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No entanto, passadas quase duas décadas (e mesmo estando num processo de contínua evolução), a corrida em trail é um mundo em aberto. A quantidade de provas continua a crescer no calendário nacional ao mesmo tempo que inúmeros novos aficionados querem colocar-se à prova num percurso o mais natural possível. Tudo isto levou a que as marcas especializadas em material desportivo se transformassem e começassem a dirigir novos recursos para criar materiais específicos para este desporto. Atualmente, um corredor de trail tem à disposição tudo o que possa imaginar. Desta forma, o nosso conselho para enfrentar a montanha pela primeira vez devidamente equipado, assenta nestas sugestões:

1 – Escolher umas sapatilhas específicas é fundamental, mesmo que para correr na montanha não tenha de ter o melhor modelo (nem o pior). Preste atenção aos requisitos essenciais para as suas companheiras de corrida: comodidade, amortecimento, uma sola com um design que garanta segurança quando desce e proteção. Deixemos o peso para quando estiver em condições de ganhar uma prova.

2 – Um equipamento técnico que lhe permita estar fresco e leve no verão e ao mesmo tempo protegido do sol. No inverno tente que o proteja de elementos como a chuva, frio e vento. Já sabe que tem muito por onde escolher relativamente à qualidade e preços, e em termos gerais quase todas as peças atuais são boas para quem está a começar. Uns calções curtos mais reforçados, um pouco mais largos do que os de atletismo, uma t-shirt de alças ou manga curta se levar uma mochila às costas e um boné transpirável – tudo de cor clara – que é muito útil nestes dias quentes.

Para proteger o tronco no inverno o equipamento torna-se um pouco mais complexo e o ideal é vestir-se com três camadas: uma primeira colada ao corpo que lhe garanta calor e seja capaz de expulsar o suor – por exemplo, uma camisola técnica em fibras sintéticas como poliéster, cloro fibra, polipropileno ou lã de última geração. Uma segunda camada cuja função não será aquecê-lo, mas sim reter o calor que o seu corpo gera para impedir que arrefeça. O ideal será uma fibra sintética como o polartec no formato mais leve. A terceira camada serve para o proteger de três fatores como a humidade exterior, vento e o seu suor, já que as duas primeiras camadas não o deixam reter. Corta-ventos ou casacos com proteção são as peças mais típicas para cumprir esta função.

Este sistema que parece tão complexo é na verdade muito simples e só o deveria utilizar em condições bastante extremas de frio, vento ou mistura de frio e chuva. Por norma geral, num dia de inverno sem condições meteorológicas extremas, pode aventurar-se pela montanha com as duas primeiras camadas. Mas lá está, o melhor é levar sempre a terceira camada na mochila, assim como umas luvas e um gorro. Serão muito úteis caso o tempo mude repentinamente.

3 – Agora entramos no departamento dos acessórios, uma secção que, hoje em dia, também é ilimitada. Se o seu objetivo é familiarizar-se com a montanha, aprender e estrear-se numa prova oficial, não complique: escolha uma boa mochila com depósito de água de cerca de 500-600 cc ou uma mochila entre 5-10 litros com depósito de hidratação (camelbak). Ambas devem ser cómodas, “coladas” ao corpo e com bolsos. Este acessório permite-lhe ter mais autonomia no percurso pela montanha. Em duas palavras: mais segurança. Depois ainda existem outros utensílios mais refinados como peças de roupa de compressão – muito em voga – frontal, pulsómetro e/ou GPS, indispensáveis no início.

Sejamos realistas. Ninguém com uma “bagagem” inferior a um ou dois anos como trail runner deveria embarcar numa compra desenfreada de acessórios. Primeiro, certifique-se de que gosta e depois se são realmente necessários para tornar a sua atividade mais útil e gratificante.