Sexo e a corrida.. Talvez uma questão de dose!

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Longe vai o tempo em que se pensava que a prática de actividades desportivas num âmbito competitivo não “jogavam” muito bem com a actividade sexual normal. Certos técnicos ainda chegaram mesmo ao ponto de aconselhar aos seus atletas um certo período de “absentismo sexual” durante vários dias, quando se avizinhava qualquer competição importante. Porém, é natural surgir a seguinte dúvida: será que a actividade sexual prejudica ou, pelo contrário, beneficia o equilíbrio na vida do corredor?

Na última década, foram divulgados vários estudos tendo por base esta questão, até porque essa afirmação de cousiderar ser um estilo de vida monástico muito favorável para se obterem bons resultados desportivos, é posição que está completamente posta de parte. O atleta tem de ser, primeiro que tudo, um indivíduo equilibrado, procurando dispor de um estilo de vida, digamos normal, para assim poder usufruir dos benefícios proporcionados pelo treino físico específico da sua prática desportiva. Na realidade, está provado que “os  dias de quarentena” antes das competições acabam, muitas vezes, por ser mais prejudiciais do que benéficos para o bom desenrolar do esforço fisico competitivo.

A CORRIDA FARÁ AUMENTAR A ACTIVIDADE SEXUAL?

Ora aqui está uma questão bem pertinente. O desportista faz as suas sessões de treino com vários quilómetros e muitos pensarão que, depois … Bom, depois, ao chegar a casa, nada mais quer do que dormir, descansar …

Será assim?

A questão serviu de base. para um recente estudo levado a efeito pela Universidade de Minesota, nos Estados Unidos. Foram escolhidos 50 desportistas masculinos, com idades entre os 25 e os 60 anos. Submeteu-se este grupo a um programa de corrida de base aeróbia e centrado fundamentalmente na corrida continua lenta, cujos esquemas de treino rondavam uma média de quatro a cinco sessões semanais, para um total de 50 a 70 km. Através das respostas ao questionário inicialmente distribuído aos componentes do teste, apurou-se que, mensalmente, havia uma inédia de 7 relações sexuais.

Ao cabo de 9 meses de treino regular de corrida concluiu-se que a média de relações em cada mês passou para 12, ou seja, quase um aumento de 60% de actividade sexual graças à prática da corrida! Todavia, perguntar-se-á: serão só os homens a beneficiar sexualmente do seu envolvimento em actividades desportivas regulares?

Vejamos o que aconteceu noutro trabalho, desta vez elaborado pela Universidade de Los Angeles, com a colaboração de 25 mulheres de idades entre 25 e 50 anos, e que foram convidadas a frequentar um programa de “Dança Aeróbia” durante 90 dias com aulas de 40 minutos. No final, o estudo revelou que os parâmetros de actividade sexual das participantes aumentaram, em média, para mais … 30%!

 

O conhecido sexólogo William Masters, dá-nos uma explicação bem simples para esta realidade: À semelhança de outros processos fisiológicos, a função sexual passa a ser exercida com maior frequência e interesse a partir do momento em que o indivíduo fica em melhor condição física) É isso mesmo que acontece, após qualquer programa de treino regular e bem esquematizado durante alguns meses, o Ser Humano fica mais activo, mais energético e toda essa energia também pode ser canalizada para tudo o que o rodeia, quer seja, por exemplo, a sua vida profissional ou sexual!

Não é por acaso que as grandes firmas norte americanas, nos contratos que fazem com os seus empregados, oferecem prémios anuais aos que frequentam ginásios ou praticam jogging. Bem vistas as coisas, ao darem mais dinheiro a esses colaboradores, sabem que muitos deles irão ser mais activos durante os seus empregos e, portanto, o seu rendimento profissional poderá, à partida, ser superior ao de um outro empregado sedentário, que nada faz para manter o seu físico nas melhores condições possíveis.

Esta maior intensidade sexual média, explicasse, ainda, quando temos em atenção que todos os que se dedicam a um treino regular de corrida lenta (em equilíbrio de oxigénio ou, por outras palavras, quando se consegue manter um ritmo de corrida que permita manter uma conversação normal com um colega sem se ficar muito ofegante) conseguem, ao cabo de alguns meses, aumentar o volume do seu coração e toda a circulação sanguínea, facto que conduz a melhor irrigação dos músculos e dos órgãos, incluindo naturalmente o sexual, a permitir, sem dúvida, uma actividade mais produtiva dos vários órgãos.

Depois, importa também salientar outro aspecto mais associado à natureza psicológica. Referimos à confiança do “actor” quando vai entrar em “acção”. Sabe-se que, regra geral, o desempenho físico está muito associado à própria confiança que o desportista ganha em si próprio em cada dia que vai correr. Volvidos alguns meses, esta confiança de positivismo acaba por fazer parte da própria vida do atleta e daí não ser de estranhar que, também na frequência do acto sexual, se assista a maior actividade média.

UMA QUESTÃO DE CALOR. ..

Certos fisiologistas consideram que esta melhoria que o desempenho sexual de muitos desportistas que se submetem a programas de treino de corrida regular está intimamente relacionada com o facto do esforço físico, lento e continuo, provocar a acumulação de calor no corpo, situação que faz com ‘que este “reaquecimento” continuo, treino após treino, do corpo faça aumentar o estímulo do Iíbio. A par desde “reaquecimento”, provou-se, igualmente, a existência de uma nítida diminuição dos factores de stress na maioria dos indivíduos que se dedicam a correr em certos períodos dos seus tempos livres.

Mas, atenção, muita atenção a todos: Tudo é uma questão de dose! O Homem não é algo em que tudo surge igual, envolvendo biliões de seres que povoam a Terra. Muito antes pelo contrário, cada um é mesmo um só. Entre esses biliões não encontramos nenhum que seja igualzinho a qualquer outro. Há diferenças, há reacções diversas que podem mudar tudo, e uma delas é o volume de quilómetros que cada um percorre a pépor semana. Se, para certos indivíduos, um programa de 50 km semanais irá possibilitar-lhes uma vida sexual muito mais activa, para outros, tal DOSE pode já estar muito acima da sua condição física e, consequentemente, ao chegar a casa, mais nada quer do que dormir sozinho, descansar o máximo …

O segredo está na dose e deverá ser cada um, por si próprio, a saber se está no caminho certo para uma vida mais equilibrada e activa. Claro que, por vezes, podem surgir semanas de preparação mais forte, com um maior volume de quilómetros, tendo como “objectivo a participação em determinada competição especial, mas isso deverá ser sempre encarado com uma excepção e não como regra que se viva nas 52 semanas de cada ano.

Como afirmam os especialistas em sexologia, quando a corrida começa a funcionar como afrodisíaco, então, então o melhor é pensar duas vezes, pois- é criado um desequilíbrio na vida normal do cidadã. Certos corredores de fundo, que acumulam muitos quilómetros semanais em certos períodos do ano, digamos na casa dos 150 a 200 km, já revelaram que, durante essas fases de preparação específica para grandes provas, o seu interesse sexual baixa de maneira considerável.

Situação idêntica poderá verificar-se nos corredores não profissionais que passam 8 a 10 horas diárias nos seus empregos e, depois, vão correr durante qualquer coisa como 15/20 km … É evidente que o seu tempo de descanso será escasso e vai haver um acumular de fadiga que dificilmente permitirá vontade para outras “actividades amorosas”.
O mesmo se verifica na maioria das corredoras de meio-fundo e fundo de alta competição, cuja actividade menstrual é muito reduzida ou quase inexistente, exactamente a partir do momento em que se dedicam a períodos de várias semanas de treinos prolongados, pormenor que está directamente relacionado com certos défices de ferro e não só.

…. VAI UM COMPRIMIDO DE VIAGRA?

Pois é, em certas actividades desportivas que exigem uma boa capacidade aeróbia  por parte dos seus intervenientes, começa a circular com “toda a naturalidade” o famoso comprimido azul que dá pelo nome de Viagra!
Será que alguns atletas estão a utilizar este produto devido a eventuais problemas sexuais? Numa primeira abordagem, poderemos pensar que assim é. No entanto, a questão é bem outra, pois alguns estudos científicos já demonstraram que em corridas longas, sobretudo as disputadas em zonas de montanha, o uso do Viagra pode facilitar, e muito, o esforço dos seus intervenientes, com outra grande vantagem: o comprimido azul ainda não é considerado como produto a incluir na lista do doping!

Um estudo finlandês demonstra mesmo que, nos esforços prolongados, do tipo da corrida ou do ciclismo, que se fazem em altitudes acima dos 1.000 metros, existe uma nítida vantagem no desempenho dos atletas. A partir dos 2.000 metros, então os benefícios quanto ao rendimento e, sobretudo, quanto à adaptação orgânica à rarefacção do ar envolvente, começam a ser efectivamente muito acentuados.

Quem diria que a utilização de um produto farmacológico destinado a ser comercializado para manter em actividade os órgãos sexuais masculinos, pode contribuir para se poder correr melhor e durante mais tempo …
E o que dizer de um estudo encetado pela Universidade de Alberta, no Canadá, que contou com a colaboração de 31 desportistas e 18 sedentários, em que uma das conclusões finais apontava para o facto da maioria dos desportistas que correm mais do que 60 km por semana acabam por ser afectados pela redução na produção da hormona Testosterona, factor que pode originar uma baixa da sua vontade sexual.

ESTARÁ UM DOS SEGREDOS NA ABSTINÊNCIA?

Desde tempos remotos que se tem associado os aspectos relacionados com períodos de abstinência sexual à possibilidade do Homem ficar com maior força e resistência. No fim, em termos básicos, o princípio é bem simples: não se despende energia com o acto sexual e, consequentemente, o indivíduo vai acumulando reservas energéticas para outras actividades físicas …

Em termos históricos, esta é uma noção que prevaleceu durante séculos e um dos primeiros textos relatando tal prática surge no 4.° Século A.C., quando Platão descreveu ao pormenor o regime de treino do atleta Ikkos de Tarentum, para a sua participação desportiva. Além de ter uma alimentação centrada em altas doses de queijo e de carne quase crua, Ikkos impunha uma abstinência sexual de várias semanas exactamente nos períodos de treino ou de competição mais intensa. Como mais tarde viria a vencer o Pentatlo Olímpico, o seu plano de preparação teve acérrimos seguidores durante centenas de anos. Porém, não se pense que, não bastante este “plano de treino” já ter 2.500 anos, foi deixado “de lado”. Actualmente, apesar de todos os avanços
científicos e tecnológicos, ainda há grandes campeões a acreditar que a abstinência é um dos segredos capazes de levar qualquer atleta a bater os seus recordes.

Victor Pia ta, membro da equipa olímpica norte-americana que participou nas provas de Triatlo dos Jogos de Atenas, em 2004, revelou que paragallhar agressividade e forças superiores para enfrentar a competição, steve voluntariamente durante 233 dias sem qualquer ejaculação sexual.

Também o velocista Linford Christie é de opinião que, duas semanas antes de uma grande prova de 100 metros, o melhor é não ter qualquer tipo de relação sexual, de maneira a poder correr a 100% das suas capacidades…


Mas … e os outros? Aqueles atletas que fazem exactamente o contrário, aqueles que em lugar da abstinência procuram manter ou incrementar a sua actividade sexual antes das competições? Será que nunca poderão obter grandes marcas, conquistar medalhas?
O caso mais gritante talvez se tenha passado com Bob Beamon, o qual, na noite anterior à sua final olímpica no salto em comprimento, manteve relações sexuais durante uma boa parte da noite. No outro dia estabeleceria o fabuloso Recorde do Mundo com a marca histórica de 8,90m e que só seria batida 23 anos mais tarde.

Quem sabe se Beamon, em vez de ter libertado o seu esperma, mantivesse completa abstinência sexual, não teria feito três saltos nulos … E nas nossas corridas? Como classificar a “loucura” do inglês David Bedford (actualmente Director Técnico da Maratona de Londres), que duas horas antes de bater o Recorde do Mundo dos 10.000 metros, teve uma relação sexual com uma conhecida atleta francesa?

Afinal, o segredo estará num período de abstinência antes das competições ou em tentar encontrar uma parceira para “libertar as tensões sexuais”?

Como classificar o facto de nos Jogos Olímpicos de Inverno, que se disputaram em Albertville, haver uma equipa da organização cujo único trabalho era o de encher de duas em duas horas as 15 máquinas de preservativos existentes na Aldeia Olímpica? E em Sydney? … A organização encomendou 70.000 preservativos para idêntico local, convenci da de que seriam suficientes, mas, depois, houve que encomendar mais 30.000, pois as máquinas estavam vazias não obstante ainda faltarem 3 dias para o final dos Jogos!

Na realidade, médicos, atletas e dirigentes sabem que quando há uma grande concentração de atletas de ambos os sexos num dado local, há fortes possibilidades de existir um maior número de actos sexuais. No fim, o problema é a Testosterona, aliada à própria tensão inerente a uma competição desportiva. Se uns acreditam que o melhor é fazer abstinência,outros são favoráveis a uma maior liberdade sexual.

PLANO DE TREINO ESPECIAL

Para muitos atletas, a planificação dos seus treinos gira um pouco ao acaso, muito em função dos seus apetites, da sua vontade de ir ou não correr mais ou menos tempo. Para outros, o plano é algo mais elaborado, mais centrado nos avanços da ciência, mais vocacionado a uma actividade quase profissional.

Para outros, ainda, todo e qualquer detalhe é esquematizado com um rigor milimétrico e onde factores de toda a ordem surgem programados com semanas de antecedência, chegando-se ao ponto de marcar quais os dias em que se deve ou não “fazer sexo”.

É um pouco como se o acto sexual contribuísse decisivamente para a Boa Forma do atleta, da mesma maneira que ele irá, possivelmente, fazer 3×1.000 metros em ritmo de competição dois dias antes de tentar o seu recorde pessoal nos 10.000 metros.
Por exemplo, o fisiologista israelita Alexander Olshanietzky comprovou laboratorialmente que atletas femininas obtinham melhores resultados desportivos quando tinham relações sexuais na noite anterior a uma prova. Segundo este cientista, para além do esforço fisiológico, há também a chamada carga psicológica e as mulheres ficam muito mais despertas e sensíveis depois de uma boa noite de amor. A mesma opinião é partilhada pela corredora de meio fundo Lynn Jennings (participou nos últimos Jogos Olímpicos), quando afirma que fazer sexo na noite anterior a uma corrida dá-nos a sensação de felicidade e aumenta a nossa auto-estima, algo muito importante quando se procura dar o máximo em plena competição desportiva.

Mas voltemos aos Planos de Treino e à obsessão que certos atletas e treinadores têm ao querer programar para várias semanas, e até meses, tudo o que está implicitamente inerente à actividade diária do desportista. Sabe-se hoje, mediante vários estudos de natureza estatística, que há determinados grupos de Seres Humanos que devido às suas actividades podem gerar mais filhos do sexo masculino ou feminino. Por exemplo, os artistas são mais susceptíveis de produzirem filhos de sexo masculino. Em contrapartida, nós, corredores de meio-fundo e fundo, estaremos mais propensos a gerar meninas, comparativamente à média da população mundial. A razão de tudo isto não se deve a qualquer bruxedo ou acto de magia, mas simplesmente aos Andróginos! …
Andróginos? Pois é, a hormona masculina Testosterona é uma das chaves dos Andróginos e sabese que os corredores “gastam” grande percentagem de Testosterona nas suas corridinhas … O Dr. Eddie Crawford, da Universidade de Glasgow, levou a efeito um estudo (Sex Ratio of the Children of Male Distance Runners Tesis) para avaliar até que ponto é que o volume de quilómetros percorridos semanalmente teria efeito na vida sexual dos atletas quanto ao nascimento de filhos do sexo masculino e feminino. Foram escolhidos 139 indivíduos masculinos e divididos nos seguintes grupos:

A – os que já não corriam;
B – aqueles que passariam a fazer semanalmente até  50 km;
C – e os que iriam treinar até aos 80 km;
Pela Drª Nancy Davies