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A prática da Corrida possibilita encontrar um vasto leque de entusiastas abrangendo todas as idades, categorias e índices atlético. Mais do que qualquer outra modalidade desportiva, a Corrida tem o condão de permitir o encontro, na mesma linha de partida, não só de grupos de praticantes motivados pela área da Manutenção, como, igualmente, de outros verdadeiros profissionais, quais super-máquinas, que ascenderam à Alta Competição. Este fenómeno não pode ser observado, por exemplo, em qualquer dos chamados desportos colectivos, pois o interesse seria muito reduzido se fizéssemos competir, no mesmo campo, equipas amadoras com outras profissionais. Lembremos o que acontece quando, na Taça de Portugal, em futebol, se disputam as primeiras eliminatórias! …

Enfim, quer você seja, na escala de 1 a 100, corredor do 12, 472 ou 892 grau, existe um princípio que jamais deverá ser esquecido: verificar o seu estado de saúde com intervalos regulares… Se o número de corredores portugueses aumentou de maneira vertiginosa nos últimos 10 anos, importa ter presente que, no que se refere aos chamados Exames Médicos de Rotina, pouco, muito pouco, se progrediu! Para os atletas federados (segundo as nossas estatísticas, serão cerca de 20 a 25% dos praticantes nacionais), tal exame médico resume-se a uma visita obrigatória aos Centros de Medicina Desportiva, ocupando escassos 15 a 20 minutos, durante a qual, segundo afirmam os próprios médicos, pouco se revela. Quanto aos corredores populares, o panorama ainda é mais desolador, pois raros são os atletas que visitam o médico sem que estejam doentes. Sabemos como é pouco habitual consultar-se um médico quando o estado físico parece bom, mas julgamos que muitas lesões, avitaminoses, anemias e estados de fadiga crónica poderiam ser facilmente detectados se a “máquina” fosse à “revisão” periodicamente, como acontece com os automóveis!

Claro que existe a condicionante económica, mas seria bom que os clubes das grandes empresas, e não são tão poucos como se poderá supor, encetassem acordos com médicos da área desportiva, tendo em vista a observação regular dos seus atletas. No caso dos praticantes individuais, o ideal seria travar conhecimento com médicos atletas para, depois, estruturar um esquema de apoio, muito na linha de uma certa amizade. O segundo princípio destes “10 Mandamentos” prende-se com os factores da forma física, nomeadamente aqueles que se relacionam com a progressão do atleta. Quer você comece hoje a correr ou já o faça há duas décadas, não se esqueça que o ideal é sempre: progredir lentamente, de acordo com o seu esquema de treino. Todos gostam de evoluir e, como diz o conhecido provérbio popular, “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. 10 assim que observamos novos e velhos a seguirem “loucos” métodos de treino, esquecendo-se dos anos que foram necessários a outros praticantes para atingirem níveis superiores. Psicofisiologicamente, qualquer adaptação no Ser Humano implica transformações bem complexas que não podem ser obtidas em meia dúzia de meses.

O tentar romper o “tecido” do equilíbrio físico é cair-se no risco das lesões e dos estados de “stress”. Tenha o cuidado de alternar treinos fortes com outros de média e fraca intensidades, de forma a permitir uma perfeita adaptação orgânica e, sobretudo, manter intacto o prazer que a corrida lhe proporciona. Preveja, também, em cada três semanas de treino regular, uma outra de descontracção ou, como dizem os especialistas, de um certo “repouso-activo”. Se é especialista de fundo, vigie a sua presença nas provas, para não “queimar” em alguns meses o que deveria ser feito em várias épocas! …

Diversas e complexas são as motivações que nos levam a sentir um certo prazer quando corremos. Para muitos, O alinhar numa competição de 21 quilómetros é o máximo dos máximos; outros, dirão que só se sentem realizados quando a meta está fixada nas 12 horas de qualquer ultramaratona; outros, ainda, após uns 3 quilómetros, dizem-se satisfeitos com o seu esforço; há os que preferem o corta-mato, os que defendem a montanha, os que se apaixonaram pelas grandes ou pequenas estafetas , os que sentem horror pelas medalhas e competições, preferindo passar os fins-de-semana em calmas sessões· de treino, desprezando qualquer tipo de classificação ou “ranking”, enfim, o princípio que aqui queremos deixar registado é bem simples: escolha as actividades físicas em função do seu prazer, das suas disponibilidades profissionais e características musculares.

Conhecemos alguns jovens portugueses que poderiam vir a ser excelentes maratonistas, alguns deles em plano bem escalonado sob o ponto de vista internacional. No entanto, continuam eternamente virados para as corridas em pista, sector que lhes transmite tudo o que procuram como praticantes d-e Atletismo. Nesta sequência, pouco importa a tentativa de modificar a distância de competição, pois todos os indivíduos têm uma medida certa e, para além dela, perde-se o significado.

A poluição está em toda a parte. O Homem só dispõe, até ao momento, deste nosso planeta para viver. Se é certo que as grandes cidades, as zonas industriais e a foz dos rios são locais típicos de poluição em elevado grau, já ninguém poderá garantir que as regiões mais recônditas estejam desprovidas de bactérias poluentes. O que importa ao corredor é: vigiar a qualidade dos seus locais habituais de treino! Em lugar de ir correr para zonas de tráfego muito intenso, fuja – e é mesmo esta a palavra exacta – para estradas ou caminhos mais calmos e saudáveis ou, então, se tiver possibilidade disso, prefira sempre zonas ou parques arborizados, onde os benefícios resultantes do esforço físico serão bem superiores. Seleccione as suas horas de corrida, para não coincidirem com os períodos de ponta. Muitas vezes, o correr 30 minutos mais tarde traduz-se por um menor grau de poluição atmosférica e sonora. Em certa medida, seleccione, também, as suas companhias de treino, pois nada haverá de mais prejudicial para quem corre do que fazê-lo’ acompanhado por indivíduos cujo tipo de conversação só ‘contribui para nos “poluir” a mente!

O saltador, o velocista, o lançador, têm de aquecer antes de iniciar a sua participação desportiva. No que se refere aos corredores, dir-se-ia não precisarem de tais cuidados. Porém, isso não é verdade. Se, na realidade, a Corrida é dos movimentos mais simples para o Ser Humano, não nos podemos esquecer, igualmente, que ela solicita um vasto leque de grupos musculares, não sendo portanto admissível que o praticante inicie o seu esforço no mesmo ritmo com que irá fazer grande parte do treino. O quinto princípio a ter bem presente traduz-se nesta frase: antes de fazer um “esforço físico intenso ou prolongado, tenha o cuidado de efectuar um período de aquecimento tranquilo.

Tomemos o exemplo de uma sessão de treino prevista para 60 minutos de corrida contínua, a um ritmo de 13 km/hora. Nestas circunstâncias, guarde os primeiros 10 minutos para aquecimento generalizado, efectuado, por exemplo; a 10/11 km/hora e talvez com duas ou três paragens destinadas a exercícios de descontracção e flexibilidade. Lembra-se da velha história da tartaruga e da lebre? Pois é verdade, muitas vezes os que só querem correr depressa, não perder tempo com “andamentos lentos”, são exactamente aqueles que, a partir dum certo nível, deixam de progredir. A variação de ritmos, a alternância das cargas de esforço, a assiduidade de processos, são armas que produzem, a médio ou a longo prazo, resultados de bom nível. O princípio a reter será o seguinte: não será necessário ir até ao esgotamento nas sessões de treino para se progredir!

Esforços de 90 ou 100% só são aconselháveis nas competições ou por ocaS1ao de testes especiais em treino, embora seja preferível escolher uma competição de menor importância para servir de controlo de forma. Se a base de Endurece é fundamental para qualquer tipo de atleta e, portanto, ela deveria envolver 60 a 80% do volume de treino, também devemos ter presente que é muito antes efetuar sessões de ritmo, isto é, fracções da distância de competição no andamento em que esta vai decorrer, funcionando como exploração dos índices anaeróbicos, ou seja, a Resistência Específica.

No entanto, muitos atletas, sessão após sessão, chegam esgotados às cabinas, convencidos de que só com “treino duro” é que o “animal.” aprende! … Hoje em dia, seguramente mais de 90% dos atletas portugueses utilizam a “corrida contínua” como a grande base do seu plano de treino. Se até meados dos anos 70, o treinar corrida só o era quando efetuado numa pista, em prolongadas sessões de séries e intervalados, atualmente, raros são os atletas que o fazem e, no entanto, qualquer um dos grandes Métodos de Treino recorre ao processo por intervalos como fator exploratório do potencial energético. Mesmo os Métodos da linha da chamada Endurance Contínua, tal como O de Van Aaken , não prescindem da alternância regular de esforços. Assim, o princípio que não deve ser .esquecido é: você pode treinar progredir.tanto através da corrida contínua, como mediar-te a utilização de paragens. Note-se que, para seguir tal esquema de corrida, não se torna necessário ir a uma pista, sendo até cada vez mais raros os atletas de Alta Competição que recorrem sistematicamente ao pista de cinza para efectuar as suas sessões específicas.

Os relvados, as praias, o campo e as estradas oferecem um leque de soluções que dificilmente pode ser proporcionado pelo anel de 400 metros. o que apontámos  em relação ao problema do ” aquecimento, também é válido quanto ao do “arrefecimento'”, Após um esforço intenso e prolongado, O nosso organismo necessita de recuperar energias. e, sobretudo, de entrar rapidamente nos chamados processos de desintoxicação. Para eliminar os traços de ácido láctico, nada melhor do que efetuar um pequeno período de 10 minutos de trote lento, com algumas paragens em descontração. Poucos, mas mesmo, muito poucos, são os praticantes que, no final da seu treino, destinam os referidos 10 minutos para tal fim e a maioria entra no duche banhada de suor e ofegante pelo esforço desenvolvido.

 

8Excitados pelo exercício físico, regressam a casa ou ao trabalho com um “stress” que seria facilmente eliminado se, antes, tivessem tido o cuidado de “arrefecer o motor”. Nunca se esqueça, portanto, que: depois do treino, deve ter o cuidado de, com toda a tranquilidade, cuidar do retorno à calma … Para os afortunados que tiverem um relvado ao seu dispor, O ideal será completar a sessão correndo de pés descalços, aspecto que irá permitir um certo repouso tíbio-társico e, sobretudo, a execução de um movimento que funcionará como uma verdadeira massagem natural. A prática do Desporto ainda está muito limitada pelo factor “Bilhete de Identidade” e pelo significado que este assume no contexto social.

– Ah, se eu tivesse agora os meus 25 anos, então, só pensaria nos 5.000 metros em pista!

– Deixem-me chegar aos 39/40 anos, e viro- -me para a Maratona!

– O quê? Começar a correr aos 50? Isso, já não é possível!

Um sem número de afirmações deste género, todas elas ligadas ao factor etário. Se é certo que os processos de maturação são diferentes de indivíduo para indivíduo, o que implica que,a par de a tal do B.I., exista Fisiológica, que não verdadeira. Assim que encontramos indivíduos de 14 anos, já homens feitos, senhores de boa barba e estrutura completa, a par de outros que, apesar ‘de -terem completado os tais 14 anos, ainda apresentam todos os sintomas próprios de uma criança.

O princípio que pretendemos transmitir é o seguinte: nunca é tarde para se começar a fazer exercício físico ou subir para a dispor parte dos corredores. Deixámos para o último quadro exatamente aquele que se nos afigura mais importante: a perseverança. Pouco importa que você possua excelentes condições para a prática do Desporto, se apenas treinar duas vezes por semana, da mesma forma que, muitas vezes, se julga ter atingido o máximo das nossas potencial idades e, depois, quando menos se espera, aí estão as marcas impensáveis. tância superior. Poderiam ser enumerados aqui centenas de exemplos de atletas que obtiveram os pontos mais altos das suas carreiras exatamente nas idades em que, segundo os especialistas, o melhor era estarem retirados. A motivação é a chave para o êxito desportivo e não é O facto de possuirmos mais 5 ou 10 anos que nos deve impedir de “entrar no desafio” em que estamos interessados.

Longa vai a nossa abordagem em torno daquilo que consideramos ser os dez princípios merecedores de uma reflexão A perseverança, no Atletismo, é tão importante como o ter condições naturais ideais uma Idade Cronológica, uma outra, de natureza deixa de ser a mais para a sua prática. Quantos jovens passaram ao lado de possíveis carreiras de alto nível, exactamente por não terem continuado os seus treinos durante mais um ou dois anos? Perseverança também é ter inteligência para fugir da repetição contínua dos mesmos métodos e competições e procurar novos trilhos e esquemas competitivos. Perseverança é, ainda,-o saber manter a certeza a chama do prazer pelo” esforço físico, chama essa que transforma o Desporto, não num acto obrigatório, não num movimento penoso e, por conseguinte, próximo de tudo aquilo que vamos suportar contrariados, mas, sim, algo que nos convida ao esforço gratuito e difícil de entender por parte daqueles que nunca sentiram a euforia infantil transmitida pelo simples acto de correr! …

Revista Spiridon