Pesam-nos as pernas, porque?…

0

MESTRE DE AVIZ 2011 (25)

 Poderemos considerar que  existem cinco grandes causas de importante para o aparecimento da fadiga:

1- Formação de ácido Láctico

2 -Abaixamento do potencial energético

3 -Hipertermia

4 -Desidratação

5- Fadiga mentalVejamos resumidamente como surge cada uma destas situações, tendo em atenção o esforço típico do corredor e as suas ‘interligações como fadiga geral.

1 – FORMAÇÃO DE ÁCIDO LÁCTICO

Este produto acumula-se nos músculos durante os exercícios intensos e de período curto incluídos no chamado grupo das corridas anaeróbicas e precisamente quando as necessidades de oxigénio são superiores ao total que o atleta é capaz de obter. Um exemplo típico deste tipo de esforço é-nos dado por todos aqueles que experimentarem correr uns 400 metros em andamento rápido . Essa sensação de asfixia sentida na parte final é uma das características nas corridas de incidência anaeróbica . As pernas, num simples esforço de um minuto, ficam pesadas, a cabeça parece doer e a respiração é intensa …

Normalmente, o corpo “queima” a energia com a ajuda do oxigénio. Quando o atleta sprinta, os músculos vão “queimar” a energia sem oxigénio suficiente e a consequência natural é a acumulação de “resíduos tóxicos” (iões de hidrogénio). Se o atleta correr em andamento lento, o oxigénio, pouco a pouco, vai-se combinar com esses “resíduos” e é expelido principalmente através do suor. Se o atleta continuar o seu esforço intenso (sem oxigénio), estes “resíduos tóxicos” vão acumular-se nos músculos sob a forma de ácido láctico.

Este meio ácido em que o músculo fica banhado vai bloquear a possibilidade de uma captação de mais energia e, assim, diminuir- -se-á a sua capacidade de se contrair com a eficiência desejada. Desta forma, o processo de captação de energia reduz-se progressivamente e o atleta é obrigado a baixar o seu andamento. O desconforto, a sensação de fadiga experimentada a nível muscular pelo corredor, tudo se conjuga para que ‘as “pernas”

2 – ABAIXAMENTO DO POTENCIAL ENERGETICO

No decorrer de competições centradas na Endurance, a fadiga pode ter origem no abaixamento das reservas energéticas. Os músculos “preferem” hidratos de carbono por serem rapidamente absorvidos. A principal fonte de tais hidratos é, a nível ,muscular, o gálico génio (poderemos dizer que é um tipo de açúcar puro).

A segunda fonte de energia é a glucose existente no sangue. Desta forma, o nosso organismo reage da seguinte maneira: quando o potencial da energia glicogénica está “acabado”, os músculos são incapazes de produzirem esforços intensos e o atleta é obrigado a baixar de ritmo.

Poderemos reduzir este estado de fadiga, em provas superiores a 15 quilómetros, procurando aumentar as reservas musculares de glicogénio mediante um tipo de alimentação específico; bastante rico em produtos açucarados, que devem ser ingeridos três ou quatro dias antes da competição. Para a maioria dos atletas será ainda e, também importante uma correta utilização de produtos normalmente existentes nos postos de abastecimento.

3 – HIPERTERMIA

Os atletas conhecem este estado de fadiga quando aparece um aumento considerável na temperatura corporal. Sempre que o músculo produz esforço, a utilização de energia origina também, com toda a naturalidade o aparecimento de calor. Durante um esforço mais prolongado, tal calor deve ser eliminado pelo organismo mediante transferência para a superfície muscular através do suor. O corpo procura manter a sua temperatura próxima dos seus valores normais, mas compreende-se que nem sempre é fácil manter este equilíbrio no decorrer de esforços mais longos.

O sistema nervoso no organismo humano é particularmente sensível ao aumento da temperatura, o que provoca pequenos desarranjos neurológicos. O atleta começa a ficar um pouco desorientado e fraco, chegando mesmo, em casos extremos  nos dias mais quentes, a perder o conhecimento.

4 – DESIDRATAÇÃO

Ao procurar manter a temperatura interna em níveis estáveis, o corpo começa a suar abundantemente, podendo o atleta perder vários litros de água e  sais minerais. Quando corre, mesmo nos dias frios, não obstante os muitos líquidos que possa ingerir, o atleta não pode colmatar a perda gradual de suor, já que o seu organismo não está preparado fisiologicamente para isso. Mesmo em atletas treinados é frequente notarem-se perdas da ordem de 3 a 6 litros. Quando a desidratação acontece e o processo de “arrefecimento” do organismo falha, a hipertermia, como já focámos no ponto anterior, vai aumentando, o atleta começa a correr mais lentamente e sente uma estranha fraqueza muscular. Porém, a mais perigosa ação da desidratação resulta ao nível do sistema cardiovascular.

A água, com o esforço, vai-se perdendo através do plasma sanguíneo, provocando um aumento do stress no sistema circulatório, de que resulta uma diminuição do fluxo sanguíneo e, assim, o trabalho muscular diminui rapidamente. Tal estado critico, bastante conhecido por todos aqueles que correm distâncias de meio fundo e fundo, pois o sistema cardiovascular é o principal responsável pelo transporte de oxigénio (energia vital para os músculos). Em plena competição e à medida que o esforço aumenta, começa a ser difícil equilibrar o oxigénio “pedido” pelos músculos e, portanto, o atleta reduz o andamento.

5 – FADIGA MENTAL

Este é o tipo de cansaço já experimentado por todos, mesmo por aqueles que não praticam desporto. Quem já não sentiu uma considerável fadiga mesmo comodamente sentado à secretária durante todo o dia? Nesta situação, o sietema nervoso é o mais solicitado e é bom não nos esquecermos que, mesmo quando pensamos, também despendemos energia. A situação atrás indicada é aquela que mais fadiga ocasiona nas pessoas que não praticam qualquer modalidade desportiva. Nas outras, aquelas que treinam duramente e de uma forma regular, talvez já se tenha desenvolvido algo que origina uma descontração maior dos mecanismos do sistema nervoso durante o trabalho diário .. Tal como muitos corredores e das mais variadas idades, também nós nos sentimos mais fatigados depois de um dia de trabalho em que não houve tempo para correr, como regularmente o fazemos. Aliás, é sabido que grande parte do cansaço experimentado pelos atletas alguns dias antes de uma grande competição resulta de uma maior concentração e no pensar constante na maneira como o seu esforço se vai desenrolar.

Fonte: R.S