Tríade da mulher corredora

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Este tema surge devido à crescente participação da mulher em competições desportivas ou programas de atividade física, já que nas ultimas décadas o número de atletas e praticantes tem aumentado consideravelmente, por estas razões dedicaremos este tema que está incluido na Tríade da Mulher atleta (TMA) que contempla (conjunto de sinais clínicos e sintomas) e engloba desordem alimentar, amenorreia (ciclos menstruais diminuídos ou ausentes) e osteoporose (redução de massa óssea corpórea). 

O termo “Tríade da Mulher Atleta” foi oficializado em 1992, quando o Colégio Americano de Medicina Desportiva (ACSM) reuniu diversos especialistas da área e publicou o resultado da conferência. Ainda pouco esclarecida, a desordem alimentar refere-se a padrões alterados de alimentação, desde uma simples restrição calórica até formas graves de anorexia nervosa e bulimia. A anorexia nervosa é caracterizada por extrema restrição alimentar, distorção da própria imagem corporal, indução de vômitos, intensa preocupação com a obesidade, e amenorréia (ciclos menstruais ausentes ou com intervalos superiores a 90 dias).

A população de atletas mais propensa a desenvolvê-la inclui o grupo das bailarinas e das corredoras de longa distância, geralmente obcecadas por magreza e muito cobradas por parte de treinadores, patrocinadores e mídia especializada. Segundo alguns autores, aproximadamente 25% das mulheres anoréxicas são atletas de elite.

    No passado, a disfunção menstrual observada em atletas de alta performance foi associada ao alto nível de atividade física que caracterizava os treinos diários. Durante muito tempo isto não despertou o interesse dos pesquisadores, pois pensava-se que com a diminuição da intensidade dos treinos, o ciclo menstrual voltaria ao normal sem detrimento da saúde da atleta. Porém após algumas pesquisas descobri-se que a densidade mineral óssea (DMO) em atletas amenorréicas era significativamente menor quando comparada a atletas eumenorréicas (ciclos menstruais regulares). Após estes estudos, o conceito de fenómeno benigno da amenorreia em atletas  foi revisto, e esta condição passou a ser encarada como uma causa prematura e importante de perda de massa óssea.

Também é sabido que é necessário uma quantidade mínima de  Massa Gorda na mulher para  a produção das hormonas sexuais e que esta é afetada pela intensidade/ duração dos treinos/ provas, logo se a mulher tem um valor abaixo do recomendável de Massa Gorda inevitavelmente vai ter menor produção hormonal e terá menstruações menos intensas ou frequentes ou mesmo ausentes.

Para se ter uma ideia a Massa Gorda de uma mulher deve variar entre os 19%-25 %(depende também da idade, mas apenas para se ter uma ideia) e no homem entre 14%-20% (Homem tem sempre menor percentual MG ja que não precisa desta para produção hormonal) e algumas atletas chegam a ter valores de MG abaixo dos 10%, não estamos a falar de todas as atletas porque depende do tipo de modalidade desportiva e dos cuidades alimentares que têm mas se falarmos de alta competição a maioria das atletas terá valores bastante abaixo dos recomendados.

A amenorreia da mulher atleta é consensualmente reconhecida na literatura científica atual como um fenómeno de causa hormonal. A secreção  da hormona hipotalámica (segregada pelo hipotálamo, glândula cérebral que regula diversas funções hormonais) que promove a liberação das hormonas estimuladoras dos ovários está alterada, o que resulta na produção diminuída dos estregéneos e progesterona, hormonas responsáveis pela regulação dos ciclos menstruais femininos. A redução na secreção de estrógenos ocasionada pela amenorreia hipotalâmica desta síndrome é responsável pelo desenvolvimento de osteoporose prematura com consequências a curto e longo prazos.

A curto prazo, estas atletas têm apresentado um alto índice de lesões, em decorrência tanto do comprometimento estrutural da do osso como da redução de massa óssea corporal, particularmente fraturas de stress, e a longo prazo aquelas que se tornam portadoras de osteoporose desenvolvem um risco aumentado de fraturas com consequências potencialmente graves, embora ainda jovens.

O principal objetivo no tratamento de atletas portadoras de alterações alimentares e amenorreia é restaurar o seu equilíbrio hormonal. A atividade física deve ser prontamente reduzida em 10 a 20% do volume/intensidade/frequência, e o ganho de peso deve ser adquirido com dietas que ofereçam acima de 2500 calorias, medidas que geralmente resultam no retorno espontâneo de menstruação.

Nos casos em que isso não ocorre, a reposição hormonal passa a ser preconizada para evitar a perda óssea precoce, através de reposição estrogénica da mesma forma que é realizada em mulheres menopausicas, ou quando necessário, da administração de anticoncepcionais orais com altas taxas de estrógeno para aumentar de forma significativa a massa óssea destas atletas. A suplementação com cálcio deve ser preconizada para as portadoras desta síndrome, utilizando 1500 mg diários divididos em duas doses.

Bibliografia
www.doutorneto.med.br/artigos.html (Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP – Pinheiros)
Raquel Madeira