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Certamente que todos curiosidade em saber qual condição física. Para as pessoas sedentárias, traduzir-se-á possivelmente na maior facilidade em correr para o autocarro, quiçá subir as escadas para o segundo andar ou no peso que não oscila há dez anos! …

Os desportistas, mesmo de uma forma empírica, procuram avaliar a sua condição física em função das vinte flexões de braços que fazem sem grande esforço, das cinéo piscinas que continuam a nadar ou nos 45 minutos de futebol que ainda vão aguentando em cima das joga?as da bola …

Os corredores, vinculados a uma área particular do esforço físico, “consultam” o seu nível físico de acordo com as melhores ou piores classificações que vão obtendo ou com as marcas (ao cronómetro) registadas nos treinos e nas competições.
É  natural que procuremos, com uma ou outra  variante, saber como vai lia nossa máquina” e se estes pequenos testes, em termos individuais, podem dar-nos algumas informações ao longo de uma época ou de toda a nossa vida eles são bastante limitados quando queremos estabelecer uma certa comparação com outros indivíduos ou fazer uma extrapolação das causas desse estado.

É  nesse sentido que a investigação, a par de testes laboratoriais extremamente complexos e fieis, criou algumas rotinas que poderão
contribuir de uma forma simples para um ,melhor conhecimento e controlo da condição física do ser humano.

O estudo clássico das diversas funções do organismo, tendo naturalmente em atenção os aspectos mais solicitados, é factor sempre importante para todos os que se dedicam à prática da corrida, não só os implicados na área da Alta Competição como também, e sobretudo, para o vasto leque dos indivíduos envolvidos no chamado sector da Manutenção Física que, de dia para dia, tem mais adeptos.

Saber o que se passa com “o nosso motor” já não é só matéria a cargo de profissionais médicos e paramédicos, absorvendo igualmente as atenções de muitos treinadores e praticantes de todos os gabaritos.
Até há pouco, os desportistas portugueses só podiam “avaliar” a sua forma física através do recurso aos chamados Centros de Medicina
Desportiva, espalhados um pouco pelo país e, mesmo assim, só se estivessem envolvidos na área federada, Inatel ou Clubes de Veteranos, situação que nos leva a pressupor a existência em Portugal de um número superior a 50% dos praticantes da Corrida que não são “tocado G” pelos referidos centros médicos oficiais.

Para colmatar esta grave lacuna, sabemos que vários são os clubes a recorrer à medicina privada tendo em vista a assistência aos seus atletas e, em alguns casos, são estes e os  respectivos treinadores a fazerem testes funcionais de aptidão ao esforço para um melhor controlo dos seus programas de treino.

Assim, no sentido de um mais visto esclarecimento do que existe neste sector, achamos por bem conceber o presente artigo, que apenas deve ser encarado como um resumo prático a servir de consulta aos corredores portugueses de todas as categorias.

Importa ainda salientar o pormenor de, sempre que os resultados forem considerados fracos pelos valores comparativos das tabelas respectivas, deverão os interessados, com uma certa brevidade, consultar um médico ligado ao fenómeno desportivo, tendo em vista um exame clínico mais profundo. Por outro lado, as oscilações da forma física, principalmente quando se observa uma baixa dos valores dos ·testes, podem ser um bom índice para se reverem determinados aspectos do programa de treino previamente traçado, até por que uma melhoria da condição física deverá passar pela obtenção de um certo equilíbrio fisiológico verdadeiramente indispensável para que o organismo possa assimilar os múltiplos factores envolvidos.

TESTES FUNCIONAIS DE APTIDÃO AO ESFORÇO

Grande parte destes testes tem em atenção a resposta rítmica do coração em repouso comparativamente aos valores observados após
um certo esforço e o respectivo tempo de recuperação à calma (pulso e pressão arterial.

Procura-se, assim, explorar não só o miocárdic como também os sistemas reguladores anexos.

Existem varias provas funcionais e os propósitos deste nosso artigo vão no sentido de dar uma panorâmica geral da sua utilização, tendo em atenção, sobretudo, três grandes aspectos: facilidade de utilização, não obrigatoriedade de grandes meios técnicos e um certo valor científico dos resultados obtidos.

Assim, os vários testes aqui referenciados são efectivamente de fácil aplicação, não só por parte dos treinadores e atletas como também por indivíduos sem grandes conhecimentos específicos. A este aspecto encontra-se intimamente ligado o problema da necessidade
de poucos meios materiais para se conseguir executar cada uma das provas sugeridas. Importa ainda não esquecer que tivemos em linha de conta a actualidade e o valor científico dos resultados comparativos, para além da possível “equiparação” às mais modernas investigações no domínio dos chamados Testes Funcionais efectuados em pleno laboratório e recorrendo a aparelhagem sofisticada e de elevado custo.

Vejamos, pois, alguns dos mais conhecidos dos referidos testes, seu funcionamento e tabelas de valores comparativos.

TESTE DE RUFFIER-DICKSON
Esta prova vai pôr em jogo as cavidades esquerdas do coração, possibilitando uma boa noção da adaptação ao esforço e o grau da recuperação cardíaca por parte do atleta que vai ser submetido ao teste.

O desportista, sentado, vai averiguar. qual  é a sua pulsação em repouso num tempo de 15 segundos (P); depois, efectua 30 flexões com os membros Lnferíres durante um período de 45 segundos. Logo após este esforço, é efectuada uma contagem das pulsações em quinze segundos (P1), procedendo-se a ig~al contagem um minuto depois (P2). A fase seguinte consiste na aplicação da seguinte fórmula:

  • (P1 – 70) + 2(P2 – P)
  • _________________
    10

o resultado obtido depois da aplicação desta fórmula deve ser comparado à tabela que passamos a transcrever

Maior que   =   ( FRACO
6 a  =  8 Médio
3 a = 6 BOM
Menor que  = 3 MUITO BOM

O teste de Ruffier-Dickson apresenta a vantagem de necessitar de um tempo curto para a sua realização e obrigar o interessado a um esforço “médio”, facilmente ao alcance de qualquer um.

Há que ter em atenção não só o valor absoluto do índice obtido mas, igualmente, o resultado das três contagens de pulsações verificadas, pois não podemos esquecer que:
– Um ritmo de repouso inferior a 65 p/m significa já um bom valor fisiológico cardíaco de base;
– Um coração que duplica as pulsações de esforço face aos valores obtidos em repouso é um coração que se adapta mal a esse mesmo esforço. Assim, o valor (P1) não deve, regra geral, ultrapassar 2(P).
– Uma duração de retorno à calma excedendo um minuto (P2 superior a P de 20 ou mais pulsações) demonstra um mau estado de recuperação e uma falta de Endurance orgânica;
Um ritmo de ~torno à calma inferior ao inicial é um excelente índice de adaptação ao esforço e de uma boa aptidão fisiológica.
Neste caso, normalmente só acessível aos bons corredores, em lugar de somar o segundo número da equação proposta, deve ser efectuada uma subtracção, de que resultará a seguinte fórmula:

  • (P1 – 70) – 2(P – P2)
  • _______________
    10

Como nota final, devemos salientar que este é um dos testes feitos a todos os desportistas portugueses sujeitos ao chamado exame nos Centros de Medicina Desportiva, sendo, por isso, bastante conhecido pelos atletas da chamada ala federada e não só.

Para os menos familiarizados com as fórmulas e o mecanismo da realização das flexões e tomadas de pulso, aconselhamos o recurso a
três ou quatro tentativas (num espaço de 45 minutos), o que permitirá a obtenção de um valor que esteja dentro da verdade da adaptação funcional do desportista testado.

Julgamos desnecessário lembrar que estas provas sáo devem ser realizadas fora do período de digestão e em ambiente calmo.

STEP-TEST

Consiste em subir e descer em dois segunda; e durante cinco minutos, um pequeno banco com 50,8 centímetros de altura, apurando-se as pulsações através di,S 30 primeiros segundos de cada um dos fr~s minutos seguintes ao términus do esforço’ (valores P1, P2 e P3). Depois, aplica-se a seguinte fórmula:

  • 300 X 100
  • ___________
    2(P1+P2+P3)

Após a aplicação desta equação, comparado o resultado obtido com os da seguinte tabela:

  • Inferior a 60 = MUITO FRACO
    60 a 70 = FRACO
    70 a 80 = MÉDIO
    80 a 90 = BOM
    Maior que 90 = MUITO BOM

O “Step- Test” é uma prova um pouco cansativa, que exige um certo esforço, pelo que não deve ser aplicado a sujeitos pouco treinados.

Convém não esquecer que para os resultados serem válidos, não deve ser utilizado, por parte dos desportistas, um ritmo falso na subida e desc ida do banco, acção a efectuar sempre no já referido espaço de dois segundos.

TESTE DE PACHON-MARTINET .
Para o bom desenrolar desta prova há que possuir um aparelho para avaliar a tensão arterial, o que não é muito fácil aos atletas portugueses. Contudo, aqui fica o processo do Teste de Pachon-Martinet, até por sabermos que existem treinadores e professores de Educação Física que o aplicam.

O desportista começa por efectuar 20 flexões completas dos membros inferiores num espaço de 40 segundos, com tomada de pulso e de tensão arterial em repouso e imediatamente após o esforço. A operação deverá ser repetida de minuto a minuto, até que os valores obtidos sejam iguais aos de repouso.
A tabela a aplicar é a seguinte:
– Pulso menor do que 100 e retorno à calma inferior a dois minutos = BOM;
– Pulso de 10 a 120 e retorno à calma de 2 a 4 minutos = MEDIO;
– Pulso maior do que 120 e retorno à calma superior a 4 minutos = MAU.
Normalmente, a tensão máxima aumenta de dois a três centímetros e a mínima de zero a dois centímetros ou até baixa um pouco. Admitem-se, como sinais desfavorávéis, um aumento superior a dois centímetros ou baixa muito forte da mínima.

Como apontamento complementar, convém referir que o “Teste Pachon-Martinet” exige um esforço moderado e que tem sido explorado e melhorado por vários fisiologistas. Assim, por exemplo, o especialista italiano La Cava modificou-o um pouco, adoptando um ritmo de 30 flexões em 60 segundos.

QUANDO EFECTUAR OS TESTES?
Evidentemente que tudo gira em função da actividade e do treino do corredor. No entanto, podemos dizer que, no início da época, é “obrigatório” o recurso a um dos referidos testes para podermos facilmente avaliar o grau de condição física em que nos encontramos. Depois, a execução do teste uma vez por mês parece-nos razoável, pois quanto mais activo for o corredor melhor poderá associar os valores conseguidos no teste e aqueles que se vão obtendo em provas cronometradas, quer em distâncias de pista quer em estrada. Por’ exemplo, _um atleta que apresente um valor de 2,8 no “Teste de Ruffier-Dickson”,ou seja, um nível que a tabela aponta como sendo “Muito Bom”, notará que, a partir de certa altura da época, é mais importante realizar testes específicos de corrida do que se preocupar com a melhoria de 2,8 para 2,5 …
A terminar, resta-nos a convicção que ·deixamos aqui registado mais um “instrumento” ,que poderá ajudar os interessados pela prática .da Corrida e motivar treinadores e atletas  elaboração de melhores programas de treino e bem mais eficientes.

por Maria de Lourdes Machado