Tabaco causa danos irreparáveis

0
X-Rated
- Publicidade -

7Os hábitos tabágicos são, sem dúvida, um importante factor de risco, responsável por perturbações graves da saúde, com encurtamento da duração da vida e restrição na sua qualidade. A mortalidade proporcional dos fumadores ronda duas a três vezes mais a dos não-fumadores, dependendo do grupo etário. A taxa de mortalidade aumenta quanto mais cedo se começa a fumar. Os maiores riscos de óbito são observados nas faixas etários de 35-44 e 45-54 anos.

Quanto maior o número de cigarros consumidos diariamente, maior o risco de morte. O consumo de tabaco associa-se a uma grande variedade de doenças. O tabagismo é o principal factor de risco para o desenvolvimento de bronquite crónica e enfizema, está associado a doenças neoplásticas, em especial com o cancro da traqueia, pulmão, brônquios, faringe, cavidade bocal, estômago e bexiga.

Os efeitos fisiológicos, hematológicos e metabólicos do tabagismo contribuem de maneira significativa para o aparecimento das doenças cardiovasculares , principal causa de morbilidade e mortalidade no nosso País.
Os fumadores de mais de um maço de cigarros por dia têm quatro vezes mais enfartes do miocárdio que os não-fumadores. No grupo das pessoas que não fumam, o registo de enfartes ocorre dez anos mais tarde.

Os riscos de morte súbita em homens sem história prévia de doenças coronárias são duas vezes maiores no grupo dos fumadores. O consumo de tabaco também se associa a uma maior incidência de acidentes vasculares cerebrais tanto do tipo isquémico como hemorrágico. Isoladamente ou aliado a outros factores, o tabagismo é um elemento de risco bastante importante para o desenvolvimento da arterosclerose, com o consequente desenvolvimento da obstrução dos grandes vasos arteriais e insuficiência vascular periférica.

No nosso país, baseado em resultados recentemente publicados pelo Projecto Coração Feliz (Fundação Portuguesa de Cardiologia e Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral), um inquérito revela que a maioria esmagadora da população portuguesa desconhece a relação entre o fumo do tabaco e as doenças cardiovasculares. A consulta abrangeu um “universo” de 6541 pessoas e um grupo pequeno (18 por cento) relacionou o tabagismo com eventuais doenças do coração, enquanto 84 por cento estabeleceu ligação com o cancro do pulmão. Igualmente 28 por cento declararam fumar (42 por cento homens e 15 mulheres); 30 por cento fumam menos de dez cigarros/dia e 52 entre dez a 20 cigarros diários. Neste grupo, 62 por cento fumam há mais de dez anos. A maioria das pessoas que participaram no inquérito acha que “vale sempre a pena deixar de fumar”. Para que essa intenção tenha consequências positivas, deverão reunir-se todos os esforços para impedir o aparecimento de novos fumadores e ajudar os existentes a abandonar o seu hábito; dessa forma, constrói-se uma sociedade mais saudável.

11 Mandamentos do antigo fumador

1 – Abandonar o hábito de fumar vai depender essencialmente do fumador. A firme promessa de deixar é sómente o início de uma força que percorrerá um longo caminho para encontrar um só objectivo,

2 – Marque caminhos para atingir este objectivo: descobrir o prazer de não fumar.

3 – Identifique a razão porque quer deixar de fumar – saúde, economia, aparência, família, etc.

4 – Lembre-se que a única maneira para deixar de fumar é parar completamente.

5 – Pensamentos positivos – Não está “acabado” nem é “rejeitado”. Deste modo, a alegria e não a tristeza deverá acompanhar uma existência livre de tabaco.

6 – Marque uma data para deixar de fumar – diga fora todos os cigarros.

7 – Quebre, na medida do possível, o ambiente que o rodeia e a sua rotina diária – sente-se num lugar diferente, beba sumos de frutas, ande a pé, faça programas de exercício, ocupe as mãos com qualquer função.

8 – Saia com um amigo e procure receber suporte moral.

9 – Procure o seu médico – encontra nele alguém que pode fornecer apoio ou informações perante as dificuldades que lhe surjam.

10 – Impeça o aparecimento de novos fumadores – dê o exemplo aos jovens e adolescentes, aos próprios filhos, informando-os sobre os malefícios do tabaco.

11- Corra

Trabalho da autoria do Dr. Armando Serra
Coelho, publicado no Boletim do Coração