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O Trail da Ericeira, por conhecer a zona, era uma das provas onde tinha mais expectativas em termos de beleza de paisagens e variedade na utilização do tipo de solo no percurso. É um local lindíssimo, quer ao nível da costa marítima, quer ao nível da serra enquadrada numa zona saloia de terrenos agrícolas.

Sete da matina e a estrada nacional para a Ericeira estava praticamente vazia. O termómetro do carro a marcar 8º graus, o sol ainda não dava o ar da sua graça e, à português, pensar “menos mal, não está nevoeiro!”. Chegada à mítica Praia de Ribeira d’Ilhas já se viam os atletas do trail longo a tentar aquecer, outros a consumir um bolinho bem calórico a acompanhar o café (umas energias extras) e outros com falta de coragem de se despirem.

Fazia frio, é um facto! Mas, como é característico nas provas de trail, há sempre boa disposição, sorrisos, cumprimentos de quem não se encontrava desde um último trail, umas queixas de pequenas lesões, outros com alguma ansiedade na distância, outros bem expectantes com o desafio.

Um pouco antes das oito instalou-se o caos na zona de controlo zero na verificação do equipamento obrigatório dos atletas do trail de 60k + e, a partida, à hora, deu-se com alguns dos atletas ainda não alinhados. Claro que houve descontentamentos mas também é verdade que essas condições foram divulgadas.

Com mais calma e já alertados pelos possíveis atrasos, pelas nove horas os atletas do trail de 20k + alinhavam na linha de partida e aguardavam o tão esperado toque de partida.

Infelizmente, os 20k que se seguiram não aproveitaram toda a potencialidade daquela zona.

Percorreram-se cerca de 4k junto à Costa, em estradão e, na zona de Ribamar, flectiu-se para o interior e o percurso continuou a percorrer estradões. Apesar da falta de trilhos a boa disposição imperava entre os atletas e os km lá se iam fazendo ao mesmo tempo que se iam trocando comentários motivadores entre os atletas! Ao 9km um abastecimento de água, sem fornecimento de copos e ao 14km o verdadeiro abastecimento e, verdade seja dita, havia um bocadinho de tudo.

Continuação da percurso, agora em direcção ao centro da Ericeira e mais estradão e alcatrão. Por fim, o final onde nos aguardava uma medalha de finisher e um recovery.

Concluindo, esperava mais do percurso, é minha opinião que a Organização poderia ter sido mais ambiciosa nas suas escolhas; os abastecimentos estavam num nível normal em termos de variedade; e, a utilização das forças policiais deveria ser reforçada, uma vez que apenas uma viatura e dois militares não se conseguiam dividir para estar nos vários cruzamentos de estradas movimentadas (pelo menos quatro).

Ana Bernardo