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Quando folheamos uma publicação dedicada aos temas desportivos, seja qual for a língua em que a mesma esteja escrita, número de páginas ou aspecto gráfico, a verdade é que a esmagadora maioria dos seus artigos versam temas de índole técnico-prática, numa clara demonstração de que os exercícios físicos, por mais progressos que tenha havido, continuam a ser referenciados com uma perspectividade típica de Filosofia Dualista.

Assim, temos, de um lado, as “coisas do espírito”, enquanto,no outro,figuram as relacionadas com o corpo. Se estipularmos como sessão de treino 2 X 5 km, a primeira ideia que fica é a de se estar em presença de um “esforço físico”; se convidarmos qualquer
colega para jogar xadrez, então, pensamos imediatamente em esforço intelectual.

Quando um bom corredor, no auge da sua forma, surge com resultado pouco abonador , diz-se que tal falha terá sido devida a “problemas psicológicos”, deixando-se pairar no ar um certo clima de fatalidade, para o qual dificil será encontrar remédio.

Este nosso artigo procura dar uma ideia diferente do problema, surgindo, talvez, como as “receitas” que alguns treinadores costumam dar quando os seus atletas apresentam dúvidas de natureza exclusivamente técnica.

Situemos o envolvimento de um corredor que se prepara activamente para competir em prova considerada na programação dos seus treinos como um dos pontos altos da época. Para isso, imaginemos, até, que esse atleta é o leitor que nos lê e a quem, a partir de agora, dirimos, através de “conversa íntima”, as linhas que se seguem.

«CONSTRUA-SE» POSITIVAMENTE …
Concentre-se nos seus pensamentos positivos, em vez de pensar no “perder” e na boa ou má forma dos possiveis adversários.

Você, nas últimas semanas, tem treinado bem, o seu programa foi bem elaborado, pediu vários conselhos e soube adaptá-los às suas circunstâncias de tempo livre. Não há dúvidaque é na próxima prova que vai mesmo conseguir o seu máximo pessoal.
Lembre-se que é um dos corredores, dos bons, e mesmo que s.ejaao nível do pelotão, terá de se convencer que tem “lá dentro” qualquer coisa melhor do que os outros e vai mesmo saber aproveitar isso. Todos podem ser vencedores!
Este é o grande princípio que justifica a popularidade cada vez maior da Corrida, sobretudo naquelas competições “Abertas a Todos”.
O nosso desporto apresenta um manancial de situações de competição .e, assim, é ficil vermos o 1.527º atleta cruzar a linha de meta e levantar os braços, mais feliz do que o primeiro classificado. Tudo isto, talvez porque este 1.527º corredor foi o vencedor da sua categoria, bateu o recorde pessoal, foi o melhor da equipa, do bairro ou, muito simplesmente, foi capaz de chegar ao fim, .

Por exemplo, você tem hipóteses de correr 42.195 metros?
Já pensou na grande vitória que isso seria para si?
Este princípio de funcionar “por pensamentos positivos” aplica-se a tudo na vida. Vejamos se o percurso tem algumas subidas, em vez de, antes do tiro, começarmos a “chorar”, pensando que “só há subidas”. O ideal seria, até, pensar da seguinte forma: “Sim, o percurso tem algumas subidas, mas poderia ser bem pior”. Perante uma manhã em que a temperatura subiu aos 30 graus centígrados, “esticalor, mas tenho sorte, pois, se estivessem 35º, muito mais calor haveria.

Situemos o caso concreto de um copo, que enchemos de igual 50%. Coloque-o na sua frente. Agora, pense um pouco e diga-nos: o copo esta meio cheio ou meio vazio? Claro que não lhe vamos dar já a resposta, preferimos coloca-la no final deste artigo e agradecemos que não a procure antes de li ter chegado (1), já que, desta maneira, sabera qual é presentemente a sua linha de pensamento.

“Meio vazio ou meio cheio” é algo que o acompanha em todas as suas actividades diirias e reflecte o seu estado psicológico perante a vida. Claro que o ideal é ter o “copo mesmo cheio”, mas raras são as situações em que tal acontece.

ESTUDE BEM A PROVA
Se você se preocupa com a obtenção do melhor resultado possível, então, há que estudar  com atenção a sua prova. Procure o organizador e tente colher a maior quantidade de elementos sobre o desenrolar da corrida. Percurso, tempos de passagem, abastecimentos, subidas,descidas, passagem nas povoações, cruzamentos de muito trânsito, etc ..

Depois, a fase seguinte é delinear qual a melhor forma de se comportar quando estiver em plena corrida … “Aqui, nesta subida, vou tentar ir um pouco mais lento, para, depois, acelerar na descida e retomar o bom ritmo”.
Este estudo concreto do comportamento é uma fase muito importante e que raramente constitui preocupação para os atletas, mas ele pode colocar o concorrente de sobreaviso, face a tudo o que a competição encerra. A familiarização com o traçado deveria ser aspecto obrigatório, a merecer a atenção de todos e implica a “”perda” de alguns minutos, o que, em competição, se traduz sempre pelo ganho de muitos segundos.

Se habita próximo do local onde a prova ira decorrer, veja se consegue efectuar dois ou três treinos nas estradas que irão surgir-lhe mais tarde, quando efectuar o esforço a cem por cento. Este reconhecimento deve ser feito nem que seja só para. conhecer o primeiro e último quilómetros do percurso. O contacto com o cenário, o saber o estado do piso, pode ser ajuda decisiva, e.~arcar uma grande vantagem e maior confiança …

VISUALlZE A «BOA PROVA»
Ponha a sua imaginação a trabalhar muitos dias antes da prova ter realmente lugar.
“Veja” o seu período de aquecimento, o tirar o fato de treino, a forma como ira colocar-se no risco de partida, a largada e todo o seu provável comportamento em plena competição.

Este “filme da corrida” faz  tomar uma consciência mais forte sobre os diferentes momentos da sua prestação desportiva. Como é óbvio, não vale a pena- sonhar com grandes resultados e de tipo impossível, como, por exemplo, o de ter, como marca na Maratona, o tempo de 3h10 e começar a ver no seu “filme interior” uma cronometragem de 2h35. Tudo deve ser avaliado de acordo com as reais possibilidades de momento.

Escreva a marca que deseja fazer numa folha de papel e coloque-a sobre a sua secretaria ou na parede do seu quarto. Se tiver  relógio digital de mesa, marque o tempo desejado e deixe-o fixo de forma a que, cada vez que queira ver as horas, depare com a marca anteriormente fixada. Imagine-se a atravessar a linha de meta, olhar para o seu relógio e ver o “tal tempo” “marcado no cronómetro. No treino, durante as sessões lentas de corrida contínua, tente encontrar fracções da marca pretendida.

Por exemplo, se é especialista de 10 mil metros e “sonha” com o tempo de 31.50, arranje forma de os seus treinos serem exactamente de 31 minutos e não a meia hora fixada. Tudo isto ir contribuir para a “fixação mental” dos números, de que resultarão muitos factores positivos quando pressionado num esforço físico de natureza mixima.

“Veja-se” a correr com tempos de passagem dentro da tabela que o leve i cronometragem final desejada. Por exemplo, para os tais 31.50 aos 10 km, teria de passar em 3.11 ao primeiro quilómetro, 9.33 aos 3 km, etc .. Mas, “veja-se”, igualmente, a correr forte, sem desfalecimentos, solto •..

Repita esta “visualização” da corrida virias vezes antes da mesma se realizar. A imaginação de um fim feliz pode conduzir a que tudo se concretize.

PEQUENAS REALIDADES PARA GRANDES SONHOS

Uma vez em prova, “apague” tudo o que vai ter de passar até chegar à meta e prepare-se para se concentrar em pequenas parcelas da distância total a percorrer. Por exemplo, se se trata de uma competição de corta-mato, em que os atletas têm de fazer seis voltas a um circuito, num total de 12 km, tente concentrar-se inicialmente na primeira volta; depois, ao atingir a terceira, imagine que só falta metade e não três voltas … Em lugar de pensar- em 12 km, é preferível pensar nas seis voltas, pois é um número mais pequeno.
Com tal comportamento, o corredor “chega à conclusão” que a prova é muito mais fácil e realizável do que aquilo que parece à primeira vista.
Psicologicamente, é o mesmo que você se sentar a uma mesa preparado para fazer um “puzzle” de 1.500 pequenas peças. A partida, o número 1.500 parece enorme, um passatempo que irá demorar verdadeira eternidade, mas, se na primeira escolha das peças, só procurarmos os “cantos”, uma vez isso conseguido, imediatamente nos parece termos atingido já um grande resultado. Depois, em vez de iniciarmos o “puzzLe ” num todo, tentemos fazer uma só figura do canto esquerdo, por exemplo.

A noção com que ficamos ao atingir esta meta é que progredimos’ imenso e talvez come-cemos mesmo a pensar que, na próxima compra de outro “puzzle”, em lugar de 1.500, será melhor ter um de 3.000 peças …

EM COMPETiÇÃO, ADAPTE-SE A SITUAÇÃO …
Com a prova a desenrolar-se, tente sempre ser “senhor de si mesmo” e não entre em pânico se tudo estiver a correr contrariamente ao idealizado. Este adaptar-se constantemente a novas situações é uma grande arma que o desportista deve cultivar.
Tomemos, como referência, um maratonista que sonhou com 2h29, mas, depois de um tempo de passagem aos 5 km “dentro da tabela de andamento”, depara-se com um aumento brusco do vento contrário , impossibilitando-o de continuar no ritmo previamente estabelecido.

Nestas situações, os mais fracos psicologicamente irão baixar os braços e abandonar. Outros, continuarão até ao fim com toda a má sorte que os tem acompanhado … Não, a solução passa por saber adaptar-se à nova situação. Se as tais 2h29 já não são possíveis, então, por que não lutar pela vitória, ou pelo décimo lugar, ou por ser o primeiro na sua categoria, ou, até mesmo, o tentar ser o primeiro do grupo que corre consigo?

Numa competição importante, para a qual se preparou com afinco durante um ou dois meses, se as coisas não lhe estão a correr bem, nunca diga para si mesmo que “errtão , pronto, aproveito a prova para ir só a treinar”. Este “ir só a treinar” é o maior inimigo que os corredores podem encontrar, pois rara será a futura competição em que o pensamento, uma vez que as coisas “comecem a doer”, não se vai voltar para essa grande fuga do “ir só para treinar.

Por:  Mike Meckaron