sobrevivência, ou seja, o corpo reage metabolicamente de forma mais lenta, numa tentativa de manter a energia necessária, o que, em termos práticos, leva as pessoas a sentirem-se fatigadas, embora não tenham feito grandes exercícios.

Importa reter que 100″lha~ por dia não é muito, pois qualquer barra de chocolate é sinónimo de 300 calorias …
Sob o ponto de vista matemático, um total de 3000 a 3500 calorias significa cerca de 450 gramas de gordura corporal. Logo, para se perder tal “fatia”, torna-se necessário retirar-se da dieta semanal cerca de 3000 calorias. Porém, isto é pura matemática, pois as estruturas metabólicas são muito complexas e estão directamente relacionadas com o estilo médio devida do indivíduo, sua constituição, actividade profissional, hereditariedade, etc. Por exemplo, um trabalhador rural, pesando 70 a 80 quilos, dispenderá à volta de 3600 calorias, enquanto que um cidadão cuja actividade obrigue-o a estar sentado a uma secretária, irá queimar apenas 1800 …

São estes pequenos nadas que, volvidos 10 ou 15 anos, fazem as pessoas mais ou menos gordas e obrigam a erros no dia-a-dia, nomeadamente em termos alimentares. As grandes refeições, ou melhor, aquelas em que se sai da  mesa sem vontade de comer mais alguma coisa, estilo “depósito atestado”, passam a constituir norma a rejeitar.

Outro erro, é o de só apostar nas saladas, temperando-as com maioneses ou molhos semelhantes. É certo que as saladas constituem um bom recurso, mas apenas duas colheres de sopa da maioria desses molhos trazem 250 calorias, o que é excessivo.

SER FLEXÍVEL. ..

O especialista William Bennett afirma que “os indivíduos que fazem um esforço fisico prolongado e regular, a uma média de quatro a cinco vezes por semana perdem peso de uma forma três vezes mais rapida com participante a outros que apenas frequentam as sessões de treino três vezes por semana”. Trata-se de um princípio básico directamente relacionado com a necessidade de provocar no organismo uma carga constante de esforço, pormenor fundamental para se obter um novo equilíbrio físico.
Por outro lado, Bernett ainda nos transmite outro dado interessante: “os indivíduos que queimam 1.000 calorias por semana, através das suas práticas desportivas, obtêm resultados duas vezes mais eficazes que outros cujo treino apresenta uma intensidade mais fraca”. Enfim, o importante é saber manter um plano alimentar e de esforços físicos que vá ao encontro das possibilidades individuais de cada um, embora sem ser muito intransigente. esta é uma das questões fundamentais pois o atleta tem de saber guardar um espaço livre de “manobra” de maneira a que o seu novo estilo de vida lhe possibilite, efectivamente, toda uma realidade mais atraente e vantajosa. se partir para novas opções dietéticas e de prática desportíva e verificar que isso não lhe traz qualquer prazer, então, o melhor será rever tudo para não cair, mais cedo ou mais tarde, em situações de stress, o que pode originar não uma perda de peso mas sim passar para uma estrutura corporal com um peso superior.

Fonte: Revista Spiridon