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0405Quando é tarde demais para se evitar uma lesão, o importante é focar a recuperação visando um retorno rápido e principalmente seguro à corrida. Ao sofrer uma lesão, muitas vezes o atleta tem o bom senso de interromper os treinos por um determinado tempo. Entretanto, é comum o corredor pensar que apenas a interrupção do treino é suficiente para a total recuperação da lesão, quando a maioria das lesões ortopédico requer preparação adequada da musculatura ou mesmo articulação envolvida antes do retorno à corrida. Como exemplo, após uma lesão muscular, é essencial o alongamento e fortalecimento do músculo em questão antes do retorno à corrida para uma boa performance. Ou ainda, após uma lesão na articulação (como entorse de tornozelo), para retornar à corrida sem riscos de se lesionar novamente, além da necessidade de preparação muscular, é essencial o restabelecimento da amplitude total de movimento e da preconcepção, o que obviamente não é conquistado apenas com o afastamento da corrida. Levando em conta as inúmeras lesões ortopédico que podem ocorrer ao atleta e principalmente a especificidade de cada caso, é de suma importância que o corredor receba orientação profissional, passando por uma avaliação médica e, se necessário, acompanhamento fisioterapeutico.

Tempo de ausência Existem três factores que determinam o tempo de interrupção do treino da corrida. Estes são descritos a seguir, segundo o grau de importância:

1. Tempo de lesão e o grau de lesão

Em linha gerais, cada parte do corpo requer um determinado tempo para a cicatrização. O tempo de consolidação óssea depende de factores como o tipo e tamanho do osso, tipo de fractura e fixação (gesso, placa, pino), suprimento sanguíneo e idade. Porém, há um tempo médio de consolidação para os ossos dos membros inferiores que é de 3 a 12 semanas. Isto porque essas sessões mais longos que os dos membros superiores, que levam de 12 a 18 semanas para se consolidar completamente, sem levar em consideração qualquer complicação. Os tecidos moles, que incluem músculos, tendões, ligamentos, cápsulas articulares, superfícies cartilaginosas, discos intervertebrais, meniscose fáscias (membrana que recobre o músculo) têm tempos e fases de cicatrização muito semelhantes.

A fase inflamatória aguda (logo após a lesão) dura aproximadamente três dias. A fase de reparação do tecido dura em média três semanas e a fase de remodelação do tecido (finalização da cicatriz) tem a duração de alguns meses, chegando até a um ano e meio nos casos de lesão do ligamento. Algumas lesões requerem tratamento cirúrgico, como as Ligamentares (intra-articulares) do joelho, e outras lesões apresentam deficiência em cicatrização, como as da cartilagem, comuns nos processos artríticos (artroses e outras lesões de generativas) resultando, nesses casos,num prolongado tempo sem corrida. A determinação do tempo de retorno à corrida, levando em conta este primeiro factor, é da responsabilidade do médico, mesmo porque cada corpo responde de forma diferente ao tratamento. O atleta que corre sem dar importância à lesão ou volta a correr antecipadamente ao tempo orientado pelo médico, corre o risco de piorar a lesão que estava em recuperação.

2 – Condição geral e funcionalidade do corredor

Neste factor podemos incluir o equilíbrio muscular, ou seja, alongamento e fortalecimento dos músculos envolvidos na corrida, amplitude de movimento das articulações mais exigidas, treino proprioceptivo adequado, equilíbrio e condição cardiorrespiratória. O fisioterapeuta e o treinador físico, quando envolvidos no tratamento, apresentam a capacidade de avaliar adequadamente estes factores e auxiliar na determinação do momento mais adequado para a volta à corrida. É importante salientar que, se o atleta corre sem a preparação adequada, podem ocorrer recidivas (regresso da lesão) ou o agravamento da lesão, se o processo de recuperação não houver terminado adequadamente.

3 – Auto-avaliação

A auto-avaliação inclui a percepção do corredor quanto à sua condição geral, dor, desconforto e segurança. O corredor deve trabalhar a percepção do próprio corpo e escutá-lo constantemente. A dor é um importante sinal e deve ser constantemente observado. Em 99% dos casos dor deve ser integralmente integrada, o que significa que não se deve continuar a actividade com dor, o que pode evitar lesões.

Muitos corredores aprendem a transpor a dor, o que, na maioria dos casos, resulta em lesões sérias como as fracturas por stress,afastando o corredor drasticamente da corrida. É comum escutarmos muitos casos em que corredores relatam que devido a uma lesão, pararam de correr por um determinado tempo e como “se estavam sentindo bem” voltaram a correr. Acontece que este factor só tem um grau de importância após a avaliação e aprovação da condição geral do atleta e do tempo e grau da lesão

COMO FACILITAR O REGRESSO

Quando lesionamos uma articulação, o tempo de afastamento é longo, chegando, em alguns casos, a seis meses. Durante todo esse tempo, não é apenas a musculatura próxima à lesão que fica prejudicada, mas sim toda a condição muscular geral e principalmente, a preparação cardia-respiratória (ou seja, o fôlego). Seguir orientações adequadas de exercícios durante essa fase proporciona um retorno à corrida mais saudável. O corredor terá menos dificuldades para obter a condição que tinha antes da lesão com um menor risco de recidiva (regresso da lesão).

Natação

A natação é, na maioria dos casos, a primeira actividade permitida após uma lesão localizada nos membros inferiores (pernas e pés). Em alguns casos,principalmente em pós-operatórios, quando não é permitido carga sobre o lado acometido (não pode pisar), uma opção para o treino aeróbico é a natação com flutuador entre as pernas, apenas utilizando os braços. Um factor benéfico da natação é a acção da água no controle do edema articular (inchaço) devido à pressão que exerce nessas áreas. Quando a piscina tem água aqueci da, então existe uma capacidade para relaxar a musculatura e facilitar a amplitude do movimento das articulações. Deve ser tomada muita atenção nos casos de pós-operatório ou trauma onde há lesões na pele ou cicatriz. O ideal é que o processo de cicatrização da pele esteja bem avançado (completamente fechado) para não ter risco de infecção. Em linhas gerais, a natação estilo livre e de costas são os mais indicados para lesões no quadril e joelho (principalmente lesões meniscais e ligamentares) por não exigirem movimentos rotacionais.

Deep running

Com os mesmos benefícios da piscina, o deep running imita o movimento da corrida na piscina funda com o uso de flutuadores na cintura para que não ocorra o toque dos pés no solo, evitando qualquer carga ou impacto sobre as pernas. Apesar do movimento do deep-running ser maior nas articulações do quadril e joelho e menor no tornozelo que na corrida (ou seja, biomecanicamente não é similar à corrida), a modalidade continua sendo uma valiosa maneira de manter a condição aeróbica, fortalecimento muscular (flexores e extensores de quadril e joelho) e amplitude de movimento, principalmente do quadril.

Bicicleta ergométrica

O treino aeróbico na bicicleta constitui uma grande ajuda na recuperação do corredor por não causar impacto na coluna lombar e membros inferiores, ajudando no fortalecimento da parte anterior e posterior da coxa, além de auxiliar a flexibilidade dos músculos flexores do joelho (isquiotibiais), ajudando no tratamento de tendinites patelares (“joelho de corredor”), patologias da coluna em que a extensão não é indicada (por manter flexão constante da coluna lombar), pós-operatório de cirurgias ligamentares do joelho e tornozelo. É uma boa opção para a recuperação da maioria dos problemas do quadril, pois exige pouca amplitude de movimento da articulação e tem a vantagem de não haver descarga de peso corporal sobre o lado acometido nos casos onde o paciente não pode tocar o pé no solo.

Passadeira rolante

os casos de lesões articulares do quadril, como osteoartroses, má formação ósseae bursitis, por exemplo, a passadeira rolante não é uma boa opção, pois exige um estreitamento da base de suporte, devido à restrição do espaço (pensando lateralmente) quando comparado com a rua. Com isso, o atleta tende a correr com os pés mais próximos da linha central do corpo, o que resulta numa exigência maior do movimento articular do quadril para a constante busca de equilíbrio, prejudicando o bom funcionamento de uma articulação já deficiente. Para pacientes em pós-operatório de ligamento do joelho (principalmente ligamento cruzado anterior e ligamento cruzado posterior), a corrida deve ser iniciada na passadeira rolante para que se possa controlar a aceleração e a desaceleração, com a vantagem do “terreno” ser regular e não haver curvas, o que não é indicado nestes casos. Da mesma forma, nos casos de entorse do tornozelo, a passadeira rolante é o lugar mais seguro, pois é a certeza de “terreno” regular, além de proporcionar o controle de subida e descida para treino específico de algum deficit que o paciente apresente. Para exigir mais o movimento do tornozelo (melhorar a amplitude articular) pode ser criado um treino com elevação da passadeira (simulando uma subida), enquanto que para um ganho funcional de flexão plantar (ponta do pé para baixo) pode-se fazer o oposto e utilizar passadeiras que proporcionam declive. Uma dica importante para qualquer treino realizado na passadeira é que, quando indicado, se altere a velocidade ou elevação a cada dois minutos para que não ocorra acomodação, ou seja, o corredor não entre no ritmo constante da passadeira e sem riscos de começar apenas a “pular”, deixando de correr correctamente. Com a mudança constante de velocidade, o movimento e força exigidos assemelhar-se-ão à corrida fora da passadeira pela necessidade de friccionar o solo para avançar o corpo a cada passada.

Outra vantagem da passadeira é que ela proporciona o local adequado para a análise e correcção, pelo fisioterapeuta e/ou treinador, de qualquer anormalidade da passada na corrida antes da prática na rua. Uma outra opção para a corrida na passadeira é a “aqualifit” (passadeira na água). É uma modalidade que apareceu recentemente e uma opção também para a corrida, com o toque do pé no solo, porém com menor impacto. As passadeiras ficam submersas e o atleta corre ou anda com a água entre a cintura e o peito, podendo controlar também a inclinação. Como na passadeira convencional, é possível trabalhar a força muscular e a condição cardio-respiratório, além de perder mais calorias quando comparado ao trabalho fora de água.

No caso de lesões instaladas, é importante a avaliação médica e fisioterapêutica para que o tratamento seja orientado de forma adequada. Dessa forma, o atleta poderá iniciar cada actividade no seu tempo certo, retornando ao treino no momento adequado para depois participar em competições, sem o receio de se deparar novamente com o trauma de uma lesão.

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