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Dia 04 de maio foi dia de conhecer a Serra da Gardunha através da segunda edição dos Ultra Trilhos da Gardunha, organizado pela Associação do Bairro do Cansado de Castelo Branco e pela sua equipa ABCansadonTrail. O evento foi composto por 4 percursos: Ultra Trilhos de 51km, Trilhos de 25km, Mini-Trilhos de 12km e uma caminhada de 11km.
A partida de todos os percursos foi em Louriçal do Campo, tendo os Ultra Trilhos início às 8h00, os Trilhos e os Mini-Trilhos às 9h00 e caminhada às 9h30. Antes das provas, foi verificado o material obrigatório de cada atleta.

ULTRA TRILHOS – 51KM | CARLA TABAIO
No que respeita à prova mais longa deste evento, foi dura, mas com paisagens de cortar a respiração! Desde a passagem por aldeias belíssimas, como a aldeia histórica de Castelo Novo, às passagens por cascatas (com direito a muito molha pés) e por paisagens fenomenais como a vista para a Serra da Estrela!

Esta é uma prova muito pouco “corrível”. Porquê? Devido às suas subidas longuíssimas em que “trepar” foi o verbo de eleição. Foi trepar e trepar muito! Já no que respeita a descidas, muito técnicas. Um material de eleição de muitos atletas foi, por isso, o bastão. Para quem sabe os manejar, pode ser um bom apoio.

Quanto à marcação e apoio, as marcações estavam impecáveis com recurso, não só a fitas, como também a bandeirinhas espetadas no chão, que deram muito jeito, até porque os trilhos eram tão técnicos que era para o chão que se olhava. O apoio foi 700 estrelas! Pontos de abastecimento exatamente onde anunciado. Para quem está a gerir as suas reservas, pontos de abastecimento em locais diferentes do anunciado podem fazer a diferença, em mau. Nos abastecimentos houve sempre muita fartura, sendo que no 4.º houve até direito a uma bela canja. Algo que ajuda muito, o staff dirigia-se aos atletas para lhes pedir os reservatórios e enchia-os enquanto lhes dava oportunidade de comer, sendo assim a paragem mais curta. Adorei este pormenor que é um “pormaior”, para mim.
Havia também apoio médico ao longo do percurso, em muitos pontos, o que transmitiu uma grande sensação de segurança. Sabíamos que, se algo acontecesse, teríamos apoio rapidamente. Até porque o calor que se fazia sentir era grande e o trilho propício a quedas.
Se há algo que destaco nesta prova, foram os companheiros desta luta.

Valentes companheiros! Companheiros que conheci durante o percurso, tendo-nos apoiámos mutuamente, seja em palavras encorajadoras, seja em companhia (percorrer 51km pode ser solitário), seja em preciosa ajuda. Saliento o Valente Humberto Pinho, que prontamente me ajudou com sais e que mais para as câimbras de que estava a sofrer. O meu agradecimento! Acontece também cruzarmo-nos no caminho com as mesmas pessoas, porque uns são melhores a descer, outros a subir, outros em linhas retas, outros passam pouco tempo nos abastecimentos e, assim, volta e meia nos passamos mutuamente. E que agradável que é voltar a ver caras, agora já familiares. Esta foi uma experiência que vou guardar para a vida, desde o que vi ao que senti. E as emoções foram muitas!

MINI-TRILHOS – 12KM | BRUNO TABAIO
A prova mini-trilhos (12Km certinhos) foi uma experiência memorável para explorar mais um pouco este belo país e para exercitar os músculos. Que sublime maneira de conhecer a serra da Gardunha! Menos exigente que as provas K50 e K20, a K12 não deixa de ser uma prova rigorosa, com uma subida nos primeiros quilómetros que não deixa ninguém
indiferente, sendo capaz de nos tirar o fôlego, e com uma velocidade a um ritmo imposto pelos atletas mais velozes, testando a nossa resistência de alta velocidade durante 7Km. É correr ou deixar passar! As paisagens são magníficas, com uma vista no miradouro insuperável, e as sapatilhas molhadas são uma certeza, com passagens pelo rio Ocreza e por uma das suas cascatas. Quanto à organização, as marcações foram provavelmente
as melhores que experienciei, destacando-se a quantidade (era impossível

dizer que não se via uma marcação) e a qualidade (marcações nos pontos para os quais o atleta estará provavelmente virado, designadamente as pequenas bandeiras no chão para os momentos da prova em que o atleta não vê outra coisa além do solo em que pisa). A segurança dos atletas foi sempre assegurada, com uma revista inicial do equipamento (mesmo para a prova K12) e com o destacamento local de bombeiros sempre presente.

Para os amantes da gastronomia tradicional portuguesa, a refeição foi uma bela feijoada à transmontana acompanhada por uma imperial fresquinha (no meu caso, duas). Um magnífico fim-de-semana em família, numa localidade deslumbrante e com uma atividade física e de comunidade propícia à boa saúde mental e física.

Aconselhamos todos, mas mesmo todos, a irem aos Ultra Trilhos da Gardunha e a visitarem algo que de outra forma, provavelmente, não conheceriam. Sejam atletas das diferentes distâncias ou não, vão à corrida ou à caminhada e disfrutem dos lugares e desta organização fantástica.